Os Estados Unidos fecharam um contrato de até US$ 6,34 bilhões para fabricar mísseis SM-3 Block IB, interceptadores capazes de destruir outros mísseis balísticos em pleno voo. A encomenda foi concedida à Raytheon em 7 de outubro de 2026 e busca recompor os arsenais americanos utilizados em operações no Oriente Médio.
A Raytheon confirmou a compra no dia 8 de outubro, com cinco anos de produção e manutenção e opção de prolongamento por outros dois. As fábricas de Tucson, no Arizona, e Huntsville, no Alabama, concentrarão as atividades industriais previstas no acordo.
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A parte básica do contrato soma aproximadamente US$ 4,43 bilhões; o teto de US$ 6,34 bilhões depende do exercício de opções adicionais. O Pentágono não divulgou quantos mísseis encomendou e inicialmente comprometeu US$ 454 milhões do orçamento de aquisição de 2026.
Contrato de US$ 4,43 bilhões pode chegar a US$ 6,34 bilhões, com trabalhos previstos até 2034
O extrato governamental reproduzido pelo ClearanceJobs identifica o novo acordo pelo código HQ0851-27-C-E001. O valor-base é de US$ 4.432.040.944 e o máximo, incluindo opções, chega a US$ 6.342.404.516.
A compra foi feita pela Missile Defense Agency, agência de defesa contra mísseis dos Estados Unidos. O governo escolheu a Raytheon sem concorrência e ainda precisa definir condições finais do instrumento contratual. A conclusão está estimada para 31 de outubro de 2034.
Na assinatura, foram comprometidos US$ 454.215.132. O documento não informa uma quantidade de interceptadores nem um preço unitário. A liberação de recursos adicionais dependerá das próximas etapas da aquisição.
SM-3 Block IB destrói míssil inimigo pelo impacto direto, sem depender de explosivos
O SM-3 Block IB é um interceptor especializado em destruir mísseis balísticos de curto e médio alcance durante a fase intermediária de sua trajetória. Ele pode partir de lançadores em navios equipados com o sistema Aegis ou de instalações terrestres compatíveis. Nessa etapa, o míssil atacante já passou pela subida inicial e ainda não começou sua descida final. Radares e sistemas de comando Aegis acompanham sua trajetória para orientar o interceptor até o ponto de encontro.
Após receber dados de rastreamento, a arma libera um veículo cinético que corrige o rumo até colidir diretamente com o alvo. Essa tecnologia é conhecida como hit-to-kill. A Agência de Defesa contra Mísseis dos EUA explica que a família SM-3 pode atingir ameaças fora da atmosfera.

O Block IB utiliza sensor infravermelho de duas cores e mecanismos para ajustar o movimento do veículo de impacto. Seu objetivo é combater mísseis balísticos, não pequenos drones, cuja interceptação normalmente exige outros sistemas.
Dois destróieres americanos usaram mísseis SM-3 contra ataque do Irã em abril de 2024
O primeiro emprego da família SM-3 em combate aconteceu em abril de 2024, durante um ataque iraniano contra Israel. Os destróieres USS Carney e USS Arleigh Burke, posicionados no Mediterrâneo Oriental, participaram de interceptações de mísseis balísticos lançados contra o território israelense.
O então secretário da Marinha americana, Carlos Del Toro, confirmou o uso de interceptadores SM-3 em depoimento ao Senado dos EUA. A Defense News também identificou a participação dos dois navios e relacionou a nova encomenda à reposição de estoques consumidos em operações.

Cada lançamento exige a substituição do míssil disparado por uma unidade fabricada, testada e entregue à força naval. O presidente da Raytheon, Phil Jasper, declarou que o contrato dará previsibilidade à fabricação para atender a Marinha, a MDA e seus parceiros.
Produção ocorrerá no Arizona e no Alabama; Raytheon já havia firmado acordos em fevereiro
O programa será executado principalmente em Tucson e Huntsville. A Raytheon integra o grupo RTX e fabrica diferentes armamentos empregados pela Marinha e por outras forças americanas.
Em fevereiro de 2026, o governo e a fabricante já haviam apresentado acordos industriais para acelerar a produção de mísseis, incluindo o SM-3 Block IB. O contrato de outubro estabelece os valores e as condições específicas da nova encomenda.
Há também uma compra separada de até US$ 24,4 bilhões para o SM-6. Embora pertençam à família Standard Missile, SM-3 Block IB e SM-6 têm aplicações diferentes. O SM-3 é especializado em destruir ameaças balísticas na fase intermediária do voo.
Vídeo oficial mostra SM-3 Block IB lançado do cruzador USS Lake Erie no oceano Pacífico
Um vídeo da Missile Defense Agency, gravado em maio de 2012, registra o primeiro teste de interceptação bem-sucedido da versão Block IB. Durante a demonstração, o cruzador USS Lake Erie lançou o míssil e destruiu um alvo por impacto direto sobre o Pacífico.
Outra fotografia oficial da MDA mostra o destróier japonês JS Atago lançando um SM-3 Block IB em setembro de 2018, durante um teste perto do Havaí. Os registros são anteriores ao primeiro uso em combate de 2024 e não mostram mísseis fabricados sob o novo contrato.
Pentágono prepara reposição dos arsenais para manter a defesa de navios e aliados
As próximas etapas incluem definir os últimos termos do acordo, organizar lotes de fabricação e distribuir entregas ao longo do contrato. O número de interceptadores não foi anunciado pelo Departamento de Defesa.
O objetivo americano é recuperar os estoques da defesa antimísseis e manter os navios preparados para novos ataques balísticos. O fornecimento poderá movimentar até US$ 6,34 bilhões se todas as opções forem executadas.
Os Estados Unidos deveriam ampliar a compra de interceptadores SM-3 ou investir em outras formas de defesa? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem com quem acompanha a indústria militar.