Um ex-integrante das Forças Armadas da Rússia, condenado à prisão perpétua em seu país, foi preso no último sábado (10 de outubro), em Salvador, na Bahia, sob suspeita de tentar fornecer armas e munições a facções criminosas brasileiras. Segundo os investigadores, ele pretendia montar uma rede para abastecer organizações criminosas com armamentos e drogas.
Identificado como Sergei Kotelnikov, de 29 anos, o ex-militar era procurado internacionalmente e havia passado por outros estados brasileiros antes de chegar à Bahia. Sua captura mobilizou forças de segurança federais e estaduais em uma operação conjunta.
A Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que dados preliminares apontam uma tentativa de estruturar o fornecimento de armas, munições e entorpecentes a organizações criminosas. As autoridades ainda não identificaram publicamente quais facções poderiam estar envolvidas.
Russo tentava montar rede para abastecer facções brasileiras, apontam investigadores
A captura ocorreu no bairro de Águas Claras, em Salvador, durante a Operação Artemis, conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/BA), com participação do BOPE da Polícia Militar da Bahia e cooperação internacional.
Segundo a Polícia Federal, os investigadores localizaram o russo após receberem informações da Interpol. Ele estava em uma área sob influência de uma organização criminosa, na região entre Cajazeiras e Águas Claras.
A investigação ainda não esclareceu se Kotelnikov chegou a negociar armamentos ou estabelecer uma estrutura de distribuição no país.
O caso chama atenção para o abastecimento internacional do crime organizado brasileiro. Em junho, uma investigação revelou uma rede envolvida no envio de fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas para facções brasileiras, provocando operações policiais em seis estados.
Condenado à prisão perpétua, russo foi flagrado com 600 kg de cocaína
Na Rússia, Kotelnikov foi condenado à prisão perpétua por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à falsificação de documentos. Segundo a SSP da Bahia, o caso envolveu 600 quilos de cocaína.
O ex-militar também era alvo de uma difusão vermelha da Interpol e tinha contra si um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro.
Polícia Federal vai periciar celular antes de possível extradição
Em atualização divulgada nesta terça-feira, 13 de outubro, a CNN Brasil informou que o telefone celular de Kotelnikov será submetido a perícia para apurar seu possível envolvimento com o narcotráfico no Brasil.
O russo permanece sob custódia da Polícia Federal em Salvador, enquanto avançam os procedimentos relacionados à sua possível extradição para a Rússia.
A investigação busca esclarecer se o ex-militar chegou a estabelecer contatos para comercializar armas e drogas no país. Até o momento, nenhuma operação de fornecimento de armamentos a facções brasileiras foi confirmada publicamente.