Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Ex-ministro de Bolsonaro, general Pazuello defende anistia para militares condenados e até para quem mandou prendê-los

A proposta inclui militares condenados pela tentativa de golpe e autoridades responsáveis pelas prisões. O general defende uma anistia ampla, ainda sem projeto apresentado.

Ex-ministro de Bolsonaro, general Pazuello defende anistia para militares condenados e até para quem mandou prendê-los
General da reserva Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde e deputado federal, em fotografia de arquivo. Foto: Reprodução/Senado Federal.

O general da reserva e deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) defendeu uma anistia que alcance não apenas Jair Bolsonaro e os militares condenados pela tentativa de golpe de Estado, mas também as autoridades que determinaram suas prisões. A declaração foi feita em entrevista publicada em 12 de outubro de 2026 e amplia o debate sobre o alcance de um eventual perdão aos condenados.

A declaração ocorre enquanto Bolsonaro e quatro oficiais-generais cumprem penas que variam de 19 a 27 anos e três meses de prisão. Os cinco também respondem a procedimentos na Justiça Militar que podem resultar na perda de seus postos e patentes.

Em entrevista ao jornalista Vinicius Sassine, da Folha de S.Paulo, Pazuello comparou sua proposta à anistia concedida durante a transição do regime militar para a democracia.

Pazuello defende anistia também para quem determinou as prisões

“E a anistia tem de ser para todos os lados, inclusive para quem prendeu”, afirmou o general.

Pazuello argumentou que uma medida semelhante à Lei da Anistia de 1979 poderia contribuir para a reconciliação política do país. Na avaliação dele, o perdão não deveria ficar restrito aos condenados.

A declaração foi feita no contexto das decisões do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, o deputado não mencionou nominalmente o magistrado na afirmação nem explicou quais eventuais infrações atribuídas às autoridades poderiam ser contempladas.

As prisões decorreram de investigações da Polícia Federal, denúncias da Procuradoria-Geral da República e decisões judiciais. Até o momento, Pazuello não apresentou um projeto de lei com os termos da anistia que defende.

Braga Netto e outros militares condenados podem perder suas patentes

Em setembro de 2025, o STF condenou integrantes do núcleo central da tentativa de golpe de Estado. As penas foram divulgadas pela Agência Brasil.

Entre os oficiais condenados estão:

  • General Walter Braga Netto: 26 anos de prisão.
  • Almirante Almir Garnier: 24 anos.
  • General Augusto Heleno: 21 anos.
  • General Paulo Sérgio Nogueira: 19 anos.

Jair Bolsonaro, capitão reformado do Exército, recebeu pena de 27 anos e três meses.

Na entrevista, Pazuello relatou que visitou Braga Netto na 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro. Segundo o general, caso sejam libertados, os militares deveriam priorizar a convivência com suas famílias, sem necessariamente retornar à atividade política.

Paralelamente, o Ministério Público Militar apresentou representações ao Superior Tribunal Militar (STM) para pedir a perda dos postos e patentes dos cinco oficiais.

Esses procedimentos são distintos das condenações criminais. Assim, uma eventual anistia não significaria automaticamente a preservação das patentes, questão que dependeria dos limites da lei e da análise judicial.

Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Congresso já aprovou mudanças nas penas, mas anistia é outra medida

Em 8 de maio de 2026, o Congresso promulgou a Lei nº 15.402/2026, após rejeitar o veto presidencial ao projeto conhecido como PL da Dosimetria.

A legislação alterou regras de cálculo e execução de penas, inclusive para crimes contra o Estado Democrático de Direito. No entanto, não estabeleceu uma anistia geral.

A diferença é relevante: enquanto a revisão da dosimetria modifica a aplicação das penas, uma anistia pode afastar a responsabilização penal por determinados fatos, conforme as condições previstas em lei.

Pazuello reconheceu que ainda não havia apresentado sua proposta a Flávio Bolsonaro. Sem um texto legislativo definido, permanecem incertos o alcance da eventual anistia e seus possíveis efeitos sobre os militares condenados.

guest
0 Comentários