Exercício Biguá reuniu tanques TAM, blindados, helicópteros Huey II, artilharia de 155 mm, mísseis RBS-70, drones e tropas especializadas em uma operação de transposição do maior sistema fluvial argentino diante do público em Rosario.
O Exército Argentino levou parte de suas principais capacidades de combate para as margens do rio Paraná, em Rosario, e colocou tanques, blindados, helicópteros, embarcações, artilharia, defesa antiaérea, drones e tropas especializadas dentro de uma mesma operação.
A demonstração ocorreu no âmbito do Exercício Biguá, realizado nos dias 3 e 4 de outubro, e teve como ponto central uma das tarefas mais complexas para uma força terrestre: atravessar um grande curso d’água sem perder a continuidade da operação militar.
Receba nossas notícias independente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora
Não se tratava simplesmente de colocar veículos sobre uma balsa e levá-los de uma margem à outra. O próprio Exército Argentino explicou que o franqueamento exige sincronizar exploração, combate aproximado, apoio de fogo, mobilidade aérea, comunicações e logística.
Foi justamente essa combinação que transformou o Paraná em uma espécie de vitrine operacional da Força.
Tanques TAM atravessaram o Paraná enquanto helicópteros atuavam sobre o rio
Entre as cenas de maior impacto esteve o emprego de veículos da família TAM — Tanque Argentino Mediano, transportados durante a operação sobre o rio.
Imagens oficiais mostram inclusive um TAM sendo desembarcado durante o exercício e um VCTP embarcando na Barcaza de Transporte Pesado BTP-3 “Gualeguaychú”, ilustrando a dimensão logística necessária para movimentar veículos blindados pesados através de uma barreira natural como o Paraná.
O exercício também envolveu manobras de assalto aéreo com helicópteros Huey II, inserção de tropas e movimentação simultânea de diferentes elementos em terra e na água.
Buzos táticos e cazadores de monte foram empregados em inserções realizadas a partir de helicópteros, enquanto tropas de Infantaria executavam desembarques anfíbios.
É nesse ponto que o Biguá deixa de ser apenas uma exposição de equipamentos. Um tanque isoladamente representa poder de fogo e proteção. Uma embarcação representa mobilidade. Um helicóptero oferece velocidade e acesso a áreas difíceis. O desafio militar verdadeiro aparece quando todos precisam funcionar na mesma sequência, no mesmo espaço e dentro da mesma janela de tempo.
Artillería de 155 mm, RBS-70 e drones protegeram o avanço

A travessia dos blindados foi apenas uma parte da estrutura montada pelo Exército Argentino.
Segundo a apresentação oficial do exercício, foram empregados sistemas de artilharia de 155 mm, responsáveis pelo apoio de fogo às tropas envolvidas na operação.
Também entrou em cena o RBS-70, sistema de defesa antiaérea de curto alcance utilizado pelo Exército Argentino. A presença desse tipo de armamento demonstra uma preocupação que vai além da simples travessia do rio: uma força concentrada em balsas, margens e pontos de desembarque pode se tornar particularmente vulnerável a ameaças aéreas.
Drones completaram o conjunto, ao lado de veículos de exploração, permitindo ampliar a observação da área e apoiar a consciência situacional das tropas.
O Exército Argentino confirmou que a atividade reuniu desembarques anfíbios, inserção aérea, veículos de exploração, artilharia de 155 mm, defesa antiaérea RBS-70, veículos da linha TAM e aeronaves remotamente pilotadas.
A soma desses elementos ajuda a explicar por que operações de franqueamento estão entre as tarefas que mais exigem coordenação de uma força terrestre.
Por que Rosario e o rio Paraná foram escolhidos
A localização também fez parte do treinamento.
Rosario está diretamente ligada ao rio Paraná, uma das vias fluviais mais importantes da América do Sul e eixo estratégico para transporte e atividade econômica argentina.
Segundo o próprio Exército, a área ribeirinha da cidade reúne condições geográficas adequadas para desenvolver uma operação anfíbia sobre um curso d’água de grande magnitude.
Em uma situação operacional real, um rio desse porte funciona como obstáculo natural capaz de interromper deslocamentos, concentrar forças em determinados pontos e obrigar unidades militares a organizar complexas operações de engenharia e transporte.
Por isso, levar um tanque para a margem oposta é apenas o resultado mais visível.
Antes dele vêm reconhecimento, segurança das margens, preparação do ponto de travessia, transporte, comunicações, cobertura aérea e antiaérea, apoio de fogo e logística para que a unidade continue combatendo depois de alcançar o outro lado.
Exército transformou o treinamento em demonstração pública
O Biguá teve ainda uma característica incomum para um exercício desse porte: parte das manobras foi aberta ao público.
Tribunas e telões foram instalados para que moradores acompanhassem as diferentes fases da operação, com locução explicando as sequências executadas pelas tropas.
Neste domingo, 4 de outubro, a programação prossegue com uma exposição estática no Parque del Acuario del Río Paraná, onde veículos, armamentos e equipamentos militares podem ser observados de perto. Também estão previstos espaços destinados à divulgação das carreiras e das formas de ingresso nos institutos de formação militar.
O Exército ressalta que o Biguá é uma atividade de adestramento planejada, realizada em ambiente preparado e sob medidas de segurança voltadas tanto aos militares quanto à população e ao entorno.
O resultado visual é impressionante, mas a principal mensagem militar está menos nos equipamentos individualmente e mais na capacidade de reuni-los: tanques TAM cruzando o Paraná só representam uma força efetivamente operacional quando pontes, balsas, helicópteros, artilharia, defesa antiaérea, drones, comunicações e tropas conseguem avançar juntos.
Fonte: Exército Argentino / Governo da Argentina.