Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) terão uma estrutura de coordenação conjunta em Manaus contra os incêndios florestais. A decisão foi anunciada no domingo, 18 de outubro, após reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Mais que reforçar a presença de aviões militares, o Ministério da Defesa anunciou um Estado-Maior Conjunto para integrar o planejamento das três Forças e acelerar decisões durante a emergência.
Há 16 aeronaves à disposição. Nos cinco dias anteriores ao anúncio, as operações acumularam mais de 300 horas de voo e lançaram aproximadamente 800 mil litros de água.
O que muda com a coordenação das três Forças
Segundo o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o Estado-Maior Conjunto coordenará as operações militares e agilizará o emprego dos recursos disponíveis.
A diferença está na integração: transporte aéreo, deslocamento de equipes e apoio logístico deverão ser planejados de forma articulada, com participação das três Forças.
A estrutura ainda não teve o funcionamento confirmado. O comunicado anuncia sua instalação, mas não informa data de ativação, comandante, efetivo ou unidades participantes.
Também não foi anunciada a transferência do comando de órgãos civis, como Ibama e Defesa Civil, para as Forças Armadas.
Em uma região marcada por grandes distâncias e localidades sem acesso rodoviário, a resposta pode exigir reconhecimento aéreo, transporte fluvial e equipes em terra. É essa combinação de capacidades que a coordenação conjunta deverá facilitar.

De 11 para 16 aeronaves: o reforço anunciado pelo governo
No dia 17, o Ministério do Meio Ambiente anunciou cinco aeronaves adicionais, elevando de 11 para 16 o total disponível. Não são 16 aviões da FAB.
O conjunto inclui KC-390 Millennium, aviões Air Tractor, helicópteros e aeronaves de apoio logístico. Os helicópteros são destinados também ao transporte de pessoal e ao acesso a regiões remotas.
Segundo o governo, um KC-390 pode lançar 12 mil litros de água, enquanto o segundo foi anunciado com capacidade de até 19 mil litros por saída. A Sociedade Militar explicou a adaptação do cargueiro para combater incêndios.
Novas caixas permitirão lançar mil litros de água por unidade
Outra medida apresentada pelo ministro José Múcio é a incorporação de equipamentos para lançar, a partir de aeronaves, caixas com capacidade de 1.000 litros de água cada.
Segundo a Prefeitura de Manaus, quase 70 unidades começaram a chegar à cidade. Não foram identificadas as aeronaves que as utilizarão nem a data de estreia.
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O recurso amplia as alternativas de combate aéreo, mas não deve ser confundido automaticamente com o sistema modular MAFFS já utilizado pelos KC-390.
Fumaça também dificulta os voos contra os incêndios

Os 800 mil litros lançados e as mais de 300 horas de voo são resultados agregados das operações aéreas no período de cinco dias informado pelo governo, e não um balanço exclusivo dos cargueiros militares.
Mesmo com reforços, há uma limitação que não pode ser resolvida apenas enviando mais aeronaves: a visibilidade. Conforme o Ministério da Defesa, a concentração de fumaça pode impedir temporariamente as missões, por razões de segurança dos tripulantes.
No dia 12, um KC-390 da FAB equipado com o sistema MAFFS despejou 36 mil litros em três missões sobre Parintins. A Sociedade Militar acompanhou o envio dos cargueiros a Manaus, anterior ao anúncio do comando conjunto.
Transporte de tropas, monitoramento e áreas de difícil acesso
A Suframa informou que o planejamento inclui aeronaves militares para transporte de tropas, monitoramento técnico e atendimento a focos de difícil acesso terrestre.
O trabalho também conta com brigadistas, embarcações, veículos terrestres e equipes de fiscalização ambiental. A atuação militar servirá de apoio ao esforço de combate, especialmente onde distâncias e dificuldades logísticas tornam a resposta mais lenta.
R$ 14 milhões destinados e reforços ainda em preparação
O governo federal disponibilizou R$ 14 milhões ao Amazonas após reconhecer a emergência. Outros projetos estaduais e municipais, de quase R$ 100 milhões, continuam sob análise: não são recursos já liberados.
O governo também prevê instalar uma base da Força Nacional do SUS em Manaus na terça-feira, 20 de outubro. Enquanto isso, a prioridade militar anunciada é colocar o Estado-Maior Conjunto em funcionamento e coordenar os meios das três Forças conforme a evolução dos incêndios.
A confirmação da instalação e a divulgação do efetivo mostrarão quando essa mudança passará do anúncio à operação.