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Incêndios no Amazonas levam Ministério da Defesa a anunciar comando conjunto de Exército, Marinha e Aeronáutica em Manaus, após mais de 300 horas de voo e cerca de 800 mil litros de água lançados

Ministério da Defesa anuncia comando conjunto do Exército, Marinha e FAB em Manaus para combater incêndios no Amazonas. Operação reúne 16 aeronaves e já lançou 800 mil litros de água.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 19/10/2026 às 15:23
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Incêndios no Amazonas levam Ministério da Defesa a anunciar comando conjunto de Exército, Marinha e Aeronáutica em Manaus, após mais de 300 horas de voo e cerca de 800 mil litros de água lançados

Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) terão uma estrutura de coordenação conjunta em Manaus contra os incêndios florestais. A decisão foi anunciada no domingo, 18 de outubro, após reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Mais que reforçar a presença de aviões militares, o Ministério da Defesa anunciou um Estado-Maior Conjunto para integrar o planejamento das três Forças e acelerar decisões durante a emergência.

Há 16 aeronaves à disposição. Nos cinco dias anteriores ao anúncio, as operações acumularam mais de 300 horas de voo e lançaram aproximadamente 800 mil litros de água.

O que muda com a coordenação das três Forças

Segundo o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o Estado-Maior Conjunto coordenará as operações militares e agilizará o emprego dos recursos disponíveis.

A diferença está na integração: transporte aéreo, deslocamento de equipes e apoio logístico deverão ser planejados de forma articulada, com participação das três Forças.

A estrutura ainda não teve o funcionamento confirmado. O comunicado anuncia sua instalação, mas não informa data de ativação, comandante, efetivo ou unidades participantes.

Também não foi anunciada a transferência do comando de órgãos civis, como Ibama e Defesa Civil, para as Forças Armadas.

Em uma região marcada por grandes distâncias e localidades sem acesso rodoviário, a resposta pode exigir reconhecimento aéreo, transporte fluvial e equipes em terra. É essa combinação de capacidades que a coordenação conjunta deverá facilitar.

Exército, Marinha e Aeronáutica terão comando conjunto em Manaus para enfrentar incêndios no Amazonas, com 16 aeronaves disponíveis e 800 mil litros de água já lançados
Preparação de equipamentos para missões aéreas de combate a incêndios florestais, com aeronave militar ao fundo. Fonte da fotografia original: FAB.

De 11 para 16 aeronaves: o reforço anunciado pelo governo

No dia 17, o Ministério do Meio Ambiente anunciou cinco aeronaves adicionais, elevando de 11 para 16 o total disponível. Não são 16 aviões da FAB.

O conjunto inclui KC-390 Millennium, aviões Air Tractor, helicópteros e aeronaves de apoio logístico. Os helicópteros são destinados também ao transporte de pessoal e ao acesso a regiões remotas.

Segundo o governo, um KC-390 pode lançar 12 mil litros de água, enquanto o segundo foi anunciado com capacidade de até 19 mil litros por saída. A Sociedade Militar explicou a adaptação do cargueiro para combater incêndios.

Novas caixas permitirão lançar mil litros de água por unidade

Outra medida apresentada pelo ministro José Múcio é a incorporação de equipamentos para lançar, a partir de aeronaves, caixas com capacidade de 1.000 litros de água cada.

Segundo a Prefeitura de Manaus, quase 70 unidades começaram a chegar à cidade. Não foram identificadas as aeronaves que as utilizarão nem a data de estreia.

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O recurso amplia as alternativas de combate aéreo, mas não deve ser confundido automaticamente com o sistema modular MAFFS já utilizado pelos KC-390.

Fumaça também dificulta os voos contra os incêndios

Aeronave de combate a incêndios sobrevoa área de floresta encoberta pela fumaça. A baixa visibilidade dificulta as operações aéreas e pode comprometer a segurança dos pilotos. Foto: Divulgação.
Aeronave de combate a incêndios sobrevoa área de floresta encoberta pela fumaça. A baixa visibilidade dificulta as operações aéreas e pode comprometer a segurança dos pilotos. Foto: Divulgação.

Os 800 mil litros lançados e as mais de 300 horas de voo são resultados agregados das operações aéreas no período de cinco dias informado pelo governo, e não um balanço exclusivo dos cargueiros militares.

Mesmo com reforços, há uma limitação que não pode ser resolvida apenas enviando mais aeronaves: a visibilidade. Conforme o Ministério da Defesa, a concentração de fumaça pode impedir temporariamente as missões, por razões de segurança dos tripulantes.

No dia 12, um KC-390 da FAB equipado com o sistema MAFFS despejou 36 mil litros em três missões sobre Parintins. A Sociedade Militar acompanhou o envio dos cargueiros a Manaus, anterior ao anúncio do comando conjunto.

Transporte de tropas, monitoramento e áreas de difícil acesso

A Suframa informou que o planejamento inclui aeronaves militares para transporte de tropas, monitoramento técnico e atendimento a focos de difícil acesso terrestre.

O trabalho também conta com brigadistas, embarcações, veículos terrestres e equipes de fiscalização ambiental. A atuação militar servirá de apoio ao esforço de combate, especialmente onde distâncias e dificuldades logísticas tornam a resposta mais lenta.

R$ 14 milhões destinados e reforços ainda em preparação

O governo federal disponibilizou R$ 14 milhões ao Amazonas após reconhecer a emergência. Outros projetos estaduais e municipais, de quase R$ 100 milhões, continuam sob análise: não são recursos já liberados.

O governo também prevê instalar uma base da Força Nacional do SUS em Manaus na terça-feira, 20 de outubro. Enquanto isso, a prioridade militar anunciada é colocar o Estado-Maior Conjunto em funcionamento e coordenar os meios das três Forças conforme a evolução dos incêndios.

A confirmação da instalação e a divulgação do efetivo mostrarão quando essa mudança passará do anúncio à operação.

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