A Saab, fabricante do caça Gripen utilizado pela FAB, apresentou em 15 de outubro de 2026 o primeiro GlobalEye encomendado para a Força Aérea Sueca. O avião de alerta antecipado, identificado como S 106 na Suécia, reúne sensores capazes de acompanhar alvos no ar, em terra e no mar. A apresentação em Linköping é um avanço concreto do programa, mas a aeronave ainda precisa voar em testes e ser entregue.
A Saab apresentou o primeiro GlobalEye S 106 da Força Aérea Sueca, reúne dados de ameaças no ar, em terra e no mar. A Suécia comprou três aeronaves, mas o modelo apresentado ainda passará por testes antes da entrega prevista para 2027.
O exemplar apresentado é o primeiro dos três GlobalEye comprados pela Suécia. Os dois iniciais foram contratados em 2022; uma terceira aeronave foi encomendada em 2024. A Saab informou que o avião seguirá para testes e verificação antes do voo inaugural e da transferência à Força Aérea Sueca.
Em comunicado divulgado no dia 16, as Forças Armadas suecas identificaram o modelo como S 106 e indicaram 2027 como previsão de entrega. É uma projeção oficial, não a confirmação de que o avião já tenha entrado em serviço ou de que esteja realizando patrulhas pela OTAN.
A grande estrutura sobre a fuselagem transforma um jato executivo em sentinela militar
O GlobalEye parte de uma aeronave executiva da família Bombardier Global 6000 e integra radares, sensores eletrônicos e sistemas de missão. O aspecto mais reconhecível é a estrutura alongada montada acima da fuselagem, associada ao radar Erieye, que amplia a visão de áreas distantes. A aeronave também recorre a outros sensores para compor o quadro de vigilância.
Em vez de procurar apenas aeronaves adversárias, o conjunto foi concebido para reunir informações de ameaças aéreas, embarcações e movimentos em terra, transmitindo dados a centros de comando e a unidades militares. O objetivo é oferecer tempo para que comandantes identifiquem situações e coordenem respostas, não transformar o GlobalEye em um caça de combate.

O diferencial militar está no panorama de sensores e na capacidade de compartilhar informação. Um radar embarcado em altitude pode acompanhar grandes regiões que, a partir do solo, ficariam limitadas por obstáculos e pela curvatura da Terra. O alcance efetivo varia com altitude, tamanho do alvo, condições de operação e configuração do equipamento; um número único não descreve todas as missões.
Suécia prevê três aviões e mira o sistema de defesa coletiva da OTAN
O comando da Força Aérea Sueca afirmou que o S 106 deverá fortalecer a capacidade de detecção, compreensão e reação do país, além de contribuir para a defesa aérea conjunta da OTAN. A Suécia informou ainda que planeja ser o primeiro país da aliança a operar o GlobalEye e citou aproximação com os Países Baixos para estudar cooperação no uso dessa capacidade.
O programa industrial avança em um contexto de demanda crescente por aeronaves de alerta antecipado. No anúncio, a fabricante evitou informar que o S 106 já tenha concluído provas de voo; o marco de outubro diz respeito à apresentação do primeiro exemplar sueco.
Qual é a conexão com os caças Gripen da Força Aérea Brasileira?
A conexão direta é a empresa. O GlobalEye e o Gripen são produzidos pela Saab, mas atendem a missões diferentes: o F-39 Gripen brasileiro é um caça supersônico de combate; o GlobalEye é um avião de vigilância e comando. O anúncio sueco não constitui compra do GlobalEye pelo Brasil e não altera, por si só, o contrato dos caças da FAB.
A parceria industrial da Saab com a Embraer ganhou um novo marco no começo do mês: em 6 de outubro de 2026, o primeiro Gripen E produzido em solo brasileiro realizou o voo inaugural em Gavião Peixoto (SP), informou a fabricante. Esse avanço explica o interesse do público brasileiro pelos outros programas militares da companhia, sem indicar transferência automática da tecnologia do GlobalEye para a FAB.
A diferença entre os dois tipos de aeronave é operacional: caças podem interceptar ameaças, mas uma plataforma de alerta antecipado ajuda a descobri-las, acompanhá-las e orientar a resposta de outras unidades.
O que falta para o GlobalEye sueco começar a vigiar de verdade
O roteiro informado inclui testes de sistemas, primeiro voo e preparação para a entrega. Depois disso, ainda são necessárias integração com operadores e procedimentos de emprego. Essas etapas separam a apresentação de uma aeronave pronta fisicamente da conquista de uma capacidade operacional consolidada.
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No balanço atual, o fato novo é a apresentação do primeiro S 106, com três exemplares adquiridos e entrega inicial prevista para 2027. O anúncio mostra uma tendência relevante da defesa aérea: sensores e compartilhamento de informações ganham protagonismo ao lado dos aviões de combate.