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Falso curso do Exército tinha aulas, provas e até formatura para criar sargentos da reserva e comprar armas restritas no Rio; três pessoas foram presas

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 21/10/2026 às 14:40
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Falso curso do Exército tinha aulas, provas e até formatura para criar sargentos da reserva e comprar armas restritas no Rio; três pessoas foram presas
Polícia Civil desarticulou no Rio de Janeiro um esquema que simulava a formação de sargentos da reserva do Exército para falsificar documentos e facilitar a compra de armas.

Investigação da Polícia Civil revelou uma estrutura de formação militar fictícia, com documentos assinados falsamente em nome de oficiais do Exército Brasileiro. O esquema permitia solicitar a compra de armamentos em lojas autorizadas e foi descoberto depois que um comprador apresentou documentação fraudulenta.

Um falso curso de formação de sargentos da reserva do Exército Brasileiro funcionava no Rio de Janeiro com aulas presenciais, aplicação de provas e até cerimônias de formatura. Mas, por trás da aparência de uma instituição militar, havia um esquema de falsificação de documentos utilizado para facilitar a compra de armas de fogo de uso restrito. A fraude foi descoberta pela Polícia Civil, que prendeu três suspeitos e apreendeu seis armas, entre elas um fuzil.

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), com apoio de militares da 1ª Região Militar, revelou que o grupo produzia carteiras de identidade militar, autorizações de compra e certificados de registro falsificados. O Exército confirmou que as assinaturas atribuídas a seus oficiais eram falsas e que as autorizações apresentadas não existiam.

O episódio chama atenção pela forma escolhida pelos investigados. Em vez de apenas falsificar uma credencial militar, o esquema reproduzia etapas de uma formação profissional para dar credibilidade aos documentos utilizados nas transações.

Alunos frequentavam aulas, faziam provas e recebiam documentos de sargentos da reserva

Segundo a investigação, os responsáveis pelo esquema montaram uma estrutura que simulava cursos preparatórios militares. Os participantes compareciam presencialmente às aulas, realizavam avaliações e passavam por uma formação que poderia durar meses.

Ao final, recebiam documentos que os apresentavam como integrantes da reserva do Exército Brasileiro.

O problema é que aqueles registros não correspondiam a uma formação militar reconhecida pela instituição. As identidades e autorizações continham assinaturas falsificadas de oficiais, utilizadas para conferir aparência de autenticidade aos papéis.

A Polícia Civil identificou que os documentos serviam para iniciar processos de aquisição de armas em estabelecimentos comerciais legalmente autorizados. Também eram utilizados Certificados de Registro de Arma de Fogo (CRAF) falsificados para permitir a retirada dos armamentos.

Essa é uma distinção importante: as lojas podiam operar legalmente, mas a documentação apresentada pelos compradores era fraudulenta. A investigação aponta para a utilização indevida da identidade institucional do Exército, e não para a existência de um curso oficial da Força envolvido nas irregularidades.

Compra de pistola calibre .40 revelou o esquema e levou policiais ao falso curso

A descoberta começou aproximadamente dois meses antes da operação, depois que um homem foi preso em flagrante por adquirir uma pistola calibre .40 mediante apresentação de documentos falsificados.

A partir dessa ocorrência, investigadores passaram a examinar outras aquisições de armamentos. Encontraram registros com características semelhantes, indicando que as falsificações poderiam ter uma origem comum.

O cruzamento das informações levou os agentes até o falso curso de formação de sargentos.

Durante a apuração, o Exército Brasileiro foi consultado sobre os documentos apresentados e confirmou a inexistência das autorizações de compra atribuídas à instituição.

A participação dos militares da 1ª Região Militar deu suporte à investigação conduzida pela Polícia Civil, especialmente na verificação da autenticidade documental.

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Cinco pistolas, um fuzil e aproximadamente R$ 50 mil em compras investigadas

O balanço divulgado da operação inclui:

  • Três pessoas presas, considerando a prisão em flagrante que originou a investigação e duas prisões temporárias.
  • Cinco pistolas e um fuzil apreendidos.
  • Quatro pistolas Glock, sendo três de calibre .40 e uma de 9 mm.
  • Uma pistola Taurus calibre .40.
  • Um fuzil Fire Eagle de calibre 5,56 mm.
  • Aproximadamente R$ 50 mil em aquisições de armas identificadas durante a apuração.

Parte do armamento ainda estava nas lojas, aguardando retirada, quando a fraude foi descoberta. A intervenção policial impediu que essas armas fossem entregues aos respectivos compradores.

A Justiça também determinou o perdimento das armas apreendidas, permitindo sua destinação à Polícia Civil.

Polícia investiga se os alunos sabiam que estavam participando de uma fraude

Uma das principais questões ainda não esclarecidas é o grau de conhecimento dos participantes.

A Polícia Civil procura determinar se os alunos tinham consciência de que frequentavam um curso sem reconhecimento militar ou se foram enganados por pessoas que apresentavam a formação como legítima.

Os investigadores também trabalham para identificar quem organizava as aulas, quem produzia os documentos falsificados e quantas pessoas receberam credenciais militares irregulares.

O caso expõe uma vulnerabilidade que vai além da falsificação de uma assinatura. A documentação militar foi utilizada como instrumento para tentar superar controles de aquisição de armas, mediante uma formação profissional inexistente.

A investigação continua, e a extensão completa do esquema ainda depende da identificação dos demais participantes e da análise das operações realizadas com os documentos falsos.

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