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Criada após a Guerra do Paraguai, flotilha militar brasileira completa 150 anos: seus navios continuam operando nos rios do Pantanal, onde a Marinha mantém presença na fronteira com dois países

Criada em 1876 após a Guerra do Paraguai, a Flotilha de Mato Grosso completou 150 anos em Ladário (MS). Conheça os navios, as patrulhas no Rio Paraguai e a atuação da Marinha na Fronteira Oeste e no apoio a ribeirinhos.

Marcos
Por Marcos 24/10/2026 às 21:32
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Criada após a Guerra do Paraguai, flotilha militar brasileira completa 150 anos: seus navios continuam operando nos rios do Pantanal, onde a Marinha mantém presença na fronteira com dois países
Embarcações da Marinha do Brasil navegam em formação no Rio Paraguai, uma das vias de patrulhamento da Flotilha de Mato Grosso. Foto de arquivo de 2023: Reprodução/Diário Corumbaense.

A Flotilha de Mato Grosso, força da Marinha do Brasil que atua nos rios da fronteira com Paraguai e Bolívia, completou 150 anos em 20 de outubro de 2026. A data foi celebrada no Complexo Naval de Ladário, em Mato Grosso do Sul, às margens do Rio Paraguai, com a presença do comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen.

A unidade nasceu em 20 de outubro de 1876, seis anos depois do fim da Guerra do Paraguai. Em 2026, suas atribuições incluem patrulhas fluviais, cooperação com órgãos públicos e apoio a moradores ribeirinhos, numa região onde barcos percorrem trajetos que nem sempre dispõem de acesso rodoviário.

Comandante da Marinha esteve em Ladário para marcar os 150 anos

Na solenidade de terça-feira (20), o comandante da Marinha presidiu o descerramento de uma placa comemorativa e acompanhou um desfile militar. A programação teve placa alusiva ao sesquicentenário e desfile em continência ao comandante da Marinha, conforme relato publicado pelo Grupo Pantanal de Comunicação, com dados da assessoria da Marinha.

O comandante da Flotilha, capitão de mar e guerra Wagner Gonçalves Pereira, destacou a atuação da unidade em patrulhas navais, assistência hospitalar e operações com instituições federais e estaduais. Entre as atividades citadas por ele estão as ações de apoio ao combate a incêndios florestais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Oficiais da Marinha do Brasil em uniformes brancos caminham durante solenidade militar ao ar livre, em Ladário (MS).
Oficiais da Marinha participam da cerimônia de 150 anos da Flotilha de Mato Grosso, realizada em Ladário (MS), em 20 de outubro de 2026. Foto: Divulgação/Marinha do Brasil, via Folha MS.

Invasão paraguaia e combates em Corumbá antecederam a criação da Flotilha

O Acervo Arquivístico da Marinha registra que uma esquadra paraguaia avançou pelo Rio Paraguai em dezembro de 1864, durante a Guerra do Paraguai, ocupando posições na então província de Mato Grosso e desembarcando em Corumbá.

O relato histórico menciona a reação comandada pelo chefe de esquadra Augusto Leverger e a libertação de Corumbá em 1867. A criação da Flotilha, em 1876, ocorreu no esforço de consolidar a defesa fluvial da região. O núcleo naval de Ladário começara a ser estruturado três anos antes, em 1873.

Na formação inicial, a unidade reunia embarcações como o encouraçado Tamandaré, a canhoneira Forte de Coimbra e navios de rodas. O grupo original reunia canhoneiras, monitores, vapores e lanchas: a variedade já indicava a necessidade de patrulhar, transportar e apoiar tropas em rios com diferentes condições de navegação.

Navios de guerra continuam patrulhando o Rio Paraguai longe do oceano

A Flotilha executa operações ribeirinhas e patrulhas fluviais, além de cooperar em inspeções navais, buscas, salvamentos e apoio às populações dos rios. O Comando do 6º Distrito Naval coordena a área mais ampla; a Flotilha reúne os meios operativos, enquanto a Base Fluvial de Ladário fornece parte da estrutura de apoio.

Um exemplo documentado pela própria Marinha ocorreu entre 12 e 24 de janeiro de 2025. O Monitor Parnaíba e o Navio-Patrulha Penedo, acompanhados por uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Oeste, operaram na faixa fluvial entre Cáceres (MT) e Ladário (MS).

A missão, descrita em comunicado oficial do 6º Distrito Naval, combinou patrulhamento, inspeção naval e preparação das tripulações. Na ocasião, as tripulações praticaram manobras de reboque, transferência de óleo, navegação fluvial e procedimentos de segurança a bordo, de acordo com a programação oficial.

Monitor Parnaíba atravessou a Segunda Guerra e voltou ao Pantanal

Entre os nomes ligados à história da Flotilha, o Monitor Parnaíba ocupa um lugar singular. Construído no Brasil, foi incorporado à Marinha em 1937 e passou a integrar a Flotilha de Mato Grosso em março de 1938, segundo a Agência Marinha de Notícias.

O navio deixou temporariamente a região em 1943 para integrar a força naval sediada em Salvador, participando de missões de escolta e patrulha durante a Segunda Guerra Mundial. Retornou a Ladário em maio de 1945. Décadas depois, recebeu modernizações que incluíram instalações para operações com helicópteros.

A presença do Parnaíba em patrulhas documentadas em 2025 mostra como uma embarcação histórica ainda aparece na rotina operacional do Pantanal. Em novembro de 2026, o Parnaíba completará 89 anos desde sua incorporação à Marinha. A trajetória inclui missões no Pantanal, serviço durante a Segunda Guerra Mundial e modernização feita décadas depois de sua construção.

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Popa do Monitor Parnaíba da Marinha do Brasil atracado em Ladário, com nome do navio e convés de pouso para helicópteros visíveis.
Monitor Parnaíba atracado em Ladário (MS), com o convés de pouso para helicópteros sobre a popa. Foto de arquivo de 2023: Reprodução/Diário Corumbaense.

Patrulhas e aeronaves precisam trabalhar juntas nos rios do Pantanal

Na missão de janeiro de 2025, aspirantes da Escola Naval participaram de uma programação que incluiu sobrevoos, procedimentos de pouso a bordo, transferência de carga, controle de avarias, reboque e navegação fluvial. Parte do trabalho envolveu a coordenação entre os navios e uma aeronave militar.

A operação colocou os aspirantes em contato com correntes, canais de navegação e manobras junto às margens. As equipes também praticaram procedimentos de inspeção e de coordenação entre embarcações e aeronave, previstos nas missões fluviais.

Navios também levam assistência a moradores de áreas de difícil acesso

Além das missões militares, a unidade participa de ações cívico-sociais e apoio médico-hospitalar. O Navio de Assistência Hospitalar Tenente Maximiano integra a história de atendimento naval a comunidades que vivem às margens dos rios, onde chegar por estrada pode ser difícil ou demorado.

Na comemoração de 2026, Wagner Gonçalves Pereira relacionou o trabalho dos navios às operações com órgãos federais e dos dois estados da região. Na Fronteira Oeste, as patrulhas também se articulam com ações de saúde e com instituições que atuam no combate aos incêndios, conforme as atribuições lembradas na solenidade.

O aniversário de 150 anos marca a continuidade dessa missão na Fronteira Oeste, com a Flotilha sediada no mesmo complexo naval que cresceu a partir da reorganização militar posterior à Guerra do Paraguai. A cerimônia de Ladário destacou a trajetória de uma organização cuja atuação permanece ligada à defesa dos rios e às populações do Pantanal.

Você conhecia a história da Flotilha de Mato Grosso e do Monitor Parnaíba? Conte nos comentários e compartilhe a reportagem com quem acompanha a Marinha do Brasil.

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