A Flotilha de Mato Grosso, força da Marinha do Brasil que atua nos rios da fronteira com Paraguai e Bolívia, completou 150 anos em 20 de outubro de 2026. A data foi celebrada no Complexo Naval de Ladário, em Mato Grosso do Sul, às margens do Rio Paraguai, com a presença do comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen.
A unidade nasceu em 20 de outubro de 1876, seis anos depois do fim da Guerra do Paraguai. Em 2026, suas atribuições incluem patrulhas fluviais, cooperação com órgãos públicos e apoio a moradores ribeirinhos, numa região onde barcos percorrem trajetos que nem sempre dispõem de acesso rodoviário.
Comandante da Marinha esteve em Ladário para marcar os 150 anos
Na solenidade de terça-feira (20), o comandante da Marinha presidiu o descerramento de uma placa comemorativa e acompanhou um desfile militar. A programação teve placa alusiva ao sesquicentenário e desfile em continência ao comandante da Marinha, conforme relato publicado pelo Grupo Pantanal de Comunicação, com dados da assessoria da Marinha.
O comandante da Flotilha, capitão de mar e guerra Wagner Gonçalves Pereira, destacou a atuação da unidade em patrulhas navais, assistência hospitalar e operações com instituições federais e estaduais. Entre as atividades citadas por ele estão as ações de apoio ao combate a incêndios florestais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Invasão paraguaia e combates em Corumbá antecederam a criação da Flotilha
O Acervo Arquivístico da Marinha registra que uma esquadra paraguaia avançou pelo Rio Paraguai em dezembro de 1864, durante a Guerra do Paraguai, ocupando posições na então província de Mato Grosso e desembarcando em Corumbá.
O relato histórico menciona a reação comandada pelo chefe de esquadra Augusto Leverger e a libertação de Corumbá em 1867. A criação da Flotilha, em 1876, ocorreu no esforço de consolidar a defesa fluvial da região. O núcleo naval de Ladário começara a ser estruturado três anos antes, em 1873.
Na formação inicial, a unidade reunia embarcações como o encouraçado Tamandaré, a canhoneira Forte de Coimbra e navios de rodas. O grupo original reunia canhoneiras, monitores, vapores e lanchas: a variedade já indicava a necessidade de patrulhar, transportar e apoiar tropas em rios com diferentes condições de navegação.
Navios de guerra continuam patrulhando o Rio Paraguai longe do oceano
A Flotilha executa operações ribeirinhas e patrulhas fluviais, além de cooperar em inspeções navais, buscas, salvamentos e apoio às populações dos rios. O Comando do 6º Distrito Naval coordena a área mais ampla; a Flotilha reúne os meios operativos, enquanto a Base Fluvial de Ladário fornece parte da estrutura de apoio.
Um exemplo documentado pela própria Marinha ocorreu entre 12 e 24 de janeiro de 2025. O Monitor Parnaíba e o Navio-Patrulha Penedo, acompanhados por uma aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Oeste, operaram na faixa fluvial entre Cáceres (MT) e Ladário (MS).
A missão, descrita em comunicado oficial do 6º Distrito Naval, combinou patrulhamento, inspeção naval e preparação das tripulações. Na ocasião, as tripulações praticaram manobras de reboque, transferência de óleo, navegação fluvial e procedimentos de segurança a bordo, de acordo com a programação oficial.
Monitor Parnaíba atravessou a Segunda Guerra e voltou ao Pantanal
Entre os nomes ligados à história da Flotilha, o Monitor Parnaíba ocupa um lugar singular. Construído no Brasil, foi incorporado à Marinha em 1937 e passou a integrar a Flotilha de Mato Grosso em março de 1938, segundo a Agência Marinha de Notícias.
O navio deixou temporariamente a região em 1943 para integrar a força naval sediada em Salvador, participando de missões de escolta e patrulha durante a Segunda Guerra Mundial. Retornou a Ladário em maio de 1945. Décadas depois, recebeu modernizações que incluíram instalações para operações com helicópteros.
A presença do Parnaíba em patrulhas documentadas em 2025 mostra como uma embarcação histórica ainda aparece na rotina operacional do Pantanal. Em novembro de 2026, o Parnaíba completará 89 anos desde sua incorporação à Marinha. A trajetória inclui missões no Pantanal, serviço durante a Segunda Guerra Mundial e modernização feita décadas depois de sua construção.
Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Patrulhas e aeronaves precisam trabalhar juntas nos rios do Pantanal
Na missão de janeiro de 2025, aspirantes da Escola Naval participaram de uma programação que incluiu sobrevoos, procedimentos de pouso a bordo, transferência de carga, controle de avarias, reboque e navegação fluvial. Parte do trabalho envolveu a coordenação entre os navios e uma aeronave militar.
A operação colocou os aspirantes em contato com correntes, canais de navegação e manobras junto às margens. As equipes também praticaram procedimentos de inspeção e de coordenação entre embarcações e aeronave, previstos nas missões fluviais.
Navios também levam assistência a moradores de áreas de difícil acesso
Além das missões militares, a unidade participa de ações cívico-sociais e apoio médico-hospitalar. O Navio de Assistência Hospitalar Tenente Maximiano integra a história de atendimento naval a comunidades que vivem às margens dos rios, onde chegar por estrada pode ser difícil ou demorado.
Na comemoração de 2026, Wagner Gonçalves Pereira relacionou o trabalho dos navios às operações com órgãos federais e dos dois estados da região. Na Fronteira Oeste, as patrulhas também se articulam com ações de saúde e com instituições que atuam no combate aos incêndios, conforme as atribuições lembradas na solenidade.
O aniversário de 150 anos marca a continuidade dessa missão na Fronteira Oeste, com a Flotilha sediada no mesmo complexo naval que cresceu a partir da reorganização militar posterior à Guerra do Paraguai. A cerimônia de Ladário destacou a trajetória de uma organização cuja atuação permanece ligada à defesa dos rios e às populações do Pantanal.
Você conhecia a história da Flotilha de Mato Grosso e do Monitor Parnaíba? Conte nos comentários e compartilhe a reportagem com quem acompanha a Marinha do Brasil.