Militares franceses destruíram três balsas usadas no garimpo ilegal durante uma operação no rio Oiapoque, na fronteira com o Amapá. A ação foi conduzida pela Gendarmerie, força francesa de natureza militar com atribuições policiais, após uma missão de reconhecimento de 48 horas nas proximidades de Saut-Maripa, na Guiana Francesa.
A ofensiva atingiu também o abastecimento dos garimpeiros: 500 litros de combustível foram neutralizados, enquanto as equipes recolheram 500 quilos de equipamentos e 100 quilos de alimentos. O resultado foi divulgado pelo jornal francês France-Guyane em 18 de outubro de 2026.
O cenário da operação fica em Saint-Georges-de-l’Oyapock, município francês situado diante da região de Oiapoque, no extremo norte brasileiro. O mesmo rio que delimita a fronteira serve como caminho para embarcações, suprimentos e estruturas flutuantes empregadas na exploração clandestina de ouro.
Reconhecimento de 48 horas terminou com três balsas destruídas no Oiapoque

O batalhão de Gendarmerie de Camopi percorreu o rio durante dois dias antes de atingir as três plataformas de garimpo no setor de Saut-Maripa. As balsas funcionavam como parte da estrutura de extração ilegal de ouro do lado francês da fronteira.
A localização aproxima o combate ao garimpo de uma área habitada. Saut-Maripa fica nas proximidades de Saint-Georges-de-l’Oyapock, onde a movimentação pelo rio conecta comunidades e pontos de abastecimento da região fronteiriça.
O trabalho ficou a cargo dos gendarmes de Camopi, integrantes da força francesa de natureza militar e atuação policial. As medidas anunciadas dizem respeito às estruturas clandestinas encontradas em território da Guiana Francesa.
Além das balsas, franceses atingiram bombas, compressores e 350 metros de tubulações
A lista de materiais retirados de circulação mostra o tamanho da estrutura encontrada pelos militares. Foram destruídas ou apreendidas duas motobombas de quatro cilindros, três mesas de separação de minério, dois compressores e um gerador elétrico.
As equipes também localizaram 350 metros de mangueiras e 50 metros quadrados de tapetes de separação. Esses componentes fazem parte do processo de movimentação de água e sedimentos empregado em áreas de garimpo, permitindo que embarcações funcionem como unidades de produção.
O combustível e os alimentos encontrados completavam essa infraestrutura. Os 500 litros de combustível estavam ligados ao funcionamento de motores e geradores, enquanto os 100 quilos de mantimentos recuperados mostram a importância do abastecimento para manter esses pontos de exploração.
Cerca de 15 balsas já haviam sido destruídas na Guiana Francesa em 2026
A operação de Saut-Maripa entrou em um balanço mais amplo. Segundo o France-Guyane, cerca de 15 balsas ligadas ao garimpo clandestino haviam sido destruídas desde o início de 2026 no território francês. As três embarcações desta missão fazem parte desse conjunto.
A recorrência das intervenções acompanha um problema que não se restringe a um ponto do rio. Áreas de floresta, canais de navegação e pequenos núcleos de abastecimento integram a rede que mantém os garimpos em funcionamento.
Destruir uma balsa retira uma unidade de extração do rio. Apreender bombas, geradores, alimentos e combustível também encarece a tentativa de recolocar outra estrutura no mesmo lugar, obrigando os responsáveis a reconstruir seu abastecimento.
Com 8 mil garimpeiros estimados, militares franceses miram a logística da mineração clandestina
A dimensão do problema foi descrita em 22 de outubro pelo coronel François Couture, comandante do 9º Regimento de Infantaria de Marinha do Exército francês. Em entrevista ao France-Guyane, ele explicou que a estratégia da operação Harpie procura retirar dos garimpos a capacidade de receber equipamentos e suprimentos.
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As estimativas citadas na entrevista apontam aproximadamente 8 mil garimpeiros ilegais distribuídos por quase 600 áreas de extração na Guiana Francesa. A produção clandestina anual foi estimada entre seis e dez toneladas de ouro, enquanto as apreensões de ouro em 2025 chegaram a cerca de 8,5 quilos.
O coronel resumiu a prioridade da campanha com uma frase: a perseguição é ao sistema que sustenta o garimpo, e não apenas ao metal extraído. A missão Harpie existe desde 2008 e reúne militares e agentes da segurança francesa. Na região do Oiapoque, o trabalho das Forças Armadas francesas envolve o 3º Regimento Estrangeiro de Infantaria; a ação das três balsas foi realizada pela Gendarmerie de Camopi.
Brasil e França mantêm acordo específico para enfrentar garimpo na fronteira amazônica
O rio Oiapoque separa territórios sob administração brasileira e francesa, mas os caminhos de abastecimento não terminam na linha internacional. Por isso, os dois governos instituíram mecanismos de colaboração voltados ao combate ao ouro extraído ilegalmente.
Em janeiro de 2025, Brasil e França assinaram um acordo de cooperação policial, institucional e operacional. O instrumento prevê intercâmbio de informações, ações coordenadas contra organizações criminosas transfronteiriças e uso do programa Brasil MAIS, que auxilia no monitoramento territorial por imagens de satélite.
O acordo também considera os prejuízos ambientais, econômicos, sociais e sanitários produzidos pela mineração ilegal em áreas da Amazônia. A cooperação permite que autoridades dos dois lados compartilhem dados sobre rotas, estruturas de apoio e atividades suspeitas.
Reunião de 15 de outubro aproximou Gendarmerie, PRF e representantes militares brasileiros

Três dias antes da publicação do relato sobre as balsas, representantes de segurança do Brasil e da França haviam se reunido para discutir a fronteira. Segundo comunicado da Polícia Rodoviária Federal publicado em 20 de outubro, o encontro ocorreu em 15 de outubro e foi conduzido pelo general Loïc Barras, comandante da Gendarmerie na Guiana Francesa.
Participaram oficiais de ligação das Forças Armadas brasileiras, representantes da PRF e um delegado da Polícia Federal lotado no consulado brasileiro em Caiena. A pauta incluiu troca de informações, integração entre instituições e formas de melhorar a resposta à criminalidade transfronteiriça.
A PRF mantém um oficial de ligação em Saint-Georges-de-l’Oyapock, dentro do Centro de Cooperação Policial Brasil-França. A presença permanente permite contato entre órgãos dos dois países e intercâmbio de informações sobre a circulação na região, cortada por rios e trechos extensos de floresta.
Nova destruição de embarcações expõe a disputa pelo controle dos rios amazônicos
O resultado da missão de 48 horas foi a retirada de três balsas e de parte de seu sistema de funcionamento. Já o balanço aproximado de 15 embarcações destruídas no ano mostra a continuidade das operações francesas contra a mineração clandestina.
Com uma fronteira fluvial extensa e rotas que atravessam áreas de floresta, autoridades francesas seguem atacando equipamentos e abastecimento, enquanto os órgãos brasileiros mantêm canais de cooperação. A próxima dificuldade é impedir que novas balsas ocupem os trechos onde as anteriores foram inutilizadas.