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Marinha dos EUA prepara míssil Tomahawk para atacar bunkers subterrâneos a até 1.600 km, com nova ogiva penetrante que poderá ser lançada de navios e submarinos

Marinha dos EUA prepara nova ogiva para o míssil Tomahawk atingir bunkers e estruturas fortificadas a até 1.600 km. Projeto prevê 35 kits por US$ 14,66 milhões em 2027, mas armamento ainda precisa passar por testes.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 09/10/2026 às 08:15
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Marinha dos EUA prepara míssil Tomahawk para atacar bunkers subterrâneos a até 1.600 km, com nova ogiva penetrante que poderá ser lançada de navios e submarinos
Marinha dos EUA prepara nova ogiva para o míssil Tomahawk atingir bunkers e estruturas fortificadas a até 1.600 km. Projeto prevê 35 kits por US$ 14,66 milhões em 2027, mas armamento ainda precisa passar por testes.

A Marinha dos Estados Unidos deu um novo passo para transformar o míssil de cruzeiro Tomahawk em uma arma capaz de atingir estruturas fortificadas e instalações subterrâneas. Um documento publicado em 7 de outubro de 2026 abriu caminho para a produção inicial de uma ogiva penetrante que poderá ser transportada por mísseis lançados de navios de guerra e submarinos.

A tecnologia, denominada Joint Multiple Effects Warhead System (JMEWS), será incorporada à versão Tomahawk Block Vb. Seu objetivo é permitir que o armamento atravesse barreiras reforçadas antes de produzir uma explosão no interior do alvo, ampliando sua capacidade contra bunkers e centros de comando protegidos.

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O avanço ocorre enquanto documentos orçamentários norte-americanos preveem US$ 14,66 milhões para a aquisição de 35 kits JMEWS em 2027. Apesar disso, a nova capacidade ainda enfrenta etapas de avaliação e não foi confirmada como operacional.

Marinha americana inicia contratação de nova ogiva para o Tomahawk Block Vb

O aviso oficial publicado pelo Naval Air Systems Command (NAVAIR) informa que o governo pretende negociar diretamente com a Raytheon, fabricante do Tomahawk, um contrato para iniciar a produção em baixa cadência das novas ogivas.

A publicação representa a passagem planejada da etapa de desenvolvimento de engenharia e fabricação para a produção inicial. Essa fase permite começar a fabricação de unidades em quantidades limitadas, antes de uma eventual ampliação industrial.

Entretanto, o contrato específico da JMEWS ainda não foi adjudicado. O documento não apresenta o valor da futura encomenda nem confirma quantas ogivas serão produzidas nesse primeiro lote.

O prazo para que empresas interessadas apresentem declarações demonstrando capacidade de atender ao projeto termina em 22 de outubro de 2026.

Nova ogiva poderá atravessar concreto e atingir instalações militares protegidas

Explosão em estrutura fortificada de concreto ilustra o poder destrutivo de armamentos penetrantes, como a nova ogiva desenvolvida para o míssil Tomahawk Block Vb, projetada para atingir bunkers e instalações militares protegidas. Imagem: Divulgação.

A principal diferença da JMEWS está na combinação de efeitos explosivos e capacidade de penetração. Enquanto ogivas convencionais são projetadas principalmente para destruir alvos por explosão e fragmentação, o novo sistema também busca superar determinadas barreiras físicas.

Seu funcionamento utiliza uma arquitetura de múltiplos estágios. O primeiro efeito explosivo abre uma passagem na proteção do alvo, permitindo que um elemento penetrador avance para produzir danos em áreas mais protegidas.

Essa característica poderá ampliar as opções militares contra depósitos fortificados, instalações subterrâneas e centros de comando construídos sob estruturas reforçadas.

Isso não significa, porém, que o Tomahawk Block Vb conseguirá destruir qualquer bunker. A profundidade máxima de penetração e o desempenho contra diferentes tipos de concreto e solo ainda não foram divulgados publicamente.

Estados Unidos preveem US$ 14,66 milhões para adquirir 35 kits de ogivas em 2027

Embora a nova contratação não tenha valor divulgado, o orçamento apresentado pela Marinha americana para o ano fiscal de 2027 revela números sobre a futura introdução da tecnologia.

O planejamento prevê 35 kits de modernização JMEWS, avaliados em US$ 14,66 milhões, com custo orçamentário aproximado de US$ 418,8 mil por unidade.

Outra rubrica contempla US$ 42,306 milhões para 35 mísseis Tomahawk Block Vb recertificados, destinados a receber essa configuração.

Os valores pertencem a categorias orçamentárias diferentes. O custo dos kits não representa o preço de um míssil completo, e as quantidades solicitadas não comprovam que os equipamentos já tenham sido fabricados ou entregues.

A proposta também evidencia a estratégia americana de atualizar mísseis existentes, incorporando novas capacidades sem depender exclusivamente da fabricação de armamentos totalmente novos.

Tomahawk possui alcance de aproximadamente 1.600 quilômetros e pode ser lançado de navios e submarinos

Míssil de cruzeiro Tomahawk é lançado de um submarino da Marinha dos Estados Unidos durante teste no mar. A nova versão Block Vb deverá incorporar uma ogiva capaz de atingir bunkers e estruturas fortificadas. Foto: U.S. Navy/Divulgação.
Míssil de cruzeiro Tomahawk é lançado de um submarino da Marinha dos Estados Unidos durante teste no mar. A nova versão Block Vb deverá incorporar uma ogiva capaz de atingir bunkers e estruturas fortificadas. Foto: U.S. Navy/Divulgação.

O Tomahawk é um dos principais armamentos de ataque de longo alcance utilizados pela Marinha dos Estados Unidos. Trata-se de um míssil de cruzeiro subsônico, capaz de percorrer trajetórias programadas em baixa altitude.

Segundo informações oficiais da Marinha americana, as versões convencionais Block IV e V possuem alcance aproximado de 1.600 quilômetros, permitindo atingir alvos terrestres a grandes distâncias das plataformas de lançamento.

O armamento pode ser disparado por destróieres e submarinos equipados com sistemas compatíveis, oferecendo capacidade de ataque sem exigir que aeronaves tripuladas sobrevoem diretamente o objetivo.

A modernização também divide a família Block V em configurações especializadas. Enquanto o Block Va foi desenvolvido para atingir navios em movimento, o Block Vb receberá a ogiva JMEWS, destinada a ampliar os efeitos contra alvos terrestres protegidos.

Primeira experiência com a ogiva ocorreu em 2010 e conseguiu atravessar estrutura de concreto

Apesar do anúncio recente, a tecnologia JMEWS está em desenvolvimento há mais de 15 anos.

Em 16 de agosto de 2010, a Marinha americana realizou uma experiência com uma ogiva real no centro de testes de China Lake, na Califórnia. Na ocasião, a explosão inicial abriu uma passagem em um alvo de concreto.

O elemento penetrador atravessou a estrutura e ultrapassou duas placas instaladas para registrar os resultados do ensaio, segundo comunicado divulgado posteriormente pela Raytheon.

A experiência demonstrou o funcionamento do conceito, mas não representou a conclusão dos testes necessários para colocar a arma em serviço.

Originalmente associado à modernização do Tomahawk Block IV, o projeto acabou integrado ao desenvolvimento da família Block V.

Problemas técnicos atrasaram avaliações e Pentágono prevê novos testes até 2028

O desenvolvimento da JMEWS também enfrentou dificuldades.

De acordo com o relatório anual de 2025 do órgão de testes do Pentágono, problemas relacionados à disponibilidade de componentes impediram a realização de uma avaliação planejada contra alvos de múltiplas camadas.

A Marinha previa retomar essa atividade durante o ano fiscal de 2026. O documento também indicou o segundo trimestre do ano fiscal de 2027 para uma decisão importante sobre o avanço do programa.

Já as avaliações operacionais integradas da nova ogiva estavam previstas para o ano fiscal de 2028.

O relatório reconheceu que ainda não existiam dados suficientes para determinar plenamente a efetividade operacional da JMEWS. Portanto, não há confirmação pública de que a nova configuração esteja pronta para emprego em combate.

Raytheon poderá fabricar nova ogiva enquanto contrato de US$ 22,9 bilhões amplia produção do Tomahawk

A Raytheon, pertencente ao grupo RTX, é a empresa escolhida inicialmente para negociar a fabricação das novas ogivas.

Segundo o aviso de contratação, a companhia detém informações técnicas e industriais necessárias para atender ao projeto. A Marinha considera que selecionar outro fornecedor poderia provocar atrasos e duplicação de custos.

O programa também avança em um momento de expansão da indústria americana de mísseis.

Em agosto de 2026, a Raytheon anunciou um contrato de sete anos, avaliado em US$ 22,9 bilhões, para ampliar a produção e os serviços associados à

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