O Navio-Patrulha Guanabara e o patrulheiro francês La Confiance executaram manobras coordenadas no Rio Pará durante a passagem do P733 pelo Brasil, em um treinamento de oportunidade voltado ao adestramento das tripulações, à interoperabilidade e à atuação conjunta em Grupos-Tarefas.
Um PASSEX permite que navios de Marinhas diferentes aproveitem a presença simultânea em uma mesma área para treinar comunicações, posicionamento e manobras coordenadas sem a estrutura de uma operação combinada prolongada. Foi esse o formato adotado por Brasil e França no Rio Pará.
Participaram o Navio-Patrulha Guanabara, da Marinha do Brasil, e o La Confiance (P733), da Marinha Nacional da França. O exercício ocorreu em abril deste ano, durante a passagem do patrulheiro francês pelo território brasileiro.
O Defesa em Foco publicou, com informações e imagens da Marinha do Brasil, que a atividade teve foco no adestramento das tripulações e no aprimoramento da capacidade operacional em ambiente fluvial, com execução de manobras táticas coordenadas.
Subordinado ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Norte, o Guanabara opera na área do Comando do 4º Distrito Naval. O treinamento colocou o navio brasileiro diante de uma unidade estrangeira em águas utilizadas regularmente pelos meios navais empregados na Região Norte.
Como funciona um PASSEX entre forças diferentes

Em exercícios desse tipo, as tripulações precisam manter posições relativas, executar mudanças de rumo e velocidade e compreender ordens dentro de uma sequência comum. Cada força conserva seus próprios procedimentos, mas a navegação conjunta depende de coordenação suficiente para manter a formação.
No Rio Pará, as manobras buscaram desenvolver a capacidade de os meios atuarem de maneira coordenada a partir da constituição de Grupos-Tarefas, organizações temporárias nas quais diferentes unidades podem receber funções relacionadas a uma mesma missão.
A interoperabilidade exercitada nesse formato não exige que Brasil e França utilizem equipamentos, doutrinas ou rotinas idênticos. Ela depende da capacidade de unidades pertencentes a estruturas militares diferentes trocarem informações, compreenderem procedimentos essenciais e executarem movimentos compatíveis durante a atividade.
O ambiente fluvial acrescenta condições próprias à navegação. Correntes, canais, tráfego regional e limitações de espaço integram o cenário encontrado por embarcações que percorrem o sistema hidrográfico ligado à foz amazônica e aos acessos para o Atlântico.
Por ser um exercício de oportunidade, o PASSEX também se diferencia de operações multinacionais mais extensas. O treinamento aproveita a coincidência de navios em determinada área para trabalhar procedimentos específicos sem exigir a mobilização e o planejamento de uma comissão combinada de maior duração.

Nesse modelo, distâncias entre os meios, rumo, velocidade e sequência de movimentos precisam permanecer coordenados. A atividade permite verificar, durante a navegação, se tripulações formadas por procedimentos distintos conseguem executar uma sequência comum sem que cada força abandone sua própria estrutura.
Cooperação naval no Norte brasileiro
A presença do La Confiance no Norte está relacionada à atuação naval francesa a partir da Guiana Francesa, território ultramarino que faz fronteira com o Brasil. O P733 pertence à categoria francesa de patrulheiros Antilles-Guyane, destinada à atuação nos territórios ultramarinos da região.
A proximidade geográfica já proporcionou outras atividades entre o La Confiance e unidades brasileiras. Em 2022, o Ministério das Forças Armadas da França registrou um deslocamento operacional do patrulheiro ao Brasil, com escalas em Belém e Santarém, navegação pelo rio Amazonas e patrulha conjunta com o Guanabara.
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Naquela comissão, a tripulação francesa também treinou procedimentos relacionados à fiscalização antes da atividade com o navio brasileiro. O registro oficial mostra que os dois meios já haviam operado juntos no Norte quatro anos antes do PASSEX realizado no Rio Pará.
Diferentemente daquela patrulha conjunta, o exercício deste ano concentrou-se em manobras táticas, adestramento e interoperabilidade, aproveitando o trânsito do P733 pelo Brasil para inserir uma etapa de treinamento naval durante o deslocamento.

Para o Guanabara, a atividade significou executar procedimentos com uma unidade estrangeira em sua área de emprego. Para o La Confiance, o exercício colocou a tripulação em navegação coordenada com um navio brasileiro durante uma comissão que incluía diferentes escalas no país.
A passagem do P733 pelo Pará, portanto, não ficou restrita a uma escala portuária. Durante parte do deslocamento, comandantes, equipes de navegação e setores responsáveis pelas comunicações precisaram atuar de forma coordenada enquanto os dois meios permaneciam em movimento.
Esse formato permite que o treinamento ocorra sem transformar a passagem do navio estrangeiro em uma operação combinada de longa duração. O foco permanece nos procedimentos que podem ser praticados durante a janela em que os dois meios estão disponíveis na mesma região.
Depois das manobras no Rio Pará, o La Confiance seguiu para São Luís, no Maranhão, próxima escala prevista em sua comissão pelo Brasil e também situada na área de responsabilidade do Comando do 4º Distrito Naval.