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Marinha Francesa avança pelo Atlântico rumo ao Brasil: La Confiance P733 chega ao PA e faz exercício PASSEX no Rio Pará com a Marinha do Brasil

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 23/10/2026 às 08:39
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Marinha Francesa avança pelo Atlântico rumo ao Brasil: La Confiance P733 chega ao PA e faz exercício PASSEX no Rio Pará com a Marinha do Brasil
Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.

O Navio-Patrulha Guanabara e o patrulheiro francês La Confiance executaram manobras coordenadas no Rio Pará durante a passagem do P733 pelo Brasil, em um treinamento de oportunidade voltado ao adestramento das tripulações, à interoperabilidade e à atuação conjunta em Grupos-Tarefas.

Um PASSEX permite que navios de Marinhas diferentes aproveitem a presença simultânea em uma mesma área para treinar comunicações, posicionamento e manobras coordenadas sem a estrutura de uma operação combinada prolongada. Foi esse o formato adotado por Brasil e França no Rio Pará.

Participaram o Navio-Patrulha Guanabara, da Marinha do Brasil, e o La Confiance (P733), da Marinha Nacional da França. O exercício ocorreu em abril deste ano, durante a passagem do patrulheiro francês pelo território brasileiro.

O Defesa em Foco publicou, com informações e imagens da Marinha do Brasil, que a atividade teve foco no adestramento das tripulações e no aprimoramento da capacidade operacional em ambiente fluvial, com execução de manobras táticas coordenadas.

Subordinado ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Norte, o Guanabara opera na área do Comando do 4º Distrito Naval. O treinamento colocou o navio brasileiro diante de uma unidade estrangeira em águas utilizadas regularmente pelos meios navais empregados na Região Norte.

Como funciona um PASSEX entre forças diferentes

Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.
Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.

Em exercícios desse tipo, as tripulações precisam manter posições relativas, executar mudanças de rumo e velocidade e compreender ordens dentro de uma sequência comum. Cada força conserva seus próprios procedimentos, mas a navegação conjunta depende de coordenação suficiente para manter a formação.

No Rio Pará, as manobras buscaram desenvolver a capacidade de os meios atuarem de maneira coordenada a partir da constituição de Grupos-Tarefas, organizações temporárias nas quais diferentes unidades podem receber funções relacionadas a uma mesma missão.

A interoperabilidade exercitada nesse formato não exige que Brasil e França utilizem equipamentos, doutrinas ou rotinas idênticos. Ela depende da capacidade de unidades pertencentes a estruturas militares diferentes trocarem informações, compreenderem procedimentos essenciais e executarem movimentos compatíveis durante a atividade.

O ambiente fluvial acrescenta condições próprias à navegação. Correntes, canais, tráfego regional e limitações de espaço integram o cenário encontrado por embarcações que percorrem o sistema hidrográfico ligado à foz amazônica e aos acessos para o Atlântico.

Por ser um exercício de oportunidade, o PASSEX também se diferencia de operações multinacionais mais extensas. O treinamento aproveita a coincidência de navios em determinada área para trabalhar procedimentos específicos sem exigir a mobilização e o planejamento de uma comissão combinada de maior duração.

Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.
Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.

Nesse modelo, distâncias entre os meios, rumo, velocidade e sequência de movimentos precisam permanecer coordenados. A atividade permite verificar, durante a navegação, se tripulações formadas por procedimentos distintos conseguem executar uma sequência comum sem que cada força abandone sua própria estrutura.

Cooperação naval no Norte brasileiro

A presença do La Confiance no Norte está relacionada à atuação naval francesa a partir da Guiana Francesa, território ultramarino que faz fronteira com o Brasil. O P733 pertence à categoria francesa de patrulheiros Antilles-Guyane, destinada à atuação nos territórios ultramarinos da região.

A proximidade geográfica já proporcionou outras atividades entre o La Confiance e unidades brasileiras. Em 2022, o Ministério das Forças Armadas da França registrou um deslocamento operacional do patrulheiro ao Brasil, com escalas em Belém e Santarém, navegação pelo rio Amazonas e patrulha conjunta com o Guanabara.

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Naquela comissão, a tripulação francesa também treinou procedimentos relacionados à fiscalização antes da atividade com o navio brasileiro. O registro oficial mostra que os dois meios já haviam operado juntos no Norte quatro anos antes do PASSEX realizado no Rio Pará.

Diferentemente daquela patrulha conjunta, o exercício deste ano concentrou-se em manobras táticas, adestramento e interoperabilidade, aproveitando o trânsito do P733 pelo Brasil para inserir uma etapa de treinamento naval durante o deslocamento.

Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.
Marinha do Brasil e França realizam PASSEX no Rio Pará com o La Confiance P733, reforçando interoperabilidade e adestramento naval.

Para o Guanabara, a atividade significou executar procedimentos com uma unidade estrangeira em sua área de emprego. Para o La Confiance, o exercício colocou a tripulação em navegação coordenada com um navio brasileiro durante uma comissão que incluía diferentes escalas no país.

A passagem do P733 pelo Pará, portanto, não ficou restrita a uma escala portuária. Durante parte do deslocamento, comandantes, equipes de navegação e setores responsáveis pelas comunicações precisaram atuar de forma coordenada enquanto os dois meios permaneciam em movimento.

Esse formato permite que o treinamento ocorra sem transformar a passagem do navio estrangeiro em uma operação combinada de longa duração. O foco permanece nos procedimentos que podem ser praticados durante a janela em que os dois meios estão disponíveis na mesma região.

Depois das manobras no Rio Pará, o La Confiance seguiu para São Luís, no Maranhão, próxima escala prevista em sua comissão pelo Brasil e também situada na área de responsabilidade do Comando do 4º Distrito Naval.

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