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Estados Unidos e Israel planejam bombardear novamente instalações nucleares no Irã, mas preparam a nova ofensiva para depois das eleições americanas

Estados Unidos e Israel estudam novos ataques ao Irã após as eleições de 3 de novembro, mas Trump ainda não autorizou a ofensiva. Teerã ameaça cabos submarinos e uma retaliação regional em meio à alta do petróleo.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 23/10/2026 às 11:28
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Estados Unidos e Israel planejam bombardear novamente instalações nucleares no Irã, mas preparam a nova ofensiva para depois das eleições americanas
Caça F-35C Lightning II no convés do USS George Washington durante operações da 5ª Frota dos EUA no Oriente Médio, em setembro de 2026. Foto: U.S. Navy/NAVCENT Public Affairs.

Estados Unidos e Israel preparam uma nova rodada de ataques contra o Irã, mas o calendário político está interferindo diretamente nos planos militares. As operações estudadas para depois das eleições americanas de 3 de novembro podem atingir instalações nucleares, arsenais de mísseis e drones e setores da infraestrutura energética iraniana.

A informação foi revelada pelo The New York Times, em reportagem publicada pela Folha. Em 22 de outubro, a Casa Branca confirmou à ABC News que não haverá ataques americanos antes das eleições legislativas. Depois da votação, a decisão continuará nas mãos do presidente Donald Trump.

Enquanto Washington discute quando agir, autoridades iranianas ameaçam ampliar as retaliações para centros de dados, cabos submarinos de internet e estruturas energéticas no Oriente Médio. Uma ofensiva concebida para durar poucos dias pode abrir outra rodada de confrontos muito mais extensa.

Trump segura os ataques até a eleição, enquanto militares se preparam para uma nova ofensiva

Fontes ouvidas pelo jornal americano relatam que militares dos dois países intensificaram voos sobre o Iraque para praticar manobras de ataque. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, esteve em Israel nesta semana e discutiu a possibilidade de novos bombardeios com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Benjamin Netanyahu e Pete Hegseth posam diante das bandeiras de Israel e Estados Unidos segurando quadro com imagem de avião militar.
Benjamin Netanyahu e Pete Hegseth exibem um quadro sobre a operação militar Midnight Hammer durante encontro no Pentágono em 9 de julho de 2025. Foto de arquivo: Departamento de Defesa dos EUA/DVIDS.

Os planejamentos incluem uma campanha curta e concentrada. Alguns estrategistas americanos calculam que três dias de ataques intensos poderiam impor danos econômicos suficientes para pressionar Teerã a negociar seu programa nuclear.

O problema para quem defende essa estratégia é o histórico recente. Trump já interrompeu propostas de retomada dos combates em larga escala, inclusive neste mês, quando as forças dos dois países estavam próximas de iniciar uma operação. A ABC News ouviu fontes israelenses que atribuem ao presidente americano a decisão final.

Alvo nuclear enterrado em montanha entra nos cálculos de Washington e Tel Aviv

Entre os possíveis alvos está a instalação subterrânea de Kooh Kolang, conhecida como Montanha Pickaxe, ligada ao programa nuclear iraniano. Também aparecem nas discussões estoques de mísseis, drones e instalações industriais estratégicas.

Caça F/A-18 Super Hornet iluminado por luz amarela no convés noturno de um porta-aviões, com marinheiros e outros aviões ao fundo.
Caça F/A-18 Super Hornet da Marinha dos EUA preparado para decolar do USS George Washington durante operações noturnas da 5ª Frota, em setembro de 2026. Foto: U.S. Navy/NAVCENT Public Affairs.

Algumas autoridades americanas defendem poupar refinarias e instalações petrolíferas para evitar outra disparada no preço da gasolina nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os militares avaliam atingir outros setores da infraestrutura energética iraniana.

Até aqui, os ataques anteriores, as sanções e o bloqueio naval americano não produziram as concessões nucleares exigidas por Washington. Teerã tenta deixar o tema para uma etapa posterior das negociações, enquanto os Estados Unidos ampliam os meios militares posicionados na região.

Irã ameaça atingir cabos de internet e ampliar a guerra para além dos alvos militares

A resposta anunciada por autoridades iranianas vai além de navios comerciais e instalações de energia. Centros de processamento de dados e cabos submarinos de telecomunicações passaram a integrar as ameaças atribuídas a Teerã.

O analista iraniano Peiman Salehi afirmou ao jornal americano que um ataque à Montanha Pickaxe poderia ser respondido com ofensivas contra refinarias sauditas, incluindo instalações da Aramco. A possibilidade foi apresentada pelo analista como cenário de retaliação, não como uma operação já executada.

Uma interrupção em grandes instalações petrolíferas sauditas ampliaria a pressão sobre o mercado global de energia. Em 22 de outubro, o Brent chegou a US$ 112,20 por barril durante a manhã, em meio ao temor de novos confrontos. Oscilações desse mercado também interessam ao Brasil, que negocia combustíveis e derivados a preços influenciados por referências internacionais.

Eleições em Israel podem mudar o comando da guerra antes da decisão americana

Israel votará em 27 de outubro, uma semana antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Uma derrota de Netanyahu o colocaria na condição de primeiro-ministro interino, reduzindo sua margem política para conduzir uma nova grande ofensiva, segundo especialistas ouvidos pelo jornal.

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Analistas também consideram que a ameaça de novos ataques poderia ser usada pelo premiê israelense para tentar formar um governo de unidade nacional. As duas eleições podem alterar a condução dos planos enquanto militares de Washington e Tel Aviv avaliam se outra campanha de bombardeios mudaria a posição iraniana.

Nova ofensiva continua sem autorização e deixa o Oriente Médio à espera

A Casa Branca mantém abertas suas opções militares para impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. A autorização para novos ataques, porém, não foi anunciada até 23 de outubro. A diplomacia prossegue enquanto tropas e equipamentos americanos são reposicionados no Oriente Médio.

Depois de meses de guerra e pressão econômica, a aposta numa campanha de poucos dias enfrenta uma ameaça de resposta regional e novos custos para os próprios aliados dos EUA. Você acredita que outra ofensiva forçaria um acordo ou agravaria a guerra? Deixe sua opinião nos comentários.

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