A Marinha francesa colocou seis navios de guerra à prova em um exercício dedicado exclusivamente ao combate contra drones. O treinamento Wildfire 26.2 ocorreu entre 28 de setembro e 2 de outubro de 2026, no litoral de Toulon, e reuniu navios de superfície, aeronaves, helicópteros e sistemas desenvolvidos especificamente para enfrentar ameaças não tripuladas.
O exercício foi organizado pela Força de Ação Naval francesa e teve como objetivo aproximar os testes das condições encontradas em um cenário de combate de alta intensidade.
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Segundo o Ministério das Forças Armadas da França, os participantes enfrentaram ataques simulados durante o dia e a noite, incluindo drones isolados e enxames lançados a partir do mar e de terra. Algumas das fases envolveram inclusive disparos reais.

Seis navios participaram do treinamento com objetivo de criar ambientes diferentes para cada situação
A força naval empregada no Wildfire 26.2 reuniu seis navios, entre eles uma fragata multimissão FREMM com capacidade reforçada de defesa aérea, um navio de reabastecimento, uma Fragata da classe La Fayette e duas fragatas de defesa aérea.
Também participou pela primeira vez do exercício um porta-helicópteros anfíbio da classe Mistral.
A estrutura foi apoiada por helicópteros das flotilhas francesas, um helicóptero Wildcat britânico e uma aeronave de patrulha marítima Atlantique 2.
O objetivo foi criar um ambiente no qual os navios precisassem detectar, acompanhar e responder a diferentes tipos de ameaças simultaneamente.
Defesa contra drones combina hard kill e soft kill
Um dos principais aspectos do exercício foi a utilização simultânea de diferentes camadas de defesa. Os militares franceses testaram sistemas conhecidos como hard kill, destinados a destruir fisicamente o alvo, e sistemas soft kill, que procuram neutralizar ou interromper a ameaça por meios eletrônicos ou outros métodos não cinéticos.
O Ministério das Forças Armadas da França também informou que foram empregados drones aéreos destinados a interceptar outros drones, além de drones de superfície.
A combinação dessas tecnologias demonstra como as forças navais estão tentando responder à evolução dos sistemas não tripulados, especialmente diante da possibilidade de ataques realizados em grande quantidade.
Rampart dispara foguete guiado contra drone
Um dos momentos de maior interesse tecnológico ocorreu durante os testes do sistema Rampart, desenvolvido pela Naval Group.
O sistema foi colocado à prova no mar pela primeira vez durante o Wildfire 26.2. De acordo com a publicação especializada Naval News, o lançador foi instalado a bordo de um porta-helicópteros anfíbio da classe Mistral e utilizado em diferentes configurações.
Em um dos testes, o sistema empregou um foguete guiado de 68 mm da Thales contra um drone aéreo, permitindo avaliar sua capacidade de interceptação de ameaças não tripuladas.
O equipamento também disparou uma salva de foguetes não guiados de 68 mm contra um alvo de superfície. Um míssil Piorun, de curto alcance, também estava instalado em um dos módulos do sistema durante a avaliação, embora não tenha sido disparado naquela fase dos testes.
Sistema foi projetado para diferentes armas
Uma das características do Rampart é sua arquitetura modular. Segundo o Naval News, o lançador pode receber diferentes tipos de armamentos, incluindo foguetes não guiados, foguetes guiados, mísseis superfície-ar de muito curto alcance e mísseis superfície-superfície de curto alcance.
A proposta é criar uma camada de defesa próxima capaz de ser adaptada de acordo com a ameaça enfrentada pelo navio.
Essa característica ganha importância diante da proliferação de drones baratos que podem ser empregados em grande número para saturar as defesas de um navio.
Cenário naval mudou com os drones
O Wildfire 26.2 também mostra como os drones passaram a ocupar uma posição central no planejamento das forças navais.
No exercício francês, os ataques simulados ocorreram durante fases de navegação, reabastecimento no mar e passagem por áreas estreitas. O objetivo foi testar a capacidade das tripulações de reagir enquanto executavam outras tarefas operacionais.
O Ministério das Forças Armadas francês descreveu o treinamento como uma forma de aproximar os testes tecnológicos das condições reais encontradas em operações militares.
O exercício também serviu para aproximar a Marinha francesa da indústria de defesa. Empresas e órgãos da Direção-Geral de Armamento participaram diretamente das avaliações.
O resultado é uma arquitetura de defesa que deixa de depender de uma única arma e passa a combinar sensores, guerra eletrônica, interceptadores e armamentos cinéticos.
A tendência indica que navios de guerra precisarão incorporar cada vez mais sistemas específicos contra drones, principalmente em regiões onde ataques com enxames possam ser empregados para sobrecarregar as defesas convencionais.