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Brasil fecha acordo com Moscou e avança sobre navios nucleares

País já desenvolve seu primeiro submarino de propulsão nuclear e agora abre cooperação com quem regula a frota atômica russa. Semanas antes do acordo, um especialista brasileiro esteve na Atomflot.

Brasil fecha acordo com Moscou e avança sobre navios nucleares
O rompe-gelo nuclear russo Sibir, da Rosatomflot, ilustra o avanço da cooperação entre Brasil e Moscou no campo das aplicações nucleares no ambiente marítimo. Foto: Oleg Pitalenko/Atomflot

O Brasil abriu uma nova frente no setor de navios nucleares ao formalizar uma cooperação com o órgão responsável pela supervisão nuclear da Rússia. O movimento ocorre enquanto a Marinha desenvolve seu primeiro submarino de propulsão nuclear e estrutura regras para operar e fiscalizar embarcações com reatores a bordo.

O acordo foi assinado pela Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, a SecNSNQ, e pela Rostechnadzor, autoridade russa de supervisão nuclear. O memorando prevê intercâmbio de conhecimentos, metodologias e práticas em segurança nuclear, proteção radiológica e proteção física no ambiente marítimo.

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Brasil formaliza acordo com Moscou

A Marinha do Brasil confirmou a assinatura do memorando em 16 de setembro, durante a Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena.

A própria Força explica por que a aproximação com Moscou interessa ao país. A Rússia acumula experiência operacional com navios quebra-gelo de propulsão nuclear e unidades flutuantes equipadas com plantas nucleares embarcadas.

O documento não representa a compra de navios ou reatores russos. Também não há anúncio de transferência de um projeto nuclear para o Brasil. O que já existe é uma cooperação formal para compartilhar conhecimento técnico e regulatório em uma área que ganha espaço na estratégia naval brasileira.

Especialista brasileiro esteve na Atomflot

A assinatura foi precedida por outro movimento relevante.

Entre 24 e 28 de agosto, o engenheiro Vinícius Monte, da SecNSNQ, participou de um curso internacional sobre pequenos reatores modulares em Murmansk, na Rússia.

A atividade ocorreu na sede da Atomflot, estrutura vinculada à operação da frota nuclear russa. Segundo a própria Marinha, o programa abordou experiência operacional, segurança e perspectivas para tecnologias nucleares marítimas.

O treinamento foi organizado pela AIEA em parceria com a Rosatom Technical Academy. A presença brasileira, portanto, não comprova uma negociação para aquisição de tecnologia russa.

Ela mostra, porém, que especialistas da autoridade nuclear naval brasileira já acompanham experiências de países que mantêm reatores em operação no mar.

PROSUB já coloca Brasil na era nuclear naval

Maquete do submarino nuclear Álvaro Alberto durante evento do PROSUB em Itaguaí
Maquete do futuro submarino nuclear Álvaro Alberto, projeto desenvolvido pela Marinha do Brasil dentro do PROSUB.

Para o Brasil, o tema não pertence apenas ao futuro.

A Marinha desenvolve no PROSUB seu primeiro submarino de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto. O projeto exige não apenas construir o reator, mas também criar capacidade nacional para licenciar, fiscalizar e operar com segurança um meio naval nuclear.

O LABGENE, instalado no Centro Experimental Aramar, é peça central dessa etapa. Ele permitirá validar sistemas e equipamentos associados à futura planta de propulsão do submarino.

Em abril, Marinha e Autoridade Nacional de Segurança Nuclear discutiram especificamente os desafios técnicos e regulatórios para o licenciamento do LABGENE.

A Revista Sociedade Militar mostrou como o submarino nuclear brasileiro amplia a capacidade de atuação do país no Atlântico Sul. Agora, o acordo com Moscou adiciona experiência regulatória estrangeira a um processo que o Brasil já conduz com tecnologia própria.

Navios nucleares vão além de submarinos

“Navio nuclear” não significa apenas submarino.

A própria SecNSNQ considera meio naval com planta nuclear embarcada um navio de superfície, submarino, plataforma ou outra embarcação que utilize um reator, seja para produzir energia para o próprio meio ou para terceiros.

Isso amplia o alcance da discussão para além do PROSUB.

O Brasil participa de debates internacionais sobre pequenos reatores modulares instalados em embarcações, propulsão nuclear comercial e plataformas capazes de produzir eletricidade no mar.

AIEA e IMO preparam novas regras

Nos dias 26 e 27 de agosto, o Brasil participou do lançamento do projeto ATLAS, iniciativa da AIEA desenvolvida com participação da Organização Marítima Internacional.

A Marinha informou que o projeto trata do ambiente jurídico e regulatório necessário para aplicações nucleares marítimas, incluindo pequenos reatores para propulsão e geração elétrica em plataformas flutuantes.

A Organização Marítima Internacional também trabalha na atualização do Código de Segurança para Navios Nucleares, com conclusão prevista para 2030.

Enquanto o PROSUB leva o Brasil em direção ao primeiro submarino nuclear, outra discussão avança em paralelo: como regular diferentes tipos de embarcações que poderão utilizar reatores no mar.

Cooperação com Moscou não coloca Rússia no PROSUB

O limite do acordo precisa ficar claro.

Não há indicação de participação russa no Álvaro Alberto, nem de substituição da tecnologia desenvolvida pelo Brasil dentro do Programa Nuclear da Marinha. A cooperação também não significa que o país tenha decidido comprar um navio nuclear russo.

O que mudou é mais específico: Brasil e Moscou agora possuem um canal formal de cooperação justamente quando a Marinha transforma décadas de pesquisa nuclear em capacidade naval concreta.

Esse movimento se conecta a um processo mais amplo. A RSM mostrou como o Brasil acumulou conhecimento nuclear próprio e passou a discutir novas aplicações dessa tecnologia, enquanto a cooperação estratégica com a Rússia avançava em outras áreas sensíveis.

Agora, essas duas trajetórias se encontram no mar: o Brasil desenvolve seu próprio submarino nuclear enquanto passa a trocar conhecimento regulatório com um país que já opera navios movidos por reatores.

Na sua opinião, o Brasil deveria ampliar a cooperação com a Rússia e acelerar o desenvolvimento de tecnologias nucleares para uso naval e energético? Deixe sua opinião nos comentários.

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