A Marinha do Brasil prepara uma nova conexão entre as fragatas Tamandaré e um centro internacional de vigilância marítima no Rio de Janeiro. Radares capazes de acompanhar alvos no ar e na superfície, sonares instalados no casco e sistemas ópticos de identificação estão entre os equipamentos cujas informações poderão reforçar o monitoramento do Atlântico Sul.
O detalhamento foi divulgado pela revista especializada Janes em 22 de outubro de 2026. O contra-almirante Luciano Calixto de Almeida Júnior, comandante do COMPAAz, explicou que o futuro IFC Atlântico Sul reunirá informações de diferentes participantes para formar uma visão mais ampla do que acontece no mar.
A ativação do centro está prevista para 3 de novembro de 2026. O projeto coloca navios de guerra modernos ao lado de Marinhas estrangeiras, guardas costeiras e instituições civis em uma rede de compartilhamento de dados que será instalada no próprio COMPAAz.
Fragatas Tamandaré levarão quatro tipos de sensores para a vigilância do Atlântico Sul
A reportagem da Janes identifica quatro equipamentos embarcados que podem alimentar a consciência situacional marítima: o radar Hensoldt TRS-4D ROT, o sonar Atlas Elektronik ASO 713, o radar Thales STIR 1.2 EO Mk2 e o sistema optrônico Safran PASEO XLR. Também são citadas capacidades de aviação ampliadas.
Os aparelhos observam ambientes diferentes. Enquanto o radar principal acompanha contatos acima da água, o sonar procura sinais abaixo da superfície. Sistemas de acompanhamento e identificação ajudam a reconhecer o que foi detectado. A proposta apresentada à Janes é aproveitar essas informações na rede marítima coordenada a partir do Rio.
Radar TRS-4D pode acompanhar vários contatos sem interromper a busca
O TRS-4D ROT, de fabricação alemã, é o radar multifunção de busca volumétrica das novas fragatas. Sua antena rotativa realiza varreduras para localizar contatos e acompanhar trajetórias, reunindo dados sobre objetos no mar e no espaço aéreo. O sistema usa tecnologia de varredura eletrônica ativa, conhecida pela sigla AESA.
O equipamento foi projetado para trabalhar com acompanhamento de alvos enquanto continua procurando outros contatos. Essa característica permite atualizar a situação ao redor do navio sem abandonar a busca por movimentos novos. A capacidade é especialmente útil para uma escolta naval que precisa observar embarcações e aeronaves em uma mesma missão.
Sonar ASO 713 acrescenta informações que o radar não consegue captar
Debaixo da linha d’água, a tarefa muda. O ASO 713, instalado no casco, utiliza recursos ativos e passivos de sonar para detectar e acompanhar contatos subaquáticos. Esse tipo de sensor é empregado na busca de submarinos e na identificação de objetos que não aparecem na tela dos radares de superfície.
A publicação Proceedings, do Instituto Naval dos Estados Unidos, confirma a presença do sonar de média frequência e descreve as fragatas como navios preparados para missões contra ameaças de superfície, aéreas e submarinas. No navio, as informações subaquáticas podem ser avaliadas junto aos registros de radares e equipamentos eletro-ópticos que acompanham o movimento na superfície.

STIR e PASEO XLR ajudam a acompanhar e identificar contatos
O Thales STIR 1.2 EO Mk2 é um radar de acompanhamento e direção de tiro, empregado para manter a observação precisa de alvos. Já o Safran PASEO XLR usa recursos eletro-ópticos para observação e identificação a longa distância, complementando as informações obtidas por radares.
Essas ferramentas atuam a bordo dos navios, onde cada contato pode ser identificado, classificado e acompanhado. O IFC foi concebido para receber, correlacionar e compartilhar informações de interesse marítimo entre parceiros. A contribuição anunciada à Janes envolve as capacidades combinadas dessas fragatas na formação de um panorama cooperativo do Atlântico Sul.
Centro no Rio terá participação de Marinhas, guardas costeiras e órgãos civis
O IFC Atlântico Sul ficará nas instalações do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz). Segundo a Marinha do Brasil, ele deverá conectar forças navais, guardas costeiras, instituições públicas e privadas, a comunidade marítima e centros de outras regiões do mundo.
O comando já utiliza o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) para integrar sensores, plataformas e bases de dados. A rede internacional acrescentará outra frente: o compartilhamento cooperativo de informações sobre a movimentação marítima, a identificação de riscos e a coordenação de respostas entre instituições.
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No artigo institucional assinado por Calixto em 3 de outubro, a Marinha prevê que o novo centro ajudará parceiros a identificar riscos e responder a ameaças. O modelo integra informações originadas em navios, instituições e sistemas de monitoramento para oferecer um quadro comum do que ocorre na região.

Primeira fragata já está em serviço e outras três devem reforçar a Esquadra
A F-200 Tamandaré, construída em Itajaí, Santa Catarina, entrou em serviço em 24 de abril de 2026. A classe tem cerca de 3.500 toneladas de deslocamento e foi projetada para operar com aproximadamente 130 tripulantes. Um convés de voo e um hangar permitem o emprego de helicópteros em missões de patrulha e apoio.
O primeiro lote reúne quatro fragatas. Segundo a revista Proceedings, as outras três tinham incorporação prevista até 2029; houve ainda anúncio de planos para um segundo lote de quatro embarcações, com cronograma de construção e entrega ainda indefinido na publicação de julho. Cada novo navio equipado com sensores modernos poderá ampliar o conjunto de informações disponível à Marinha.
Marinha pretende cruzar dados para proteger 5,7 milhões de km² da Amazônia Azul
O COMPAAz aponta uma área marítima brasileira de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados, com rotas comerciais, atividades pesqueiras, instalações de energia e infraestruturas de interesse estratégico. O desafio do comando é acompanhar movimentos nessa extensão e transformar registros dispersos em informações úteis para decisões operacionais.
O passo seguinte está marcado para 3 de novembro, data prevista para a ativação do IFC no Rio. A Marinha pretende construir uma rede permanente de cooperação no Atlântico Sul, somando informações de seus navios e de instituições parceiras. Os próximos avanços incluem colocar o centro em atividade e ampliar a troca de informações entre os participantes.