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Fragatas Tamandaré ganham papel estratégico nos planos da Marinha: quatro sistemas militares instalados nos navios poderão enviar dados a novo centro no Rio para monitorar movimentos no Atlântico Sul

Com ativação prevista para 3 de novembro, centro de vigilância no Rio poderá receber informações de radares TRS-4D, sonar ASO 713 e sensores das fragatas Tamandaré, ampliando a cooperação naval no Atlântico Sul.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 24/10/2026 às 19:38
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Fragatas Tamandaré ganham papel estratégico nos planos da Marinha: quatro sistemas militares instalados nos navios poderão enviar dados a novo centro no Rio para monitorar movimentos no Atlântico Sul
Fragata Tamandaré (F200) navegando em deslocamento ao Rio de Janeiro, em março de 2026. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação (via Gazeta do Povo).

A Marinha do Brasil prepara uma nova conexão entre as fragatas Tamandaré e um centro internacional de vigilância marítima no Rio de Janeiro. Radares capazes de acompanhar alvos no ar e na superfície, sonares instalados no casco e sistemas ópticos de identificação estão entre os equipamentos cujas informações poderão reforçar o monitoramento do Atlântico Sul.

O detalhamento foi divulgado pela revista especializada Janes em 22 de outubro de 2026. O contra-almirante Luciano Calixto de Almeida Júnior, comandante do COMPAAz, explicou que o futuro IFC Atlântico Sul reunirá informações de diferentes participantes para formar uma visão mais ampla do que acontece no mar.

A ativação do centro está prevista para 3 de novembro de 2026. O projeto coloca navios de guerra modernos ao lado de Marinhas estrangeiras, guardas costeiras e instituições civis em uma rede de compartilhamento de dados que será instalada no próprio COMPAAz.

Fragatas Tamandaré levarão quatro tipos de sensores para a vigilância do Atlântico Sul

A reportagem da Janes identifica quatro equipamentos embarcados que podem alimentar a consciência situacional marítima: o radar Hensoldt TRS-4D ROT, o sonar Atlas Elektronik ASO 713, o radar Thales STIR 1.2 EO Mk2 e o sistema optrônico Safran PASEO XLR. Também são citadas capacidades de aviação ampliadas.

Os aparelhos observam ambientes diferentes. Enquanto o radar principal acompanha contatos acima da água, o sonar procura sinais abaixo da superfície. Sistemas de acompanhamento e identificação ajudam a reconhecer o que foi detectado. A proposta apresentada à Janes é aproveitar essas informações na rede marítima coordenada a partir do Rio.

Radar TRS-4D pode acompanhar vários contatos sem interromper a busca

O TRS-4D ROT, de fabricação alemã, é o radar multifunção de busca volumétrica das novas fragatas. Sua antena rotativa realiza varreduras para localizar contatos e acompanhar trajetórias, reunindo dados sobre objetos no mar e no espaço aéreo. O sistema usa tecnologia de varredura eletrônica ativa, conhecida pela sigla AESA.

O equipamento foi projetado para trabalhar com acompanhamento de alvos enquanto continua procurando outros contatos. Essa característica permite atualizar a situação ao redor do navio sem abandonar a busca por movimentos novos. A capacidade é especialmente útil para uma escolta naval que precisa observar embarcações e aeronaves em uma mesma missão.

Sonar ASO 713 acrescenta informações que o radar não consegue captar

Debaixo da linha d’água, a tarefa muda. O ASO 713, instalado no casco, utiliza recursos ativos e passivos de sonar para detectar e acompanhar contatos subaquáticos. Esse tipo de sensor é empregado na busca de submarinos e na identificação de objetos que não aparecem na tela dos radares de superfície.

A publicação Proceedings, do Instituto Naval dos Estados Unidos, confirma a presença do sonar de média frequência e descreve as fragatas como navios preparados para missões contra ameaças de superfície, aéreas e submarinas. No navio, as informações subaquáticas podem ser avaliadas junto aos registros de radares e equipamentos eletro-ópticos que acompanham o movimento na superfície.

Vista aérea da popa da fragata Tamandaré F200 em alto-mar com convés de helicópteros e mastro de sensores.
Fragata Tamandaré (F200) vista da popa durante testes de mar em dezembro de 2025; convés de helicópteros e mastro à frente. Foto: Divulgação / Marinha do Brasil (via Portos e Navios).

STIR e PASEO XLR ajudam a acompanhar e identificar contatos

O Thales STIR 1.2 EO Mk2 é um radar de acompanhamento e direção de tiro, empregado para manter a observação precisa de alvos. Já o Safran PASEO XLR usa recursos eletro-ópticos para observação e identificação a longa distância, complementando as informações obtidas por radares.

Essas ferramentas atuam a bordo dos navios, onde cada contato pode ser identificado, classificado e acompanhado. O IFC foi concebido para receber, correlacionar e compartilhar informações de interesse marítimo entre parceiros. A contribuição anunciada à Janes envolve as capacidades combinadas dessas fragatas na formação de um panorama cooperativo do Atlântico Sul.

Centro no Rio terá participação de Marinhas, guardas costeiras e órgãos civis

O IFC Atlântico Sul ficará nas instalações do Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz). Segundo a Marinha do Brasil, ele deverá conectar forças navais, guardas costeiras, instituições públicas e privadas, a comunidade marítima e centros de outras regiões do mundo.

O comando já utiliza o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) para integrar sensores, plataformas e bases de dados. A rede internacional acrescentará outra frente: o compartilhamento cooperativo de informações sobre a movimentação marítima, a identificação de riscos e a coordenação de respostas entre instituições.

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No artigo institucional assinado por Calixto em 3 de outubro, a Marinha prevê que o novo centro ajudará parceiros a identificar riscos e responder a ameaças. O modelo integra informações originadas em navios, instituições e sistemas de monitoramento para oferecer um quadro comum do que ocorre na região.

Militar da Marinha aponta mapa do litoral brasileiro em painel de controle de tráfego marítimo do COMPAAz diante de outros participantes.
Militar da Marinha apresenta sistemas de acompanhamento marítimo no Centro de Controle do Tráfego Marítimo do COMPAAz, em registro anterior à implantação do futuro IFC Atlântico Sul. Foto: Agência Marinha de Notícias / Marinha do Brasil.

Primeira fragata já está em serviço e outras três devem reforçar a Esquadra

A F-200 Tamandaré, construída em Itajaí, Santa Catarina, entrou em serviço em 24 de abril de 2026. A classe tem cerca de 3.500 toneladas de deslocamento e foi projetada para operar com aproximadamente 130 tripulantes. Um convés de voo e um hangar permitem o emprego de helicópteros em missões de patrulha e apoio.

O primeiro lote reúne quatro fragatas. Segundo a revista Proceedings, as outras três tinham incorporação prevista até 2029; houve ainda anúncio de planos para um segundo lote de quatro embarcações, com cronograma de construção e entrega ainda indefinido na publicação de julho. Cada novo navio equipado com sensores modernos poderá ampliar o conjunto de informações disponível à Marinha.

Marinha pretende cruzar dados para proteger 5,7 milhões de km² da Amazônia Azul

O COMPAAz aponta uma área marítima brasileira de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados, com rotas comerciais, atividades pesqueiras, instalações de energia e infraestruturas de interesse estratégico. O desafio do comando é acompanhar movimentos nessa extensão e transformar registros dispersos em informações úteis para decisões operacionais.

O passo seguinte está marcado para 3 de novembro, data prevista para a ativação do IFC no Rio. A Marinha pretende construir uma rede permanente de cooperação no Atlântico Sul, somando informações de seus navios e de instituições parceiras. Os próximos avanços incluem colocar o centro em atividade e ampliar a troca de informações entre os participantes.

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