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Moraes envia à PGR 118 laudos da Polícia Federal sobre operação que deixou 122 mortos no Rio, enquanto imagens de policiais militares ainda exigem nova etapa de perícia

Alexandre de Moraes envia à PGR 118 laudos da Polícia Federal sobre a Operação Contenção, que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro. Imagens de câmeras de policiais militares ainda dependem de novas análises periciais.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer Atualizado em 09/10/2026 às 07:58·publicado em 09/10/2026
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Moraes envia à PGR 118 laudos da Polícia Federal sobre operação que deixou 122 mortos no Rio, enquanto imagens de policiais militares ainda exigem nova etapa de perícia
Moraes envia à PGR 118 laudos da Polícia Federal sobre operação que deixou 122 mortos no Rio, enquanto imagens de policiais militares ainda exigem nova etapa de perícia

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira, 8 de outubro de 2026, o envio de 118 laudos produzidos pela Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR). Os documentos estão relacionados à Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025.

A decisão representa uma nova etapa na análise judicial da operação, que mobilizou milhares de policiais civis e militares contra o Comando Vermelho e terminou com 122 pessoas mortas, incluindo cinco agentes de segurança.

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O material encaminhado reúne exames de imagens, fotografias e documentos médico-legais. Entretanto, parte das gravações realizadas pelos policiais militares ainda depende de providências para que a Polícia Federal possa concluir os exames solicitados.

Polícia Federal produziu 12 laudos sobre câmeras corporais e outros 106 sobre exames cadavéricos

Dos 118 documentos enviados à PGR, 12 foram elaborados a partir de vídeos registrados pelas câmeras corporais utilizadas por integrantes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), unidade especializada da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Os outros 106 laudos foram produzidos com base em fotografias e documentos relacionados aos exames cadavéricos disponibilizados pela Polícia Civil. O objetivo da análise é fornecer elementos técnicos para esclarecer as circunstâncias da operação.

Segundo informações publicadas pelo Metrópoles sobre a decisão de Moraes, a Polícia Federal também encaminhou uma análise complementar das gravações da Core.

Em ofício assinado em 2 de outubro, a corporação informou a entrega de outros dois documentos periciais relacionados às imagens. Os arquivos digitais foram armazenados em um dispositivo de memória protegido por envelope de segurança lacrado.

Veículo blindado da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, próximo a uma barricada em chamas durante a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025. Imagem: CanalGov / Wikimedia Commons.
Veículo blindado da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, próximo a uma barricada em chamas durante a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025. Imagem: CanalGov / Wikimedia Commons.

Imagens das câmeras utilizadas pela Polícia Militar ainda dependem de novas providências

Um dos pontos mais relevantes do caso envolve as gravações realizadas pelos integrantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro durante a operação.

De acordo com a Polícia Federal, as imagens das câmeras corporais dos policiais militares foram devolvidas para que fossem identificados os trechos considerados relevantes para os exames periciais.

A situação é diferente daquela envolvendo a Core. No caso da unidade da Polícia Civil, a PF informou ter concluído o atendimento referente às imagens encaminhadas para análise.

Isso não significa que todas as gravações da Polícia Militar tenham sido ignoradas ou deixado de ser examinadas por outros órgãos. O Ministério Público fluminense também desenvolve uma investigação própria sobre a atuação dos agentes.

A pendência comunicada pela PF está relacionada especificamente ao trabalho pericial determinado pelo Supremo Tribunal Federal.

Problemas técnicos dificultaram o acesso às gravações durante a investigação

A análise das imagens enfrentou dificuldades desde os primeiros meses de 2026.

Em fevereiro, a Polícia Federal informou ao STF que havia identificado 945 arquivos de vídeo disponibilizados pela Polícia Civil. Entretanto, problemas de acesso impediam a abertura e a extração adequada de parte do material.

Moraes determinou que os arquivos fossem entregues em formato original, com os recursos necessários para sua visualização e mecanismos que permitissem verificar a integridade das gravações.

O Supremo Tribunal Federal também havia prorrogado o prazo para apresentação das imagens e dos documentos periciais, dentro do processo conhecido como ADPF das Favelas.

Posteriormente, em abril, a PF apontou inconsistências e informações ausentes em documentos relacionados aos exames cadavéricos, solicitando complementações para permitir uma análise mais completa.

Operação Contenção mobilizou 2.500 policiais e terminou com 122 mortos

Realizada em 28 de outubro de 2025, a Operação Contenção reuniu aproximadamente 2.500 agentes das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro.

A ofensiva tinha como objetivo declarado combater a expansão territorial do Comando Vermelho e cumprir mandados judiciais contra integrantes e lideranças da organização criminosa.

O balanço divulgado pelas autoridades registrou 113 prisões e 118 armas apreendidas, incluindo 91 fuzis. A ação provocou intensos confrontos, interrupções no transporte público e suspensão de atividades em diferentes regiões da cidade.

Inicialmente, foram contabilizadas 121 mortes. O número subiu para 122 após o falecimento do policial civil Rodrigo Vasconcellos Nascimento, em 22 de novembro de 2025, em consequência dos ferimentos sofridos durante a operação.

Entre os cinco policiais mortos estavam três integrantes da Polícia Civil e dois policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

O governo fluminense defendeu a operação como uma ação de enfrentamento ao crime organizado. Paralelamente, familiares dos mortos e organizações de direitos humanos questionaram as circunstâncias de determinadas mortes e solicitaram investigações independentes.

Ministério Público identificou retirada de câmeras corporais em parte dos casos analisados

A utilização das câmeras corporais já havia sido objeto de investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

Conforme um levantamento divulgado pela Agência Brasil em junho de 2026, o órgão examinou registros relacionados a 51 integrantes do Bope que participaram da operação.

Na amostra analisada, os investigadores identificaram retirada das câmeras em 17% dos casos e indícios de obstrução proposital das imagens em 7,8%.

Por outro lado, 82% dos registros examinados indicaram utilização correta dos equipamentos, segundo a avaliação preliminar.

Os percentuais correspondem apenas ao conjunto analisado pelo Ministério Público e não podem ser estendidos automaticamente aos aproximadamente 2.500 agentes mobilizados na operação.

Denúncias contra policiais militares já haviam sido apresentadas à Justiça

As investigações conduzidas pelo Ministério Público fluminense também produziram desdobramentos na esfera criminal.

Até junho de 2026, o MPRJ havia informado a apresentação de oito denúncias envolvendo 27 policiais militares por supostas irregularidades cometidas durante a Operação Contenção.

Entre os episódios investigados estavam entradas ilegais em residências, apropriação de armamento, subtração de bens, constrangimento de moradores e tentativas de impedir o funcionamento adequado de câmeras corporais.

Essas denúncias foram apresentadas antes do encaminhamento dos 118 laudos à PGR e fazem parte de procedimentos próprios do Ministério Público estadual.

A apresentação de uma denúncia não representa condenação. As responsabilidades individuais dependem da análise das provas e das decisões judiciais correspondentes.

PGR recebe documentos sob sigilo e regras de preservação das provas

Ao determinar o encaminhamento do material, Alexandre de Moraes estabeleceu que a Procuradoria-Geral da República deveria observar rigorosamente o sigilo das informações e as regras de cadeia de custódia.

A cadeia de custódia reúne os procedimentos utilizados para documentar a coleta, o armazenamento, o transporte e o manuseio de uma prova, permitindo verificar sua integridade.

A documentação está vinculada à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, conhecida como ADPF das Favelas, processo no qual o STF acompanha o cumprimento de medidas relacionadas à segurança pública e à redução da letalidade policial no Rio de Janeiro.

O envio dos laudos não representa uma condenação de policiais nem uma conclusão definitiva sobre a legalidade da operação. Trata-se da disponibilização de elementos técnicos para avaliação institucional.

Próxima etapa dependerá da análise dos documentos pela Procuradoria-Geral da República

Com o recebimento do material, a PGR poderá examinar os resultados das perícias e avaliar se são necessárias novas providências ou esclarecimentos.

Até o anúncio da decisão de 8 de outubro, não havia sido divulgada uma conclusão pública da Procuradoria sobre o conjunto dos 118 laudos.

A documentação também não foi disponibilizada integralmente ao público, o que impede conhecer, neste momento, todas as conclusões individuais apresentadas pelos peritos da Polícia Federal.

Enquanto isso, a identificação dos trechos relevantes das gravações dos policiais militares permanece como uma das questões pendentes no trabalho pericial federal.

O caso, portanto, continua sob acompanhamento judicial, com a análise dos documentos pela PGR e a continuidade das providências relacionadas às provas reunidas sobre a Operação Contenção.

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