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Navio militar brasileiro cruza o Atlântico com 140 futuros oficiais e 18 estrangeiros, chega a Lisboa e leva 29 guardas-marinha para conhecer os bastidores da formação naval portuguesa

Com 140 brasileiros e 18 estrangeiros, o Navio-Escola Brasil passou por Lisboa. A visita à Escola Naval portuguesa marcou a viagem de 148 dias

Bassani
Por Bassani 22/10/2026 às 18:30
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Navio militar brasileiro cruza o Atlântico com 140 futuros oficiais e 18 estrangeiros, chega a Lisboa e leva 29 guardas-marinha para conhecer os bastidores da formação naval portuguesa
Com 140 brasileiros e 18 estrangeiros, o Navio-Escola Brasil passou por Lisboa. A visita à Escola Naval portuguesa marcou a viagem de 148 dias

A passagem do Navio-Escola Brasil por Lisboa rendeu um encontro que não caberia numa visita protocolar ao cais. Em 20 de outubro, 29 guardas-marinha e um oficial do U27 foram recebidos na Escola Naval portuguesa. Conheceram o museu, o Departamento de Ciências e Tecnologias e o Centro de Investigação Naval; acompanharam ainda um desfile de alunos e participaram de um almoço com cadetes. Para os brasileiros que atravessam o Atlântico aprendendo a ser oficiais, foi a oportunidade de ver como outra Marinha prepara seus futuros comandantes.

O navio chegou a Portugal em sua 40ª Viagem de Instrução de Guardas-Marinha, levando 140 brasileiros recém-saídos da fase escolar da formação e 18 guardas-marinha estrangeiros. A bordo, a viagem de 2026 tem previsão de 148 dias e 17 portos em 14 países, segundo reportagem do DN Brasil realizada durante a escala. No convés e nas salas de treinamento, uma embarcação construída no Rio de Janeiro virou ambiente de aprendizagem para militares de diferentes partes do mundo.

Uma turma brasileira e 18 nacionalidades no mesmo navio

O guarda-marinha ocupa uma etapa da carreira entre a formação na Escola Naval e as responsabilidades que virão como oficial. Os 140 brasileiros não estão fazendo um cruzeiro turístico: seguem embarcados para aprender a lidar com a rotina que sustenta a operação de uma unidade naval, sob acompanhamento da tripulação e de instrutores.

Os 18 convidados estrangeiros representam 18 países, entre eles Argentina, Chile, China, Índia, Japão, França, Portugal e Reino Unido. Também constam da relação Bolívia, Canadá, Equador, Itália, México, Nigéria, Paraguai, Peru, Turquia e Uruguai. O grupo compartilha os espaços de convivência e a experiência marítima, embora cada participante chegue com sua própria formação. O intercâmbio não equivale a uma aliança de combate nem a um exercício militar conjunto de 18 países.

Um dos brasileiros é o carioca João Vitor Cauduro, de 25 anos. Ouvido pelo DN Brasil a bordo, ele descreveu as exigências acadêmicas, físicas e militares da Escola Naval e explicou que a viagem permite aplicar no mar o que foi aprendido ao longo do curso. Seu relato dá dimensão humana aos números: quem passa meses longe de casa precisa combinar estudo, serviço e adaptação a uma rotina coletiva, com a responsabilidade de representar o Brasil em portos estrangeiros.

Do U27 à Escola Naval portuguesa, e de Portugal ao navio brasileiro

A instituição portuguesa registrou a visita de 20 de outubro e identificou os anfitriões: o segundo comandante, capitão de mar e guerra Pereira Cavaco, e o diretor de ensino, capitão de mar e guerra Calisto Almeida. Depois da recepção, o grupo percorreu espaços que mostram diferentes lados da formação: a memória histórica preservada no museu, o ensino de ciências e tecnologias e a investigação naval. A programação terminou com atividades junto ao Corpo de Alunos.

Houve também intercâmbio no sentido contrário. A Marinha de Portugal informou que o guarda-marinha Ricardo Saraiva embarcou no U27 em 15 de setembro para acompanhar a navegação pelo norte da Europa. Nesse período, o navio passou por portos da França, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido. O fim do embarque de Saraiva estava previsto para 19 de outubro, na véspera da visita da delegação brasileira à Escola Naval.

Saraiva não foi apresentado pela Marinha portuguesa como simples visitante: ele exerce a função de chefe do Serviço de Operações e Comunicações do NRP Figueira da Foz, navio-patrulha de seu país. A nota oficial não esclarece como sua participação temporária se relaciona com a contagem geral de 18 guardas-marinha estrangeiros da comissão; por isso, os dois registros não devem ser somados como se representassem 19 convidados distintos.

Navio-Escola Brasil U27 em águas portuguesas durante viagem de 2022, com o casco militar e a costa ao fundo.
O Navio-Escola Brasil (U27) em águas portuguesas numa viagem de 2022. A fotografia é de arquivo e não registra a escala de outubro de 2026. Crédito: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons. Página original · CC BY-SA 2.0.

O que se aprende dentro de um navio de 130 metros

O Brasil não tem a disposição interna de uma fragata de combate comum, embora tenha sido projetado a partir do casco das fragatas da classe Niterói. Espaços que poderiam cumprir outras funções foram pensados para o ensino. Documentos da Marinha descrevem salas de aula, ambiente próprio para instrução de navegação, repetidores de radar e simuladores táticos. A escolha permite associar instrumentos reais e treinamento a uma embarcação que continua navegando.

Navegar exige mais do que memorizar cartas. Os futuros oficiais precisam entender procedimentos de bordo, observação das condições do mar e organização do trabalho em equipe. Na formação naval, controle de avarias é o conjunto de medidas para responder a situações como incêndio e entrada de água; isso não significa que o navio tenha sofrido alguma emergência na viagem. O aprendizado ocorre ao lado dos profissionais que mantêm o U27 operando, enquanto os alunos também lidam com turnos, alojamentos e regras de convivência.

Em visita feita ao navio em Lisboa, o DN Brasil encontrou cerca de 400 pessoas a bordo, entre tripulantes, formandos e convidados. O comandante, capitão de mar e guerra Ricardo Maia, comparou a embarcação a uma pequena cidade. Não é difícil entender a descrição: o navio precisa manter refeições, dormitórios, manutenção e serviços essenciais durante uma jornada de quase cinco meses. A reportagem identificou ainda dois canhões de 40 milímetros usados em treinamento de defesa, sem que isso transforme a comissão em missão de combate.

Construído na Ilha das Cobras, o U27 completou 40 anos em serviço

A viagem internacional acontece a bordo de um projeto brasileiro. O Navio-Escola Brasil começou a ser construído em setembro de 1981 no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, na Ilha das Cobras. Foi lançado em 23 de setembro de 1983 e incorporado à Marinha em 21 de agosto de 1986, substituindo o Navio-Escola Custódio de Mello. Em agosto de 2026, completou quatro décadas desde a incorporação.

O casco tem origem no projeto das fragatas classe Niterói, mas a organização dos compartimentos foi adaptada à formação. A primeira viagem de instrução do U27 ocorreu em 1987. Quatro décadas depois, o mesmo navio continua ligando duas partes da carreira: a aprendizagem na Escola Naval e as tarefas reais que esses militares terão de cumprir a bordo de outras unidades da Marinha.

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Duas tardes de visitas em Lisboa e uma rota que ainda cruza o Atlântico

O Porto de Lisboa recebeu a escala programada de 19 a 23 de outubro. A Marinha divulgou visitação pública gratuita para 21 e 22 de outubro, das 13h às 17h no horário português, permitindo que moradores e brasileiros residentes em Portugal conhecessem parte do navio e conversassem com a tripulação. A programação anunciada não significava acesso irrestrito aos compartimentos operacionais.

Antes de Portugal, o U27 passou por Londres, em 10 de outubro, atravessando a Tower Bridge. A rota da comissão também inclui etapas nos Estados Unidos, México e Colômbia, além de escalas na Europa e em Cabo Verde. Para os guardas-marinha, cada atracação combina exigências do próprio navio com contatos institucionais e encontros com a população.

Navio-Escola Brasil U27 passando sob a Tower Bridge aberta, em Londres, durante uma viagem realizada em outubro de 2022.
O U27 cruza a Tower Bridge, em Londres, em outubro de 2022. O navio voltou a passar pela ponte em 10 de outubro de 2026, mas esta imagem é da viagem anterior. Crédito: Marinha do Brasil (arquivo; R. Torres, indicado nos metadados) / Wikimedia Commons. Página original · CC BY-SA 2.0.

A escala portuguesa deixou dois registros concretos dessa formação internacional: o grupo de 29 guardas-marinha da comissão que conheceu a Escola Naval local e o período em que Ricardo Saraiva navegou com a tripulação do U27. São experiências diferentes, mas ligadas à mesma viagem que reúne 140 brasileiros e 18 convidados estrangeiros, uma turma que ainda terá outros portos pela frente antes de concluir seus 148 dias de instrução.

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