Impulsionado por foguetes, um drone de combate deixou o solo sem depender da pista de um aeroporto. A demonstração marcou o primeiro voo europeu do U740 Valkyrie, que a Airbus pretende colocar ao lado de caças tripulados em missões de alto risco.
O teste aconteceu em 29 de setembro, em uma instalação no norte da Europa, e foi anunciado em 12 de outubro de 2026. Segundo a Airbus, em comunicado oficial, o drone alcançou Mach 0,8, realizou manobras em diferentes altitudes e recebeu ajustes de missão durante o voo.
Isso representa cerca de 80% da velocidade do som. Mais do que a rapidez, porém, a novidade é enviar aeronaves não tripuladas para regiões onde a presença de um piloto representa risco elevado.
Foguetes permitem decolar sem usar a pista de uma base aérea
O Valkyrie utiliza um sistema de lançamento por trilhos com auxílio de foguetes, responsáveis por fornecer a aceleração inicial. Depois de ganhar velocidade, a aeronave continua o voo utilizando seu próprio motor.
A solução pode ser importante quando pistas estão sob ameaça de mísseis. Em vez de depender apenas de grandes bases, forças aéreas poderiam distribuir seus pontos de lançamento e dificultar a neutralização das operações.
Isso não significa operar sem qualquer infraestrutura. A Airbus informa que o projeto também admite decolagem e pouso convencionais. O teste demonstrou a capacidade de lançamento sem pista.
Aeronave tem 9,1 metros e alcance declarado superior a 5 mil quilômetros

Derivado do XQ-58A Valkyrie, da norte-americana Kratos, o U740 integra a proposta europeia da Airbus para aeronaves colaborativas de combate. Não é, portanto, um projeto inteiramente europeu.
O equipamento mede 9,1 metros de comprimento e 8,2 metros de envergadura. Seu peso máximo de decolagem é de aproximadamente três toneladas, enquanto o teto operacional declarado chega a 45 mil pés, cerca de 13,7 quilômetros de altitude.
O fabricante também informa alcance superior a 5 mil quilômetros. Esse número não deve ser confundido com o raio de combate: a distância efetiva de uma missão armada depende da carga transportada, do perfil de voo e da necessidade de retorno.
O projeto inclui compartimento interno para armamentos e pontos externos sob as asas. A configuração permite diferentes missões, mas o primeiro voo europeu não comprovou o emprego de armas.
Airbus quer colocar drones ao lado dos caças Eurofighter
A proposta é que aeronaves como o Eurofighter possam comandar drones para reconhecimento, ataques e ações contra defesas antiaéreas. Em determinadas situações, o Valkyrie poderia avançar primeiro sobre uma região perigosa, reduzindo a exposição dos pilotos.
Para isso, a Airbus desenvolve o sistema MARS, que empregará recursos de inteligência artificial na coordenação de missões e de grupos de aeronaves. Segundo a companhia, decisões críticas deverão permanecer submetidas a uma estrutura de controle humano.
Há uma distinção importante: o MARS ainda não estava instalado no drone durante o teste europeu. O voo comprovou capacidades da plataforma; a integração do sistema de missão deverá ser examinada em etapas posteriores.
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Preço estimado é de 20 milhões de euros por aeronave
Em entrevista à Reuters, o presidente da Airbus Defence and Space, Michael Schoellhorn, estimou o preço do Valkyrie em aproximadamente 20 milhões de euros por unidade.
O executivo também calculou que a Alemanha poderá necessitar de cerca de 500 aeronaves colaborativas de combate. Trata-se de uma estimativa de necessidade militar, não de uma compra confirmada de 500 Valkyries.
A aposta é ampliar a frota sem comprar um caça tripulado para cada missão. Ainda existem custos de manutenção, armamento e infraestrutura, e os drones não substituem todas as funções dos caças.
Tecnologia levanta comparação com o Gripen utilizado pelo Brasil
Enquanto a Alemanha investiga como empregar drones ao lado do Eurofighter, a Força Aérea Brasileira avança na incorporação do F-39 Gripen, desenvolvido pela Saab. São programas diferentes, mas ambos ajudam a entender a transformação do combate aéreo.
Em 6 de outubro, o primeiro Gripen E produzido no Brasil realizou seu voo inaugural, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
A conexão com o Valkyrie é apenas uma comparação tecnológica. Não há anúncio de participação da FAB no programa U740 nem de integração desse drone ao Gripen brasileiro.
Novos testes estão previstos para 2027, com operação planejada para 2029
A Airbus pretende testar o Valkyrie com o sistema MARS no primeiro trimestre de 2027. Um voo conjunto com um Eurofighter está previsto para uma etapa posterior do mesmo ano.
A meta é oferecer capacidade de combate colaborativo até 2029, voltada à Alemanha e a outros países europeus. Antes disso, será preciso demonstrar operações seguras e eficazes ao lado de aeronaves tripuladas.
O primeiro voo mostrou que o Valkyrie consegue decolar sem pista e atingir alta velocidade. Transformá-lo em um parceiro de combate confiável será o próximo desafio da Airbus e da Kratos.