Servidores que já faziam parte da Polícia Federal continuaram avançando na própria trajetória profissional e deixaram cargos de agente e escrivão após tomar posse como delegados e peritos criminais federais
Uma sequência de portarias publicada pela Polícia Federal no Diário Oficial da União revela nove trajetórias de servidores que já pertenciam à instituição e, depois de continuarem estudando e buscando novas oportunidades profissionais, passaram a ocupar outros cargos dentro da própria PF.
Ao todo, oito agentes e um escrivão tiveram seus antigos cargos declarados vagos durante setembro de 2026 porque tomaram posse como delegados de Polícia Federal ou peritos criminais federais.
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Não houve demissão, punição ou saída da Polícia Federal.
Administrativamente, ocorreu a vacância do cargo anterior em razão da posse em outro cargo inacumulável, conforme previsto no artigo 33, inciso VIII, da Lei nº 8.112/1990.
Na prática, os atos revelam policiais que já haviam conquistado espaço em uma das instituições mais disputadas do serviço público federal e depois conseguiram ingressar em outra carreira da própria corporação.
De agente a delegado da Polícia Federal
Entre os casos publicados está o de Renato Ferreira de Moraes.
Ele ocupava o cargo de agente de Polícia Federal de 1ª classe e teve essa vaga declarada aberta a partir de 3 de setembro de 2026, depois de tomar posse como delegado de Polícia Federal de 3ª classe.
Outro agente que fez o mesmo movimento foi Lucas Henrique Soares Ribeiro.
Até então agente de Polícia Federal de 2ª classe, ele assumiu o cargo de delegado de Polícia Federal de 3ª classe, fazendo com que o cargo anterior fosse declarado vago a partir de 15 de setembro.
O mesmo ocorreu com Almir Carvalho Santos, também agente de 2ª classe.
A Polícia Federal registrou a vacância de seu antigo cargo a partir de 10 de setembro de 2026, em razão da posse como delegado de Polícia Federal de 3ª classe.
Os atos mostram, portanto, policiais que já exerciam atividades dentro da PF e conseguiram posteriormente ingressar na carreira de delegado.
Escrivão também assumiu como delegado
A movimentação não ficou restrita aos agentes.
Igor Isídio Gomes da Silva ocupava o cargo de escrivão de Polícia Federal de 1ª classe.
A partir de 14 de setembro de 2026, o cargo foi declarado vago porque o servidor tomou posse como delegado de Polícia Federal de 3ª classe.
O caso reforça uma característica interessante dessa sequência de atos: os servidores não estavam entrando pela primeira vez na instituição.
Eles já conheciam a rotina da Polícia Federal e possuíam experiência dentro da corporação antes de assumirem as novas carreiras.
Cinco agentes passaram para a perícia criminal federal
Outra parte expressiva das mudanças ocorreu em direção à carreira de perito criminal federal.
Tatiane Aparecida dos Santos Brasil Gonçalves, que era agente de Polícia Federal de 1ª classe, teve seu cargo declarado vago a partir de 17 de setembro de 2026.
Ela tomou posse como perita criminal federal de 3ª classe, Área 3 — Informática.
Rosemberg Mendes de Souza, agente de 2ª classe, também deixou o antigo cargo ao assumir como perito criminal federal de 3ª classe, com efeitos administrativos a partir de 2 de setembro.
Já Alexandre Queiroz Santos, então agente de Polícia Federal de 2ª classe, teve o cargo declarado vago a partir de 8 de setembro pelo mesmo motivo: posse como perito criminal federal de 3ª classe.
Outro caso foi o de Eduardo Floriano Leite Silva, agente de Polícia Federal de 1ª classe.
Seu cargo anterior ficou vago a partir de 1º de setembro de 2026, depois da posse como perito criminal federal de 3ª classe.
Completa o grupo Deibyson Uchoa Barroso Bizerra, agente de Polícia Federal de 2ª classe, que passou para o cargo de perito criminal federal de 3ª classe, com vacância do antigo posto a partir de 10 de setembro.
Nove policiais mudaram de carreira dentro da própria instituição
Somando os atos, setembro registrou:
quatro servidores assumindo como delegados de Polícia Federal e cinco agentes tomando posse como peritos criminais federais.
Entre os quatro novos delegados que já pertenciam à PF, três eram agentes e um era escrivão.
Já todos os cinco novos peritos identificados nesse conjunto de portarias ocupavam anteriormente cargos de agente.
O Diário Oficial não informa há quanto tempo cada um estava na carreira anterior, quando começaram a preparação para os novos cargos, suas classificações nos concursos ou quanto tempo dedicaram aos estudos.
Por isso, esses detalhes não podem ser presumidos.
O que os documentos permitem afirmar é que todos eles já pertenciam ao quadro da Polícia Federal quando conquistaram os novos cargos.
Não foi promoção, mas também não foi saída da Polícia Federal
Existe uma diferença importante na forma correta de interpretar esses atos.
Tecnicamente, não houve uma promoção funcional, como ocorre quando um servidor avança dentro da mesma carreira.
Agente, escrivão, delegado e perito criminal federal são cargos distintos.
Por isso, o cargo anterior precisa ser declarado vago quando o servidor toma posse no novo.
Mas também seria incorreto apresentar esses casos como policiais que simplesmente “deixaram a carreira da Polícia Federal”.
Eles continuaram na instituição, agora em outras carreiras.
A sequência publicada no Diário Oficial revela justamente esse movimento: pessoas que já tinham conquistado uma vaga na PF continuaram investindo na formação e na preparação profissional até conseguir assumir novos cargos dentro da corporação.
Uma trajetória que não terminou na primeira aprovação
Os nove atos formam uma pauta pouco visível quando analisados isoladamente.
Separadamente, cada portaria parece apenas uma formalidade administrativa informando a vacância de um cargo.
Quando observadas em conjunto, porém, mostram outra história.
São profissionais que já haviam ultrapassado as etapas necessárias para ingressar na Polícia Federal, começaram a trabalhar na instituição e, mesmo assim, continuaram buscando novas posições profissionais.
Em setembro, essa trajetória apareceu de maneira concentrada no Diário Oficial: agentes se tornaram delegados, agentes passaram para a perícia e um escrivão também assumiu como delegado.
Para esses servidores, a primeira aprovação na Polícia Federal não representou necessariamente o fim dos estudos ou da busca por outra carreira dentro da instituição.