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Portal do STM sai do ar com o mesmo aviso de manutenção usado em julho, quando a corte levou 12 dias para admitir ataque cibernético

Página do Superior Tribunal Militar volta a exibir comunicado de manutenção preventiva. Em julho, o mesmo aviso ficou no ar 12 dias antes de a Corte confirmar um incidente de segurança cibernética.

Robson Augusto
Por Robson Augusto 21/10/2026 às 14:11
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Portal do STM sai do ar com o mesmo aviso de manutenção usado em julho, quando a corte levou 12 dias para admitir ataque cibernético
STM comunica que o portal está offline novamente

O portal do Superior Tribunal Militar (STM), órgão máximo da Justiça Militar da União, voltou a ficar inacessível nesta quarta-feira (21). Por volta das 13h54, o endereço stm.jus.br exibia um “Comunicado de Manutenção”. É a mesma tela e o mesmo texto que a Corte usou em julho, durante os 15 dias em que o site ficou fora do ar por um incidente de segurança cibernética.

Até o fechamento desta matéria, o tribunal não havia divulgado nota sobre a nova indisponibilidade. Também não informou previsão de retorno nem a causa da interrupção.

O comunicado exibido nesta quarta-feira

Captura de tela de 21 de outubro de 2026 - comunicado de manutenção do stm
Captura de tela de 21 de outubro de 2026 as 14:00 – Comunicado de manutenção do stm

A página que substitui o portal informa que o site passa por manutenção técnica preventiva para atualizações e melhorias na infraestrutura. Logo abaixo, lista os sistemas que seguem operacionais: o e-Proc de 1ª instância, o e-Proc do STM e os serviços de emissão e autenticação de certidão negativa.

O formato repete o aviso de julho. Naquela ocasião, segundo reportagem da Revista Sociedade Militar, o comunicado registrava que sistemas como e-Proc, SEI e certidões continuavam operacionais e não fazia qualquer menção a invasão, ataque cibernético ou tentativa de derrubada do portal. sociedademilitar

Em julho, a “manutenção” era um incidente cibernético

O histórico explica por que a repetição da tela chama atenção. O STM ficou fora do ar a partir de 2 de julho, quando foi detectada uma instabilidade nos sistemas da Corte. Durante os dias seguintes, o público só via o aviso de manutenção preventiva.

Em 8 de julho, esta revista noticiou que o portal estava offline havia dias e exibia apenas o comunicado técnico. A reportagem destacou que a queda coincidiu com a repercussão de notícias sobre a ministra Verônica Sterman e que o texto oficial não relacionava a indisponibilidade a nenhum ataque.

A versão oficial só veio em 14 de julho, doze dias depois da detecção. Nessa data, a Secretaria de Tecnologia da Informação do STM informou que os protocolos de segurança foram acionados logo depois da identificação da falha. Em nota, o tribunal reconheceu ter identificado, em 2 de julho, uma indisponibilidade no portal compatível com um incidente de segurança cibernética.

O aviso de manutenção continuou mesmo depois da confirmação

A admissão do incidente não mudou a tela. Na manhã de 15 de julho, um dia depois da nota, o portal ainda exibia a mensagem de manutenção técnica preventiva para atualizações e melhorias na infraestrutura. O Metrópoles fez o mesmo registro: quem tentava acessar o site era informado de que o portal passava por manutenção técnica preventiva.

Nos dias seguintes, a Corte disse que só divulgaria novas informações depois de confirmação técnica. A previsão de restabelecimento para a quarta-feira, 15 de julho, não foi cumprida. O portal só voltou a operar na tarde de 17 de julho, por volta das 16h, quinze dias depois da queda.

O que o STM confirmou e o que deixou sem resposta

Na nota de retorno, o tribunal afirmou que as equipes técnicas isolaram os sistemas afetados e conduziram as etapas de análise, contenção e recuperação, e que o incidente foi comunicado às autoridades competentes. A Corte também lembrou que o episódio ocorreu em meio a ataques contra outras instituições públicas, mas que cada caso tem características próprias e é analisado individualmente.

Duas perguntas ficaram sem resposta pública. O tribunal não esclareceu se houve acesso indevido a informações sigilosas nem se houve vazamento de dados. Também não detalhou a vulnerabilidade explorada pelos invasores.

O STM sustentou que as informações processuais e os julgamentos em curso estavam assegurados e que o problema se restringia ao site externo, por onde o público acessa notícias e informações. A tramitação seguiu pelos sistemas internos. Durante o período, ficaram indisponíveis pauta de julgamento, jurisprudência, súmulas, banco de sentenças, legislação e a agência de notícias da Corte.

A norma do CNJ que autoriza tirar o site do ar

A suspensão do portal tem base normativa. A Resolução CNJ nº 396, de 7 de junho de 2021, que instituiu a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética do Poder Judiciário (ENSEC-PJ), prevê o engajamento da alta administração quando as medidas exigirem rápida suspensão do acesso ao público para conter um ataque.

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DDoS em 2023 e alta de incidentes no setor público

O STM já foi alvo antes. Em 16 de março de 2023, dia da posse do tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo na presidência da Corte, o portal sofreu um ataque de negação de serviço. O site registrou mais de 1,8 milhão de requisições de acesso feitas por robôs. Esse ataque só se tornou público semanas depois, quando o próprio Camelo o revelou durante simpósio de segurança cibernética no STF.

No Judiciário, o caso mais grave segue sendo o do Superior Tribunal de Justiça. Em novembro de 2020, um ransomware criptografou todo o acervo de processos do STJ e levou à suspensão de prazos e audiências.

É pelo portal que o tribunal divulga pautas, decisões e a jurisprudência que orienta militares e advogados da Justiça Militar da União. O acompanhamento desses processos pelo público depende desse canal.

Em julho, a Corte manteve o aviso de “manutenção preventiva” por doze dias antes de reconhecer o incidente. Nesta quarta-feira, a tela voltou. Até agora, o STM não disse se o motivo é o mesmo.

Meta descrição: Site do STM sai do ar com o mesmo aviso de manutenção de julho, quando a corte levou 12 dias para admitir incidente cibernético.

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1 Comentário
Ponderão
Ponderão
21/10/2026 16:29

Nós militares precisamos urgentemente aprender a assumir e a lidar com erros. Somos ensinados a ter medo de assumir falhas, e ai cria-se um ambiente onde esconder as falhas é melhor do que aprender com elas