A segurança pública abriu o debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). A mediação citou que quase 69 milhões de brasileiros dizem conviver com facções ou milícias no bairro onde moram e lembrou que governo e oposição passaram a discutir a redução da maioridade penal. A pergunta foi qual seria o impacto real dessa mudança e qual é a proposta de cada um.
Nenhum dos dois respondeu diretamente sobre a maioridade penal. Os candidatos usaram o tempo para defender seus planos de combate às facções e ao crime organizado.
Flávio: retomar territórios e presídios
Flávio prometeu recuperar “cada cidade” e “cada território que foi tomado do povo brasileiro”, incluindo as cadeias, onde, segundo ele, as facções “ainda estão mandando”. Disse que vai entrar nos presídios “com leis mais duras” e que os líderes dessas organizações vão ficar até 80 anos presos.
O candidato do PL citou vídeos de mulheres agredidas por criminosos por se recusarem a ser escravas sexuais das facções. Afirmou que os bandidos “vão ser presos ou vão ser neutralizados pelas nossas polícias” e acusou o atual governo de adotar uma política de desencarceramento que, segundo ele, solta criminosos perigosos sob o argumento de falta de vagas.
Lula: PEC da Segurança e Ministério da Segurança Pública
Lula respondeu que Flávio poderia ter votado a emenda constitucional enviada pelo governo para permitir que a União atue na segurança pública, área que a Constituição de 1988 deixou com os estados. “Os estados fracassaram”, afirmou o presidente, ao lembrar que o governo federal comanda apenas as polícias federais.
Ele também reivindicou a lei antifacção. “Eu já fiz a lei de facção, ela foi aprovada”, disse, citando o aumento das penas para integrantes dessas organizações. Segundo Lula, o governo combate o crime organizado “da esquina ao andar de cima”, tanto os criminosos que atuam nos territórios quanto os financiadores ricos.
O presidente prometeu criar o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado aprovar a PEC da Segurança Pública, para que a União possa agir nos estados junto com governadores e prefeitos. “Para o trabalhador e para a comunidade, proteção; para o bandido, prisão”, resumiu.