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R$ 560 milhões em equipamentos militares, 1.756 toneladas de cargas e materiais vindos dos EUA e da França: Exército movimenta arsenal e suprimentos em três estados brasileiros

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher Atualizado em 30/10/2026 às 02:48·publicado em 29/10/2026
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R$ 560 milhões em equipamentos militares, 1.756 toneladas de cargas e materiais vindos dos EUA e da França: Exército movimenta arsenal e suprimentos em três estados brasileiros
Exército movimentou R$ 560 milhões em materiais militares e 1.756 toneladas de cargas com equipamentos dos EUA, França e Bélgica em outubro. - Crédito: Imagem ilustrativa gerada com IA.

O Exército Brasileiro coordenou a movimentação de mais de R$ 560 milhões em materiais militares durante nove operações realizadas em outubro de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (29). Foram 1.756 toneladas de cargas, incluindo componentes para blindados e aeronaves dos Estados Unidos, equipamentos franceses e materiais destinados às comunicações militares.

A movimentação ocorreu entre 5 e 23 de outubro, com procedimentos de importação e exportação realizados em instalações portuárias, aeroportuárias e aduaneiras do Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

O trabalho ficou sob responsabilidade do Comando Logístico (COLOG), por meio da Base de Apoio Logístico do Exército, estrutura encarregada de apoiar o recebimento e a distribuição de materiais utilizados pela Força Terrestre.

Segundo o Defesa em Foco, que publicou o levantamento nesta quinta-feira, as operações também envolveram equipamentos de proteção individual, suprimentos para manutenção e materiais estrangeiros empregados durante o Exercício Combinado Arandu 2026, realizado com a Argentina.

Exército movimentou R$ 560 milhões em nove operações e liberou 1.756 toneladas de cargas militares

Em menos de três semanas, o Comando Logístico coordenou nove operações alfandegárias que reuniram 857 volumes de materiais militares, com peso total de 1.756 toneladas.

As cargas ocuparam mais de 2.850 metros cúbicos e passaram por instalações de três estados brasileiros.

A Divisão de Importação e Exportação de Material (DIEM), vinculada à Base de Apoio Logístico, participou dos procedimentos necessários à liberação dos equipamentos.

O valor declarado dos materiais ultrapassou R$ 560 milhões, mas esse montante não corresponde a novos contratos assinados pelo Exército em outubro.

As operações abrangeram a movimentação de cargas vinculadas a processos de importação e exportação, incluindo materiais destinados à manutenção de equipamentos já utilizados pelas organizações militares.

A documentação apresentada no levantamento não discrimina quanto foi movimentado em cada estado, nem identifica o valor individual das cargas.

Um dos resultados destacados pelo Comando Logístico foi a liberação dos materiais sem despesas adicionais de armazenagem.

A rapidez no desembaraço evitou que os equipamentos permanecessem retidos por mais tempo nas instalações utilizadas, embora o levantamento não informe o valor que teria sido gasto em caso de atraso.

Estados Unidos forneceram suprimentos para blindados e aeronaves; França e Bélgica também aparecem entre as origens

Entre os equipamentos movimentados estão componentes provenientes dos Estados Unidos, destinados à manutenção de blindados e meios da aviação militar.

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A relação divulgada não identifica os modelos que receberão essas peças, mas o fornecimento atende a uma necessidade permanente do Exército: manter em funcionamento veículos, aeronaves e sistemas adquiridos ao longo de diferentes programas de modernização.

Além dos materiais norte-americanos, o levantamento menciona equipamentos de proteção individual provenientes da França e máscaras de mergulho fornecidas pela Bélgica.

Também foram movimentados rádios destinados às comunicações militares, utilizados para manter a ligação entre unidades e estruturas de comando.

As especificações técnicas, os fabricantes e as quantidades individuais desses equipamentos não foram detalhados.

No caso dos blindados, a dependência de peças e ferramentas especializadas faz parte de um desafio que acompanha os programas de aquisição da Força Terrestre.

Em agosto de 2026, por exemplo, o Exército assinou o contrato para aquisição inicial de sete blindados Centauro II, dentro de um programa que prevê até 98 unidades.

A contratação também envolveu, em processo separado, ferramentas especiais destinadas à manutenção da plataforma veicular e da torre do blindado.

Esses contratos são independentes do balanço alfandegário de outubro, mas mostram como a incorporação de novos veículos exige uma estrutura de manutenção que vai além da entrega das viaturas.

Base de Apoio Logístico também possui estruturas de manutenção de blindados Guarani

A Base de Apoio Logístico do Exército está localizada na Vila Militar, em Deodoro, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Sua estrutura reúne organizações responsáveis por diferentes etapas do apoio às tropas, desde o recebimento de materiais até a manutenção de equipamentos militares.

Em agosto de 2023, durante uma visita técnica organizada pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), oficiais conheceram a Divisão de Importação e Exportação, o Centro de Coordenação de Operações Logísticas e o Batalhão Central de Manutenção e Suprimento.

Na ocasião, também foram apresentadas as capacidades relacionadas ao projeto de manutenção do blindado Guarani, um dos principais veículos da infantaria mecanizada brasileira.

Essa estrutura ajuda a explicar a participação da Base de Apoio Logístico nas operações realizadas em outubro.

A liberação de uma peça importada é apenas uma parte do processo. Depois do desembaraço, os materiais precisam seguir para as organizações militares responsáveis por seu recebimento, distribuição ou emprego na manutenção.

O levantamento de R$ 560 milhões não informa quais unidades serão atendidas pelas cargas nem estabelece prazos para a utilização dos componentes.

Operação Arandu exigiu transporte de blindados argentinos por ferrovias e rodovias até o Brasil

O trabalho logístico também alcançou a participação do Exército Argentino na Operação Arandu 2026, realizada no Rio Grande do Sul.

O treinamento reuniu aproximadamente 2.300 militares e 80 blindados dos dois países, incluindo carros de combate Leopard 1A5 BR, TAM 2C-A2 e veículos Centauro II e Stryker.

O COLOG prestou apoio à movimentação temporária de materiais militares argentinos, que precisaram ingressar no Brasil para participar das atividades.

A dimensão desse transporte foi detalhada posteriormente pelo próprio Exército Argentino.

Em comunicado publicado em 21 de outubro, a instituição informou que os tanques TAM 2C-A2, blindados Stryker 8×8 e caminhões táticos Oshkosh partiram por ferrovia da região de Zárate, na Argentina, até Paso de los Libres, na fronteira brasileira.

Para retirar os veículos pesados dos vagões, o Batalhão de Engenheiros de Monte 12 precisou construir uma rampa especial de desembarque.

No dia 10 de outubro, os equipamentos atravessaram o Ponte Internacional Agustín P. Justo-Getúlio Vargas, que liga Paso de los Libres, na Argentina, a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

A movimentação contou com a coordenação de autoridades dos dois países e da empresa ferroviária argentina.

O governo brasileiro havia autorizado a entrada temporária de 350 militares argentinos, acompanhados de aeronaves, veículos, armamentos, munições e outros equipamentos necessários ao treinamento.

O levantamento do COLOG não especifica quais desses materiais foram atendidos diretamente nas nove operações alfandegárias nem qual parcela do valor declarado estaria relacionada à Arandu.

Distribuição de equipamentos também enfrenta dificuldades de transporte dentro do Brasil

Depois que equipamentos militares chegam ao país, ainda existe o desafio de levá-los às unidades responsáveis por sua utilização.

Em um território com dimensões continentais, essa etapa pode exigir combinações de transporte rodoviário, ferroviário, aéreo e fluvial, dependendo da localização e das características da carga.

Um estudo publicado em setembro de 2026 no Observatório Militar da Praia Vermelha, vinculado à ECEME, detalhou parte dessas dificuldades na Amazônia.

Segundo os militares responsáveis pela análise, o fluxo de materiais do Exército para a região utiliza Porto Velho, em Rondônia, como ponto de transbordo para o transporte fluvial em direção a Manaus.

Nesse percurso, o tempo médio de navegação varia entre 10 e 15 dias.

Os autores também apontaram que o regime de secas do Rio Madeira pode prejudicar a continuidade do transporte em determinados períodos.

O estudo não relaciona esse trajeto às cargas desembaraçadas em outubro, mas apresenta um exemplo concreto dos desafios enfrentados pela estrutura logística militar brasileira.

Em junho de 2026, o comandante logístico do Exército, general Maurílio Miranda Netto Ribeiro, já havia tratado desses desafios durante uma conferência na ECEME.

A apresentação reuniu dirigentes das áreas de aviação, suprimento, materiais, aquisições e operações logísticas, com discussões sobre planejamento integrado e capacidade de manter as tropas abastecidas em diferentes cenários.

O encontro também abordou a necessidade de adaptar o sistema logístico às condições de emprego da Força Terrestre, especialmente quando operações militares exigem deslocamentos prolongados e fornecimento contínuo de equipamentos.

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