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Submarino japonês de 122 metros podia lançar três aviões para atacar as eclusas do Canal do Panamá, mas a operação planejada acabou cancelada

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher 12/10/2026 às 05:33
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Submarino japonês de 122 metros podia lançar três aviões para atacar as eclusas do Canal do Panamá, mas a operação planejada acabou cancelada

Classe I-400 combinava autonomia oceânica, hangar para hidroaviões e catapulta no convés. O plano contra o Canal do Panamá previa quatro submarinos e dez aeronaves, mas o alvo foi abandonado antes da execução e nenhum ataque às eclusas chegou a ocorrer.

O I-400 foi projetado para transportar aeronaves em longas missões oceânicas e lançá-las depois de emergir. O submarino japonês levava até três hidroaviões de ataque Aichi M6A Seiran em um hangar cilíndrico instalado sobre o casco.

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Com cerca de 122 metros de comprimento e deslocamento submerso próximo de 6.600 toneladas, o navio estava entre os maiores submarinos convencionais de sua época. O Naval History and Heritage Command (NHHC), órgão histórico da Marinha dos Estados Unidos, registra que a classe permaneceu excepcional em tamanho até o surgimento dos submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos.

As dimensões também permitiam acomodar combustível, armamentos, equipamentos de apoio e a estrutura necessária para operar os aviões longe de uma base terrestre. Cada submarino da classe I-400 podia levar três Seiran, número diferente dos dez aparelhos previstos para a força que atacaria o Canal do Panamá.

O hangar fazia parte da superestrutura e tinha à frente uma catapulta destinada ao lançamento dos aviões. Um guindaste dobrável poderia ser empregado para recolher os hidroaviões que pousassem na água ao lado do submarino após a missão.

Para caber no espaço interno, o Seiran tinha asas e partes da cauda dobráveis. A preparação das aeronaves começava quando o submarino chegava à superfície, etapa em que as equipes retiravam os aparelhos do hangar e os colocavam em condição de lançamento.

O NHHC registra que os três aviões podiam ser lançados em cerca de 30 minutos quando equipados com flutuadores. Sem esses componentes, o procedimento poderia ser reduzido para aproximadamente 15 minutos, mas a configuração dificultava uma recuperação convencional dos aparelhos depois do ataque.

Quatro submarinos levariam dez aviões

O plano japonês contra o Canal do Panamá reuniria I-400, I-401, I-13 e I-14. Os dois primeiros transportariam três Seiran cada, enquanto I-13 e I-14, menores e adaptados para levar aeronaves, carregariam dois aparelhos cada.

A força teria, portanto, dez aviões disponíveis para a missão. Essa composição evita uma confusão comum entre a capacidade individual do I-400, limitada a três aeronaves, e o número total de aparelhos planejados para o ataque.

O alvo seria o sistema de eclusas do Canal do Panamá, passagem que permite a navegação entre os oceanos Atlântico e Pacífico sem a necessidade de contornar a América do Sul. O plano previa atingir essa infraestrutura por meio de aeronaves lançadas dos submarinos depois da aproximação pelo oceano.

A preparação avançou a ponto de incluir treinamento específico para o ataque. A documentação histórica do NHHC registra que os japoneses construíram uma representação em tamanho real das eclusas de Gatún na baía de Nanao, no Japão, para os exercícios das tripulações.

Em junho de 1945, os quatro submarinos envolvidos estavam reunidos na região para os preparativos. A operação previa que os Seiran fossem lançados sem flutuadores nas proximidades do Equador e seguissem em direção ao Caribe antes de atingir as instalações do canal.

O planejamento também sofreu alterações durante essa fase. Em abril daquele ano, a missão passou a prever um ataque sem retorno com as aeronaves, embora o registro histórico norte-americano indique que as tripulações aéreas ainda não haviam sido informadas da mudança naquele momento.

Ataque ao Canal do Panamá não foi executado

Apesar do treinamento e da preparação dos submarinos, o ataque às eclusas nunca aconteceu. O plano contra o Canal do Panamá foi abandonado antes da execução, e a prioridade japonesa passou para uma operação contra forças norte-americanas concentradas no atol de Ulithi, no Pacífico.

O U.S. Naval Institute também registra o planejamento envolvendo os grandes submarinos japoneses e dez aeronaves para a missão original. A mudança de alvo ocorreu quando a situação militar do Japão já havia se deteriorado nos meses finais da guerra.

Nenhum dos Seiran embarcados na força chegou a bombardear o Canal do Panamá. A distinção é importante porque os preparativos, os treinamentos e a existência de um alvo definido não significaram que o ataque tivesse sido efetivamente realizado.

A operação posterior contra Ulithi também não chegou à fase de ataque. A rendição do Japão, em agosto de 1945, interrompeu a missão antes que os submarinos empregassem seus aviões contra as forças norte-americanas concentradas no atol.

Depois do fim da guerra, I-400 e I-401 renderam-se às forças dos Estados Unidos e foram levados para avaliação. Os dois submarinos acabaram afundados pela Marinha norte-americana nas proximidades do Havaí em 1946, encerrando a trajetória operacional de uma classe construída para levar aviação de ataque a grandes distâncias pelo mar.

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