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Tenente da PM absolvido pela morte do Leandro Lo, oito vezes campeão mundial de jiu-jítsu, já havia sido condenado por socar um soldado e desacatar outro oficial

Absolvido no caso Leandro Lo em 2025, Henrique Velozo já tinha condenação anterior de nove meses por agredir e desacatar policiais em boate em 2017. Recurso do MP elevou a pena; o cumprimento foi suspenso.

Flavia Marinho
Por Flavia Marinho 23/10/2026 às 08:25
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Tenente da PM absolvido pela morte do Leandro Lo, oito vezes campeão mundial de jiu-jítsu,  já havia sido condenado por socar um soldado e desacatar outro oficial

Antes de ser absolvido no Tribunal do Júri pela morte do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, o então tenente da Polícia Militar de São Paulo Henrique Otávio Oliveira Velozo já havia sido condenado a nove meses de prisão por agredir um soldado e desacatar outro oficial. A decisão foi proferida em 13 de maio de 2021, por causa de uma confusão ocorrida em 27 de outubro de 2017 na antiga casa noturna The Week, na zona oeste paulistana.

Naquela madrugada, Velozo estava de folga e comemorava a entrada de um primo na corporação. A festa acabou em briga, seguranças chamaram viaturas e, por volta das 4h20, os policiais militares que atenderam a ocorrência se envolveram em uma nova discussão com o tenente à paisana. Segundo os depoimentos acolhidos pela Justiça Militar, um soldado recebeu socos e outro oficial foi ofendido.

A decisão de 2021 foi tomada mais de um ano antes da morte de Leandro Lo, em agosto de 2022. Ao contrário do processo julgado pelo júri em 2025, a ação militar tratava de violência contra um integrante da própria PM e desacato a um oficial durante o atendimento na boate.

Briga com sete frequentadores interrompeu festa que celebrava ingresso de primo na PM

O tenente foi à The Week acompanhado de Iury Oliveira do Nascimento, primo e soldado recém-ingresso na Polícia Militar. A comemoração virou confusão quando Iury discutiu com sete homens. Segundo a apuração do UOL, Velozo tentou defendê-lo e os dois sofreram lesões.

Seguranças intervieram e chamaram policiais para encerrar a briga. Velozo, de folga e em roupas civis, apresentava nervosismo e, conforme depoimentos prestados à Justiça, odor de bebida alcoólica. O soldado Flávio Alves Ferreira participou do atendimento e tentou conversar com o oficial.

A discussão entre os dois aumentou quando Flávio tentou manter Velozo afastado, estendendo o braço. A abordagem terminou com agressões relatadas pelo soldado e por outros integrantes da equipe.

Soldado tentou afastar o tenente, levou soco no braço e relatou golpe perto do maxilar

Flávio contou que Velozo acertou um soco em seu braço e tentou atingi-lo novamente no rosto. De acordo com os registros citados pela CNN Brasil, o segundo golpe foi desferido na direção da face; o UOL relatou que atingiu de raspão a região do maxilar.

Outros policiais também mencionaram tentativas de chutes. Flávio afirmou que, no começo, desconhecia a patente de Velozo, pois o tenente não estava fardado. O Ministério Público classificou a agressão como crime militar de violência contra inferior, diante da diferença hierárquica entre o oficial e o soldado.

O conflito se estendeu a outro oficial que chegou para atender a ocorrência. O tenente à paisana passou a insultá-lo, com expressões descritas nos autos, incluindo “você é meu recruta” e “seu covarde”, segundo o Terra. Os fatos deram origem à acusação de desacato a militar.

Depois da confusão, Velozo foi contido e desarmado. Policiais o encaminharam ao Hospital da PM para exame de corpo de delito, enquanto os registros e depoimentos seguiram para a Justiça Militar paulista.

Primeira sentença deu seis meses por desacato; Ministério Público recorreu e pena foi a nove

A primeira decisão do Conselho Especial de Justiça, em 2020, fixou seis meses de prisão pelo desacato e absolveu o tenente das imputações relativas à agressão. O Ministério Público contestou a absolvição parcial e recorreu da sentença.

Em 13 de maio de 2021, o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo julgou a apelação e reconheceu também a violência contra o soldado. A nova pena totalizou nove meses de prisão, em regime aberto, pelos dois crimes da madrugada. O UOL e a CNN detalharam a decisão com base nos documentos do processo.

Os três meses acrescentados foram atribuídos à agressão contra Flávio, enquanto seis meses permaneceram ligados ao desacato. A decisão de segunda instância ocorreu em 2021, quando o caso Leandro Lo ainda não tinha acontecido.

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Condenação a nove meses teve cumprimento suspenso por dois anos

Uma diferença entre a pena fixada e seu cumprimento foi registrada pela Folha de S.Paulo em agosto de 2022. O jornal informou que a Justiça suspendeu o cumprimento da pena por dois anos, benefício concedido porque Velozo era considerado réu primário naquela ação.

O benefício impõe condições a serem observadas durante um período de prova. O registro da Folha documenta a condenação de nove meses e a suspensão concedida; as fontes consultadas não esclareceram o desfecho posterior da execução penal.

Na apuração de 2022, a Defensoria Pública informou à Folha que não comentaria processos criminais em andamento. Os relatos publicados à época também registraram que os veículos não obtiveram a versão da defesa sobre aquele julgamento anterior.

Leandro Lo morreu em 2022; o júri absolveu Velozo em novembro de 2025

O campeão de jiu-jítsu Leandro Lo morreu em 7 de agosto de 2022, aos 33 anos, depois de ser baleado na cabeça em um show no Esporte Clube Sírio, na zona sul da capital. Velozo foi acusado de homicídio no episódio e levado ao Tribunal do Júri.

Em 14 de novembro de 2025, após julgamento de três dias, os jurados o absolveram, acolhendo a tese de legítima defesa sustentada por seus advogados, segundo a CNN Brasil. O Ministério Público recorreu da absolvição. Em outubro de 2026, o governo de São Paulo restabeleceu a demissão do policial da corporação, em procedimento próprio.

A briga na The Week ocorreu em 2017; a condenação por agressão e desacato veio em 2021; a morte de Leandro Lo aconteceu em 2022; e a absolvição pelo júri foi anunciada em 2025. Você conhecia o processo anterior envolvendo o tenente e os próprios colegas de farda? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.

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