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“Acho que está na hora de a Ucrânia ter um novo presidente”: Trump se aproxima de Putin e pressiona Zelensky, que aceita eleições sob condição de 60 dias sem ataques russos

Trump pede novo presidente para a Ucrânia, Zelensky aceita organizar eleições sob condição de 60 dias de cessar-fogo e Kremlin rejeita proposta. Acordo com Putin amplia tensão.

“Acho que está na hora de a Ucrânia ter um novo presidente”: Trump se aproxima de Putin e pressiona Zelensky, que aceita eleições sob condição de 60 dias sem ataques russos
Donald Trump e Volodymyr Zelensky durante encontro na Casa Branca, em 28 de fevereiro de 2025. Foto: Daniel Torok/The White House.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu publicamente que a Ucrânia tenha um novo presidente e aumentou a pressão sobre Volodymyr Zelensky em plena guerra contra a Rússia. A declaração ocorreu após um acordo energético com Vladimir Putin, que abriu caminho para novas exportações russas enquanto Moscou mantém ataques ao território ucraniano.

Zelensky respondeu que está disposto a organizar eleições presidenciais se Putin aceitar um cessar-fogo total de 60 dias. O Kremlin rejeitou a condição. A troca de declarações colocou o futuro político da Ucrânia no centro de uma disputa que envolve negociações de paz, sanções econômicas e a continuidade do apoio americano a Kiev.

Segundo a Associated Press, Trump afirmou em 10 de outubro que chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente. Ele acusou Zelensky de desperdiçar oportunidades para negociar a paz e associou os ataques ucranianos contra refinarias russas à alta dos combustíveis nos Estados Unidos.

Zelensky aceita eleições, mas exige 60 dias sem ataques russos

Em entrevista ao programa This Week, da ABC News, em 11 de outubro, Zelensky apresentou sua condição para realizar eleições em meio à guerra.

“Por favor, digam a Putin: deem-nos dois meses, 60 dias de cessar-fogo total, e organizaremos eleições”, declarou o presidente ucraniano, conforme a Reuters.

Zelensky também afirmou que cabe aos próprios ucranianos decidir quem deve governar o país. A resposta veio após Trump questionar publicamente sua permanência na Presidência.

Por que a Ucrânia ainda não realizou novas eleições?

A Ucrânia deveria ter realizado eleições presidenciais em 2024. Entretanto, a legislação nacional proíbe a votação durante a vigência da lei marcial, adotada após a invasão russa de fevereiro de 2022.

Além do impedimento legal, o país enfrenta obstáculos de segurança. Militares permanecem mobilizados, cidades sofrem bombardeios e milhões de cidadãos vivem deslocados dentro e fora do território ucraniano.

Por isso, a proposta de Zelensky não representa uma convocação oficial de eleições, mas uma disposição para organizar o processo caso exista uma suspensão das hostilidades que permita realizá-lo.

Kremlin rejeita proposta e exige acordo de paz mais amplo

Moscou recusou o cessar-fogo de dois meses.

Segundo a Reuters, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou em 12 de outubro que a Rússia busca um acordo de paz abrangente, e não uma interrupção temporária dos combates.

Autoridades russas também mencionaram a possibilidade de suspender ataques durante uma eventual jornada eleitoral, mas Moscou não aceitou os 60 dias de cessar-fogo solicitados por Zelensky.

A divergência mantém indefinidas as condições necessárias para realizar uma nova eleição presidencial enquanto a guerra continua.

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Trump negocia com Putin e acordo sobre diesel provoca reação nos EUA

A pressão americana sobre Zelensky coincidiu com uma mudança na política de sanções energéticas contra a Rússia.

Após uma conversa telefônica com Putin, Trump anunciou, em 9 de outubro, um acordo destinado a facilitar o fornecimento de diesel russo aos mercados internacionais.

Segundo o anúncio de Trump, a iniciativa prevê o fornecimento inicial de mais de 300 mil toneladas de diesel russo ao mercado internacional, após uma flexibilização temporária das sanções americanas.

O objetivo declarado é aliviar os preços dos combustíveis. Entretanto, a medida também pode gerar receitas adicionais para Moscou.

Segundo a Reuters, representantes americanos apresentaram o entendimento como uma tentativa de tornar o governo russo mais receptivo às negociações de paz.

Zelensky critica receitas russas e senadores questionam Trump

O presidente ucraniano criticou o acordo energético por considerar que novos recursos podem ajudar a Rússia a financiar sua campanha militar.

A decisão também provocou resistência dentro dos Estados Unidos.

De acordo com a Associated Press, 12 senadores americanos, republicanos e democratas, questionaram a iniciativa e seus possíveis efeitos sobre as sanções impostas a Moscou.

Os parlamentares alertaram para o risco de oferecer benefícios econômicos à Rússia sem obter compromissos efetivos para encerrar os combates.

O episódio expôs uma divergência sobre a estratégia de Washington: enquanto Trump utiliza incentivos econômicos para tentar reabrir negociações, críticos temem que Putin obtenha novas receitas sem modificar sua atuação militar.

Rússia mantém ataques e Trump afirma que EUA continuam ajudando Ucrânia

Apesar das conversas diplomáticas, as operações militares prosseguem.

Em 10 de outubro, autoridades ucranianas denunciaram um ataque russo que deixou pelo menos 20 mortos na região de Zaporizhzhia, segundo informações divulgadas pela Associated Press.

Nos dias seguintes, Zelensky voltou a denunciar bombardeios contra instalações energéticas. Os ataques ocorreram mesmo após Trump anunciar, em 11 de outubro, uma suposta trégua voltada à proteção desse tipo de infraestrutura.

O Kremlin, porém, não confirmou um acordo bilateral definitivo. Em 13 de outubro, Moscou afirmou que os contatos diplomáticos sobre a proposta continuavam, conforme informou a Reuters.

Inteligência americana entra no centro da disputa

A tensão ganhou outro componente quando Zelensky declarou, em 13 de outubro, que a Ucrânia não recebeu alertas antecipados de parceiros internacionais sobre determinados ataques com mísseis russos contra Kiev.

A ausência dessas advertências provocou questionamentos sobre a cooperação de inteligência, embora não comprove que Washington tenha interrompido deliberadamente o fornecimento de informações.

No mesmo dia, Trump afirmou à Reuters que os Estados Unidos continuam compartilhando inteligência com a Ucrânia e trabalhando com ambos os países para tentar encerrar a guerra.

Assim, Washington mantém uma posição complexa: pressiona politicamente Zelensky, negocia diretamente com Putin e assegura que continua oferecendo informações importantes para a defesa ucraniana.

As repercussões internacionais do conflito também alcançam o Brasil. Um estudo estratégico americano sobre a posição brasileira diante da guerra na Ucrânia mostrou que, durante uma simulação do CSIS, participantes que representavam o país resistiram a compromissos que poderiam ampliar seu envolvimento no confronto.

Até 13 de outubro, Zelensky não havia convocado eleições, Putin não aceitara o cessar-fogo de 60 dias e Washington não anunciara o encerramento da cooperação de inteligência com Kiev.

A disputa sobre quem deve governar a Ucrânia permanece sem solução. Enquanto Trump defende uma mudança de liderança e Putin rejeita a pausa exigida para organizar eleições, os ucranianos continuam enfrentando uma guerra que também impede a realização de uma nova votação presidencial.

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