O Brasil já domina o ciclo do combustível nuclear, mas seu primeiro submarino de propulsão atômica dependerá de um reator desenvolvido pela própria Marinha. O acordo firmado com a França em 2008 trouxe conhecimentos para projetar e construir submarinos, porém deixou a tecnologia nuclear fora da transferência. O futuro Álvaro Alberto será movido por energia nuclear e equipado com armamento convencional.
A distinção aparece em documentos oficiais do Ministério da Defesa e da Marinha, atualizados em outubro de 2026. Enquanto as equipes brasileiras desenvolvem a planta de propulsão em São Paulo, uma auditoria encerrada em 23 de outubro examinou os procedimentos de qualidade ligados ao projeto do submarino.
França ensinou a construir submarinos, mas reator ficou sob responsabilidade brasileira
A parceria Brasil-França, iniciada em dezembro de 2008, deu origem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). O pacote prevê a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino de propulsão nuclear, além de estaleiros e de uma base naval em Itaguaí, no Rio de Janeiro.
O grupo francês Naval Group participa da transferência de tecnologia de projeto e construção naval. Segundo a Marinha do Brasil, mais de 250 engenheiros e técnicos brasileiros receberam qualificação na França, especialmente em Cherbourg, a partir de 2010.
Mas existe uma separação definida no contrato. A assistência francesa alcança estruturas, equipamentos e métodos de construção, enquanto a planta nuclear embarcada é desenvolvida pela Marinha brasileira. O próprio projeto do submarino de propulsão nuclear pertence ao Brasil, com consultoria francesa para a parte naval.
Brasil produz tecnologia do combustível e prepara reator em São Paulo
O Programa Nuclear da Marinha começou em 1979 e permitiu ao país desenvolver tecnologia para o ciclo do combustível nuclear. A instituição fornece ultracentrífugas às Indústrias Nucleares do Brasil (INB), cuja unidade em Resende (RJ) atua no enriquecimento de urânio.
No Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), a Marinha mantém o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), a unidade de hexafluoreto de urânio (USEXA) e o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). As instalações integram a preparação do combustível e da futura propulsão naval.
O LABGENE abriga o protótipo terrestre da planta de propulsão. Nele, a Marinha pretende validar o comportamento do reator e dos sistemas associados antes da instalação no submarino. Informações oficiais sobre o projeto indicam uma planta prevista de 48 megawatts térmicos; essa potência é uma característica do protótipo em desenvolvimento, não a declaração de um reator já operando no mar.

Uma visita de parlamentares a Aramar em março de 2026 incluiu as instalações de enriquecimento de urânio e o LABGENE, onde estão previstos testes integrados da propulsão.
Submarino será nuclear para navegar, mas continuará com armas convencionais
O nome ‘submarino nuclear’ pode sugerir uma embarcação armada com ogivas atômicas. No Álvaro Alberto, a energia nuclear será utilizada para movimentar o navio e alimentar seus sistemas. A página do Ministério da Defesa, atualizada em 29 de outubro de 2026, confirma que o armamento planejado será convencional, em conformidade com o compromisso constitucional brasileiro com o uso pacífico da energia nuclear.
A propulsão nuclear permite ao submarino permanecer submerso por períodos prolongados sem depender de motores a diesel que precisam de ar atmosférico. Nos submarinos convencionais, a necessidade de recarregar baterias exige aproximar-se periodicamente da superfície para utilizar o esnórquel.
Para a Marinha, a autonomia submersa amplia as possibilidades de patrulhamento e de proteção de rotas comerciais e recursos marítimos no Atlântico Sul. A duração das missões também depende de fatores como alimentos, manutenção e condições da tripulação.
Auditoria realizada em outubro acompanhou projeto e segurança do submarino
Entre 20 e 23 de outubro de 2026, a Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ) auditou o sistema de garantia da qualidade da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN).
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Segundo o comunicado oficial da fiscalização, foram examinados procedimentos, registros e controles relacionados ao projeto, à construção da plataforma e à futura planta nuclear embarcada. A COGESN responde pelo requerimento de licenciamento da embarcação.
O acompanhamento faz parte das etapas necessárias para demonstrar a confiabilidade dos processos e a segurança nuclear. A auditoria registra fiscalização do programa em andamento; o reator e o submarino ainda precisam cumprir as próximas fases de desenvolvimento e autorização.

Quatro submarinos convencionais abriram caminho para o Álvaro Alberto
O Brasil já concluiu a construção dos quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo dentro do PROSUB. Em novembro de 2025, a Marinha incorporou o Tonelero, terceiro da série, e lançou ao mar o Almirante Karam, quarto integrante, que passou para a fase de testes.
O Álvaro Alberto representa uma etapa mais difícil: reunir a estrutura naval desenvolvida com apoio francês e a planta de propulsão atômica criada no país. O empreendimento ainda está em desenvolvimento, após anos de ajustes técnicos e de cronograma.
Com o reator sob responsabilidade brasileira, a conclusão do submarino dependerá tanto do avanço industrial em Itaguaí quanto dos testes e das autorizações para a tecnologia desenvolvida em Aramar. A Marinha pretende transformar esse trabalho em uma capacidade permanente de patrulha submarina no Atlântico Sul.
O Brasil deveria priorizar a conclusão do Álvaro Alberto mesmo diante dos custos e dos desafios técnicos? Deixe sua opinião nos comentários.
Parabéns ao BR, até que enfim temos capacidade e tecnologia de enriquecer urânio, parabéns ao governo federal e também a nossa marinha do BR
Não é bem assim… a verdade é que todo o projeto, tanto do casco resistente, quanto a propulsão nuclear e componentes internos, está sendo desenvolvido sob a tutela da Naval Group. A Marinha do Brasil não decide nada e o projeto está mais de 10 anos atrasado. Muito triste para nós, brasileiros.
Temos que ir em frente sempre
Sem discussão, estamos muito atrasados, já era para o país dominar todo o ciclo nuclear para armamentos como país soberano, que a Venezuela sirva de exemplo.
Essa área nuclear nunca vai sair. O projeto já tem 45 anos e até agora nada de útil.
Rodoanel em SP, uma pista de 170 km, 30 anos em construção.
Prezados.
O segredo do sucesso é o sigilo. É uma área que exige muito cuidado com as informações.
Discordo, trabalho no projeto e está em andamento.