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França ajudou o Brasil a construir quatro submarinos, mas deixou a tecnologia nuclear fora do acordo e agora a Marinha enfrenta o desafio de desenvolver sozinha o reator que moverá o primeiro submarino nuclear brasileiro

O Brasil domina o ciclo do combustível nuclear, mas o reator do submarino Álvaro Alberto está sendo desenvolvido pela Marinha. Entenda o limite do acordo com a França, as armas convencionais e a auditoria de outubro.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 01/11/2026 às 12:14
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França ajudou o Brasil a construir quatro submarinos, mas deixou a tecnologia nuclear fora do acordo e agora a Marinha enfrenta o desafio de desenvolver sozinha o reator que moverá o primeiro submarino nuclear brasileiro
Maquete do futuro submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto. Foto: Marinha do Brasil, 2023 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

O Brasil já domina o ciclo do combustível nuclear, mas seu primeiro submarino de propulsão atômica dependerá de um reator desenvolvido pela própria Marinha. O acordo firmado com a França em 2008 trouxe conhecimentos para projetar e construir submarinos, porém deixou a tecnologia nuclear fora da transferência. O futuro Álvaro Alberto será movido por energia nuclear e equipado com armamento convencional.

A distinção aparece em documentos oficiais do Ministério da Defesa e da Marinha, atualizados em outubro de 2026. Enquanto as equipes brasileiras desenvolvem a planta de propulsão em São Paulo, uma auditoria encerrada em 23 de outubro examinou os procedimentos de qualidade ligados ao projeto do submarino.

França ensinou a construir submarinos, mas reator ficou sob responsabilidade brasileira

A parceria Brasil-França, iniciada em dezembro de 2008, deu origem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). O pacote prevê a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino de propulsão nuclear, além de estaleiros e de uma base naval em Itaguaí, no Rio de Janeiro.

O grupo francês Naval Group participa da transferência de tecnologia de projeto e construção naval. Segundo a Marinha do Brasil, mais de 250 engenheiros e técnicos brasileiros receberam qualificação na França, especialmente em Cherbourg, a partir de 2010.

Mas existe uma separação definida no contrato. A assistência francesa alcança estruturas, equipamentos e métodos de construção, enquanto a planta nuclear embarcada é desenvolvida pela Marinha brasileira. O próprio projeto do submarino de propulsão nuclear pertence ao Brasil, com consultoria francesa para a parte naval.

Brasil produz tecnologia do combustível e prepara reator em São Paulo

O Programa Nuclear da Marinha começou em 1979 e permitiu ao país desenvolver tecnologia para o ciclo do combustível nuclear. A instituição fornece ultracentrífugas às Indústrias Nucleares do Brasil (INB), cuja unidade em Resende (RJ) atua no enriquecimento de urânio.

No Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), a Marinha mantém o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), a unidade de hexafluoreto de urânio (USEXA) e o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). As instalações integram a preparação do combustível e da futura propulsão naval.

O LABGENE abriga o protótipo terrestre da planta de propulsão. Nele, a Marinha pretende validar o comportamento do reator e dos sistemas associados antes da instalação no submarino. Informações oficiais sobre o projeto indicam uma planta prevista de 48 megawatts térmicos; essa potência é uma característica do protótipo em desenvolvimento, não a declaração de um reator já operando no mar.

Laboratório de Enriquecimento Isotópico LEI no Centro Experimental Aramar em Iperó São Paulo
Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), em Aramar, Iperó (SP), fotografado em 2022. Foto: CTMSP / Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).

Uma visita de parlamentares a Aramar em março de 2026 incluiu as instalações de enriquecimento de urânio e o LABGENE, onde estão previstos testes integrados da propulsão.

Submarino será nuclear para navegar, mas continuará com armas convencionais

O nome ‘submarino nuclear’ pode sugerir uma embarcação armada com ogivas atômicas. No Álvaro Alberto, a energia nuclear será utilizada para movimentar o navio e alimentar seus sistemas. A página do Ministério da Defesa, atualizada em 29 de outubro de 2026, confirma que o armamento planejado será convencional, em conformidade com o compromisso constitucional brasileiro com o uso pacífico da energia nuclear.

A propulsão nuclear permite ao submarino permanecer submerso por períodos prolongados sem depender de motores a diesel que precisam de ar atmosférico. Nos submarinos convencionais, a necessidade de recarregar baterias exige aproximar-se periodicamente da superfície para utilizar o esnórquel.

Para a Marinha, a autonomia submersa amplia as possibilidades de patrulhamento e de proteção de rotas comerciais e recursos marítimos no Atlântico Sul. A duração das missões também depende de fatores como alimentos, manutenção e condições da tripulação.

Auditoria realizada em outubro acompanhou projeto e segurança do submarino

Entre 20 e 23 de outubro de 2026, a Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ) auditou o sistema de garantia da qualidade da Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN).

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Segundo o comunicado oficial da fiscalização, foram examinados procedimentos, registros e controles relacionados ao projeto, à construção da plataforma e à futura planta nuclear embarcada. A COGESN responde pelo requerimento de licenciamento da embarcação.

O acompanhamento faz parte das etapas necessárias para demonstrar a confiabilidade dos processos e a segurança nuclear. A auditoria registra fiscalização do programa em andamento; o reator e o submarino ainda precisam cumprir as próximas fases de desenvolvimento e autorização.

Submarino convencional Almirante Karam no lançamento ao mar no complexo naval de Itaguaí 2025
O submarino convencional Almirante Karam durante o lançamento em Itaguaí, em 26 de novembro de 2025. Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Quatro submarinos convencionais abriram caminho para o Álvaro Alberto

O Brasil já concluiu a construção dos quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo dentro do PROSUB. Em novembro de 2025, a Marinha incorporou o Tonelero, terceiro da série, e lançou ao mar o Almirante Karam, quarto integrante, que passou para a fase de testes.

O Álvaro Alberto representa uma etapa mais difícil: reunir a estrutura naval desenvolvida com apoio francês e a planta de propulsão atômica criada no país. O empreendimento ainda está em desenvolvimento, após anos de ajustes técnicos e de cronograma.

Com o reator sob responsabilidade brasileira, a conclusão do submarino dependerá tanto do avanço industrial em Itaguaí quanto dos testes e das autorizações para a tecnologia desenvolvida em Aramar. A Marinha pretende transformar esse trabalho em uma capacidade permanente de patrulha submarina no Atlântico Sul.

O Brasil deveria priorizar a conclusão do Álvaro Alberto mesmo diante dos custos e dos desafios técnicos? Deixe sua opinião nos comentários.

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8 Comentários
Claudionor macedo
Claudionor macedo
01/11/2026 21:22

Parabéns ao BR, até que enfim temos capacidade e tecnologia de enriquecer urânio, parabéns ao governo federal e também a nossa marinha do BR

Iceland Man
Iceland Man
01/11/2026 21:17

Não é bem assim… a verdade é que todo o projeto, tanto do casco resistente, quanto a propulsão nuclear e componentes internos, está sendo desenvolvido sob a tutela da Naval Group. A Marinha do Brasil não decide nada e o projeto está mais de 10 anos atrasado. Muito triste para nós, brasileiros.

JOAO CARLOS PIMENTEL BORGES
JOAO CARLOS PIMENTEL BORGES
01/11/2026 17:02

Temos que ir em frente sempre

Evandro Luiz Ribeiro
Evandro Luiz Ribeiro
01/11/2026 14:37

Sem discussão, estamos muito atrasados, já era para o país dominar todo o ciclo nuclear para armamentos como país soberano, que a Venezuela sirva de exemplo.

Gabriel
Gabriel
01/11/2026 13:44

Essa área nuclear nunca vai sair. O projeto já tem 45 anos e até agora nada de útil.

Marcelo Marques Costa
Marcelo Marques Costa
01/11/2026 20:55
Responder para  Gabriel

Rodoanel em SP, uma pista de 170 km, 30 anos em construção.

Ednelson
Ednelson
01/11/2026 16:59
Responder para  Gabriel

Prezados.
O segredo do sucesso é o sigilo. É uma área que exige muito cuidado com as informações.

Fernando
Fernando
01/11/2026 15:53
Responder para  Gabriel

Discordo, trabalho no projeto e está em andamento.