A Colômbia colocou em marcha a operação Esparta na fronteira com a Venezuela, com um dispositivo anunciado de aproximadamente 1.200 integrantes do Exército e da Polícia. O lançamento ocorreu em Cúcuta, onde as autoridades também prometeram unidades de fuzileiros navais para patrulhar os rios e reforços com equipamentos antidrones.
A nova fase foi apresentada na terça-feira, 3 de novembro, durante uma cerimônia na 30ª Brigada do Exército colombiano, em Norte de Santander. O ministro da Defesa, general da reserva Jorge Eduardo Mora, detalhou o efetivo previsto e a ampliação das capacidades de vigilância, segundo a agência EFE.
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A ofensiva busca enfrentar organizações armadas que operam na região do Catatumbo, próxima à divisa venezuelana. A campanha começou oficialmente depois de uma semana de patrulhas, bloqueios de fiscalização e envio de blindados para Cúcuta. A diferença agora é a ativação do plano Esparta e a confirmação de novas frentes terrestres, fluviais e tecnológicas.
Exército e Polícia somam cerca de 1.200 integrantes em nova fase
Durante a apresentação, o Ministério da Defesa colombiano informou que a campanha contará com cerca de 1.200 homens e mulheres das duas instituições. O número é conjunto: inclui policiais e militares e não representa exclusivamente soldados do Exército.
O lançamento foi realizado na praça de armas do Grupo de Cavalaria Mecanizado nº 5, na sede da 30ª Brigada. A solenidade oficializou as ordens para que os comandos militares e policiais intensifiquem as operações e compartilhem informações sobre os grupos armados.
Os novos dados ampliam o quadro divulgado em outubro. A Presidência da Colômbia havia anunciado, em 29 de outubro, a militarização temporária de Cúcuta e marcado o início de Esparta para 3 de novembro. A cidade já tinha recebido reforços terrestres antes da cerimônia.

Fuzileiros navais devem chegar para patrulhar rios estratégicos
Uma das novidades anunciadas pelo ministro Jorge Mora é a entrada de um componente de Infantaria de Marinha no dispositivo. Essas unidades deverão atuar com equipamentos para melhorar o controle dos principais rios de Norte de Santander, região atravessada por corredores fluviais utilizados por comunidades locais e por redes ilegais.
A participação naval foi anunciada como reforço de chegada próxima. Até a divulgação das informações sobre a cerimônia, não havia confirmação de que todas essas unidades já tivessem assumido posições nos rios ou de quantas embarcações seriam empregadas.
Os comandos terão de coordenar patrulhas em terra e na água, em uma região de geografia complexa, com áreas montanhosas, fronteiras movimentadas e trechos rurais afastados dos principais centros urbanos.
Equipamentos antidrones entram no planejamento da campanha
O governo colombiano também confirmou a previsão de incorporar equipamentos antidrones ao esforço de segurança. A medida responde ao emprego de aeronaves não tripuladas por organizações armadas, inclusive como instrumento de observação e ameaça a posições das forças de segurança.
A informação anunciada pelo ministro não especifica fabricantes, quantidade de unidades, sistemas de interferência ou datas de entrada em serviço. Por enquanto, o dado confirmado é a incorporação prevista dessa capacidade ao esquema operacional anunciado em Cúcuta.
Nas ruas, a campanha terá o apoio do Bloco Operacional de Segurança Urbana (BOSUR), ativado para ampliar a atuação contra organizações criminosas e crimes de grande impacto. A proposta combina fiscalização, inteligência, ações policiais e apoio de militares.
Governo concentra ordens no ELN e nas dissidências das FARC
O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, determinou que os comandos recuperem a iniciativa contra o Exército de Libertação Nacional (ELN), a Frente 33 das dissidências das FARC e outras organizações armadas que disputam o controle de áreas do Catatumbo.
Segundo a cobertura da Caracol Radio, as ordens incluem localizar lideranças desses grupos, desarticular estruturas e combater fontes de financiamento associadas à extorsão, ao sequestro e às atividades ilegais na fronteira.
O governo também anunciou o reforço da vigilância nos corredores que ligam Colômbia e Venezuela. Equipes de inteligência, investigação criminal, Exército, Polícia e autoridades de imigração devem compartilhar informações para acompanhar deslocamentos e redes que atuam dos dois lados da divisa.

Esparta estabelece cinco frentes e reforça presença no Catatumbo
Na transmissão oficial da cerimônia, o comando da operação apresentou cinco frentes: recuperação territorial; proteção da população; combate às estruturas e economias criminosas; inteligência integrada e atuação judicial; e fortalecimento de capacidades consideradas críticas.
A operação prevê trabalho conjunto das Forças Militares e da Polícia, com participação das autoridades civis e judiciais dentro de suas atribuições. O objetivo declarado é recuperar a circulação, os serviços e a segurança das comunidades afetadas pelos confrontos.
A região do Catatumbo fica diante da Venezuela, mas a ofensiva foi apresentada pelo governo colombiano como uma operação contra grupos armados ilegais em território colombiano, e não como uma ação militar contra o país vizinho.
Fronteira com a Venezuela continua sob vigilância reforçada
A decisão de militarizar Cúcuta ocorreu após uma sequência de episódios violentos no fim de outubro. O novo lançamento acrescenta um calendário operacional, uma estimativa de efetivo e planos de reforço fluvial e antidrones à presença militar que já podia ser vista na cidade.
O próximo resultado verificável será a chegada das unidades navais anunciadas, a identificação dos equipamentos empregados e os balanços concretos da campanha. Para os brasileiros que acompanham as fronteiras da América do Sul, a movimentação mostra uma nova etapa da pressão militar sobre grupos armados em um país que também faz divisa com o Brasil.