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Defesa admite falta de pessoal e R$ 12,4 milhões: sistema de guerra cibernética perde ritmo e tem entregas adiadas

Relatório oficial revela avanço abaixo da meta pelo segundo ano consecutivo e dificuldades para proteger redes estratégicas das Forças Armadas.

Defesa admite falta de pessoal e R$ 12,4 milhões: sistema de guerra cibernética perde ritmo e tem entregas adiadas
Militar do Exército Brasileiro apresenta sistemas de monitoramento durante o Exercício Guardião Cibernético 8.0, realizado em setembro de 2026. Foto: Cb Marcos / CCOMSEx — Exército Brasileiro / Agência Gov.

O Brasil não conseguiu manter o ritmo previsto para ampliar seu sistema de defesa cibernética. Um relatório oficial revela que a falta de recursos e de pessoal especializado levou ao adiamento de entregas militares, enquanto o avanço anual do programa caiu de 6,52% para 5,88%.

O problema vai além do orçamento. A Defesa reconhece dificuldades para preencher cargos e capacitar profissionais, justamente quando Exército, Marinha e Aeronáutica ampliam estruturas destinadas à proteção de redes, sistemas e informações estratégicas.

Defesa admite falta de R$ 12,4 milhões e avanço abaixo da meta pelo segundo ano

O monitoramento do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027, referente ao exercício de 2025, registra uma insuficiência de R$ 12.423.329 nos programas de defesa cibernética.

Desse valor, R$ 11,6 milhões correspondem à diferença entre o planejamento e o orçamento aprovado. Outros R$ 819 mil resultaram de contingenciamento.

A restrição financeira provocou mudanças nas prioridades. O Ministério da Defesa concentrou recursos na manutenção das capacidades existentes e reduziu o espaço para investimentos de expansão.

Além disso, a liberação parcelada do dinheiro atrasou atividades. O documento confirma que entregas previstas tiveram de ser adiadas porque os recursos disponíveis não permitiam sua execução.

O impacto aparece nos resultados do Sistema de Defesa Cibernética. Em 2024, o programa alcançou um avanço de 6,52%, abaixo da meta anual de 7%.

Em 2025, o desempenho caiu para 5,88%, novamente diante de uma meta de 7%. Isso representa uma redução de 0,64 ponto percentual no ritmo anual de implantação.

Os números não indicam perda de capacidades já instaladas. Mostram que o sistema continuou avançando, mas em ritmo inferior ao planejado.

Diante desse cenário, o Ministério também sinalizou a necessidade de alterar a meta do exercício seguinte. O registro não significa, porém, que uma nova meta já tenha sido oficialmente aprovada.

Falta de especialistas dificulta execução de projetos das Forças Armadas

Militares brasileiros e estrangeiros participam de treinamento de defesa cibernética em laboratório do Exército Brasileiro, diante de computadores.
Militares participam de exercício combinado de defesa cibernética na Escola Nacional de Defesa Cibernética, em Brasília, em setembro de 2026. Foto: Comando de Defesa Cibernética / Exército Brasileiro — Agência Gov.

O orçamento não foi o único obstáculo identificado.

O relatório reconhece insuficiência de pessoal disponível e de capacitação técnica específica, fatores que prejudicam a distribuição dos profissionais e a execução das atividades.

Para enfrentar o problema, a Defesa informou que priorizou a alocação de pessoal nas atividades principais dos projetos. Também iniciou gestões para completar os cargos previstos nos Quadros de Cargos Previstos (QCP).

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Apesar das restrições, houve avanços em 2025. Entre eles estão a ativação do Centro de Operações de Defesa Cibernética (COpDCiber), a implantação de laboratórios de treinamento e novas camadas de proteção para a rede corporativa do Exército.

O programa também contemplou melhorias na infraestrutura cibernética da Marinha e da Aeronáutica, além de cursos nacionais e internacionais para capacitação de profissionais.

Essas iniciativas integram uma estrutura que atende às três Forças Armadas e ao Ministério da Defesa, com alcance sobre redes governamentais e infraestruturas críticas do país.

Entretanto, o documento não identifica individualmente quais equipamentos ou estruturas tiveram suas entregas postergadas.

A questão financeira também exige acompanhamento em 2026. Conforme os dados oficiais de execução orçamentária até setembro, a ação de implantação do sistema possuía dotação atualizada de aproximadamente R$ 88,53 milhões, dos quais R$ 52,39 milhões haviam sido empenhados e R$ 14,83 milhões pagos.

Os pagamentos representavam 16,8% da dotação naquele momento. O percentual, isoladamente, não comprova novos atrasos, pois despesas empenhadas podem ser pagas posteriormente.

O financiamento do setor também apareceu no debate sobre o orçamento militar de 2027, que prevê R$ 64,9 milhões para a implantação do sistema.

Pesquisa da Marinha revela preocupação com carreira e permanência de especialistas

Militar da Marinha do Brasil opera sistemas eletrônicos de monitoramento diante de computadores em ambiente de operações navais.
Militar da Marinha do Brasil opera equipamentos eletrônicos de monitoramento. Pesquisa da Escola de Guerra Naval aponta desafios na formação e retenção de especialistas em defesa cibernética. Foto: Marinha do Brasil / Agência Marinha de Notícias.

Uma pesquisa apresentada à Escola de Guerra Naval em 2025 acrescenta outra dimensão ao problema: a dificuldade de manter profissionais especializados em atividades cibernéticas.

O estudo, elaborado pelo capitão de corveta Leonardo Azevedo Eduardo, analisou a formação, o emprego operacional e a retenção de pessoal na área.

Entre os 64 participantes que responderam à pergunta sobre retenção, 78,1% selecionaram uma carreira diferenciada para especialistas como medida para favorecer sua permanência na Marinha.

Outros 60,9% apontaram a ampliação de cursos e intercâmbios. Já 56,2% escolheram incentivos financeiros específicos.

Os resultados refletem as percepções dos profissionais consultados, não uma posição institucional de toda a Marinha.

Um dos depoimentos revela uma dificuldade concreta. Em organizações militares afastadas das principais sedes, profissionais de tecnologia da informação podem acumular atividades técnicas, escalas de serviço e outras funções militares.

Segundo o participante, essa sobrecarga prejudica os serviços de informática e a correção de vulnerabilidades nos sistemas.

O relato reforça uma preocupação presente na pesquisa: formar especialistas não basta quando a organização enfrenta dificuldades para mantê-los dedicados às atividades que exigem seus conhecimentos.

Em setembro de 2026, o Brasil reuniu cerca de 1.300 participantes no Exercício Guardião Cibernético 8.0, com simulações de ameaças a setores estratégicos, como energia, transportes e comunicações.

A mobilização demonstra o esforço de treinamento e integração das instituições. Ao mesmo tempo, os documentos oficiais revelam obstáculos para sustentar a expansão dessa capacidade.

O desafio da defesa cibernética brasileira não se resume à aquisição de equipamentos. Também envolve manter profissionais qualificados, assegurar recursos e cumprir os prazos de implantação de sistemas que protegem informações e estruturas essenciais.

O Ministério ainda não detalhou quantos cargos especializados precisam ser preenchidos nem quais entregas adiadas em 2025 já foram concluídas.

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