A Embraer escolheu uma empresa holandesa para ajudar a manter em condições de voo os aviões militares C-390 Millennium que a Holanda comprou do Brasil. Anunciada em 3 de novembro de 2026, a nomeação da Fokker Services Group como Centro de Serviço Autorizado acrescenta uma etapa menos visível, mas decisiva, à exportação do cargueiro brasileiro: a preparação de equipes, oficinas e suporte para os anos em que a aeronave estará em operação na Europa.
A encomenda holandesa prevê cinco C-390. O primeiro deve chegar ao país no fim de 2027, segundo informações do Ministério da Defesa dos Países Baixos. A parceria de suporte, portanto, foi anunciada antes do início das entregas, em um momento em que a Força Aérea holandesa já prepara tripulações e estruturas para substituir sua frota de C-130 Hercules. A assinatura comercial não representa entrega antecipada dos aviões.
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O novo parceiro não fabricará o C-390: vai ajudar a mantê-lo disponível
O acordo designa a Fokker como prestadora autorizada de manutenção e suporte para a frota holandesa. A empresa fornecerá assistência técnica e operacional no país, inclusive com profissionais presentes no local, conhecidos no setor como Field Service Representatives, ou representantes de serviço de campo. Esses especialistas trabalham junto às equipes de um operador para resolver problemas, apoiar a incorporação de equipamentos e facilitar a transição para um modelo novo.
A nomeação foi confirmada separadamente em comunicados da Embraer e da Fokker Services Group, publicados no mesmo dia, em Hoofddorp, nos Países Baixos. Roland van Dijk, executivo-chefe da Fokker, disse que o acordo reconhece a capacidade técnica da organização e amplia os serviços oferecidos a clientes militares. Pela Embraer Defesa & Segurança, Frederico Lemos destacou a ampliação da parceria de longo prazo com o cliente europeu.
Para uma Força Aérea, manter aviões disponíveis envolve mais do que reparar uma peça quebrada. Requer planejamento de inspeções, ferramentas, pessoal habilitado, documentação, gestão de componentes e uma cadeia de suprimentos capaz de responder a problemas depois de centenas de horas de voo. O papel anunciado para a Fokker se encaixa nessa estrutura de apoio; o detalhamento de todas as tarefas contratadas e o valor financeiro não foram divulgados.
A Holanda comprou cinco unidades e espera receber as primeiras em 2027
O C-390 integrará a substituição dos C-130 Hercules holandeses, aeronaves de transporte militar com décadas de serviço. A encomenda foi formalizada em 2024 e se transformou em um projeto conjunto com outros países europeus. Holanda, Áustria e Suécia reúnem 13 aeronaves no arranjo comunicado pelo Ministério da Defesa holandês: cinco para os Países Baixos e quatro para cada um dos parceiros.
O governo holandês informou que a produção do primeiro aparelho destinado ao país começou em novembro de 2025. O processo ocorre no Brasil, com montagem de estruturas, instalação de sistemas e testes antes da entrega. O cronograma oficial aponta o primeiro C-390 para o fim de 2027 e as unidades restantes de forma escalonada até 2029, conforme as atualizações mais recentes publicadas pela Defesa holandesa.

A compra conjunta procura reduzir custos de treinamento, manutenção e operação. Com aviões de configuração semelhante, as Forças Aéreas podem compartilhar conhecimentos e organizar missões com menos adaptações. A Holanda atua como país líder nas negociações do projeto, enquanto as aeronaves continuam sendo produtos da indústria brasileira.
Um cargueiro de 26 toneladas de capacidade precisa cumprir missões muito diferentes
A Embraer informa capacidade de transportar até 26 toneladas de carga, com velocidade divulgada de aproximadamente 470 nós. O avião pode levar materiais, tropas e veículos, realizar lançamentos por paraquedas, apoiar evacuação médica, operações de busca e salvamento e missões humanitárias. Com equipamento específico instalado, pode atuar também em reabastecimento aéreo.
Essa diversidade torna o trabalho de suporte especialmente importante. Um cargueiro em missão humanitária pode operar com outras configurações de cabine e equipamentos de carga em comparação com um aparelho empregado no transporte de tropas. A disponibilidade operacional precisa contemplar as diferentes tarefas previstas, não apenas um voo sem carga de uma base para outra.
A Holanda também adquiriu equipamentos para transformar suas aeronaves em plataformas de evacuação aeromédica. Em junho de 2025, o Ministério da Defesa anunciou contêineres médicos, paletes e suportes para aparelhos de saúde, com integração e certificação a cargo da Embraer. O exemplo mostra como os C-390 precisam receber preparação e suporte para missões que vão além de transportar caixas no compartimento de carga.
O nome Fokker tem história na aviação; a empresa atual presta serviços de engenharia
O nome Fokker é reconhecido mundialmente pela história da fabricação de aeronaves, mas a organização escolhida pela Embraer atua hoje como provedora independente de serviços aeroespaciais. A Fokker Services Group descreve instalações na Europa, Ásia e Américas e atividades que incluem modificações de engenharia, reparos de componentes, suprimentos e serviços de manutenção de estruturas.
Sua participação no C-390 reforça um ponto central para fabricantes de aviões militares: vender o aparelho é apenas a primeira parte do relacionamento com um cliente. A frota precisa continuar voando durante muitos anos, mesmo quando o fabricante está a milhares de quilômetros. A capacidade de montar uma rede de apoio em diferentes países influencia a confiança dos operadores e a rotina dos esquadrões.

Para o Brasil, o negócio abre espaço para uma cadeia internacional de serviços em torno de um produto projetado e construído pela Embraer. Essa cadeia pode envolver fornecedores locais, treinamento e engenharia nos países clientes, mas o comunicado de novembro não permite estimar empregos ou faturamento decorrentes especificamente da nova nomeação.
A primeira entrega ainda está no futuro; o suporte começa a ser preparado agora
O primeiro C-390 holandês está no calendário de entregas a partir de 2027. Antes que isso aconteça, pilotos precisam ser treinados, técnicos familiarizados com os sistemas e oficinas preparadas para atender o novo avião. O papel da Fokker anunciado em 3 de novembro se concentra justamente nessa passagem entre a compra e a vida operacional da frota.
Haverá novos marcos a acompanhar: conclusão da fabricação, testes de aceitação, chegada das aeronaves à Holanda e entrada efetiva em missões. A parceria de manutenção está anunciada e confirmada pelas duas empresas; os resultados aparecerão quando os C-390 precisarem cumprir suas primeiras tarefas sob comando holandês. É nesse momento que o avião brasileiro deixará de ser apenas uma encomenda no papel para integrar, com apoio local, a rotina de uma Força Aérea europeia.