Peru apresenta ao Congresso um orçamento que amplia em quase quatro vezes os recursos destinados a projetos militares, prioriza a modernização da Força Aérea e da Marinha e reforça a aquisição de equipamentos sul-coreanos, enquanto o Brasil enfrenta dificuldades para financiar seus programas estratégicos.
O Peru pretende quadruplicar os investimentos militares em 2027, com um aumento de 283% nos recursos destinados a projetos de defesa. Enquanto o Brasil discute a ampliação do financiamento das Forças Armadas e enfrenta restrições orçamentárias, o país vizinho apresentou um plano que prevê bilhões de soles para modernizar aeronaves, navios, instalações militares e capacidades operacionais.
Segundo informações publicadas pelo BioBioChile, os recursos para projetos de investimento militar passariam de 665 milhões de soles em 2026 para 2,548 bilhões de soles em 2027, um acréscimo de aproximadamente 1,883 bilhão de soles.
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O aumento não representa a quadruplicação de todo o orçamento do Ministério da Defesa peruano, mas especificamente dos recursos destinados a investimentos. A proposta ainda depende de aprovação legislativa.
Exército peruano aposta em 30 blindados Hyundai Rotem 8×8 e amplia parceria com a Coreia do Sul

Um dos principais exemplos da modernização militar peruana está na aquisição de 30 veículos blindados K808 White Tiger, de fabricação sul-coreana, destinados ao Exército.
Os veículos possuem tração 8×8, capacidade anfíbia e foram desenvolvidos para transportar tropas com proteção blindada e mobilidade em diferentes terrenos.
A aquisição integra uma parceria entre o Exército peruano, a fabricante Hyundai Rotem e a estatal Fábrica de Armas e Munições do Exército (FAME).
Segundo a FAME, seis unidades foram apresentadas durante o desfile militar de julho de 2026, enquanto o lote completo de 30 veículos tem entrega prevista para o primeiro trimestre de 2027.
A cooperação também contempla oportunidades de fornecimento de veículos táticos 4×4 e negociações para futuros carros de combate K2, ampliando a presença da indústria de defesa sul-coreana no país.
Marinha e Força Aérea recebem prioridade no orçamento de 2027

O reforço financeiro também alcança dois programas considerados estratégicos pelo governo peruano: a recuperação da capacidade de combate aéreo e a modernização da força naval.
Na aviação militar, os investimentos estão relacionados à renovação dos meios de combate, incluindo o programa de aquisição de aeronaves F-16 e a recuperação da capacidade operacional na região de La Joya, em Arequipa.
Na Marinha, o planejamento contempla a recuperação da força de superfície e a segunda fase do Plano Diretor da Base Naval de Callao, principal complexo naval do país.
A iniciativa busca modernizar instalações, ampliar a capacidade de manutenção e fortalecer a infraestrutura necessária para operar novos meios navais.
O avanço dessas iniciativas demonstra que o Peru pretende combinar aquisição de equipamentos com investimentos em infraestrutura e manutenção. Comprar novos armamentos é apenas uma etapa da modernização militar; mantê-los operacionais exige recursos contínuos.
Enquanto o Peru amplia investimentos, Brasil enfrenta dificuldades para financiar a Defesa
A movimentação peruana ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta obstáculos para transformar seus projetos militares em investimentos efetivos.
Uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em agosto de 2026, apontou que aproximadamente 77,7% dos gastos brasileiros com defesa em 2025 foram destinados a pessoal ativo, inativos e pensionistas.
Essa composição reduz a parcela disponível para aquisição de equipamentos, modernização tecnológica e execução de programas estratégicos.
O Brasil possui projetos relevantes, como a construção das fragatas da classe Tamandaré, o programa de submarinos da Marinha e a modernização dos meios da Força Aérea e do Exército. A continuidade dessas iniciativas, entretanto, depende da disponibilidade e da regularidade dos recursos.
O contraste com o Peru não significa que o país vizinho esteja investindo mais do que o Brasil em valores absolutos. A diferença está no ritmo de crescimento proposto para os investimentos militares e nas prioridades estabelecidas para 2027.
A proposta peruana também provocou manifestações no Chile. Seis ex-ministros da Defesa chilenos citaram expressamente as aquisições militares do Peru ao defender a manutenção dos recursos destinados às Forças Armadas de seu país.
Com isso, a modernização peruana passou a integrar uma discussão regional sobre investimentos militares na América do Sul.
O próximo passo será a decisão do Congresso peruano sobre o orçamento de 2027. Se aprovado, o plano poderá ampliar significativamente a capacidade de investimento das Forças Armadas do país.
Enquanto países vizinhos avançam na aquisição de blindados, navios e aeronaves, o desafio brasileiro permanece: garantir que os programas estratégicos de defesa tenham financiamento suficiente para sair do planejamento e chegar às unidades militares.