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Empresário quer tirar batalhão do Exército de área de 500 hectares em Petrolina e transferi-lo para a zona rural, a 100 km do centro urbano

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 01/11/2026 às 15:21
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Empresário quer tirar batalhão do Exército de área de 500 hectares em Petrolina e transferi-lo para a zona rural, a 100 km do centro urbano
Área ocupada pelo 72º Batalhão de Infantaria em Petrolina virou centro de debate após empresário defender a transferência da unidade para uma região rural a 100 quilômetros da cidade. Foto: Divulgação/Redes sociais

Empresário do setor imobiliário questiona a permanência do 72º Batalhão de Infantaria em uma das maiores áreas verdes de Petrolina. Proposta de transferência abre discussão sobre expansão urbana, preservação da Caatinga e importância estratégica da unidade militar.

O empresário Diogo Lima, conhecido como Diogo Catavento, defendeu a retirada de um batalhão do Exército Brasileiro de uma área de aproximadamente 500 hectares no centro de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. A sugestão é transferir a unidade militar para a zona rural, a cerca de 100 quilômetros do centro urbano, liberando uma extensa área que hoje faz parte da estrutura militar da cidade.

A manifestação foi feita em publicações nas redes sociais, acompanhadas de imagens aéreas do terreno ocupado pelo 72º Batalhão de Infantaria, tradicional organização militar especializada em operações na Caatinga.

Segundo reportagem publicada pelo Edenevaldo Alves, o empresário questionou a necessidade de manter o quartel naquela localização.

“Será que somente eu acho que esse Batalhão já deveria ter saído daí? Entendo que é segurança nacional. Mas tudo precisa evoluir…”, escreveu.

A declaração abriu uma discussão que ultrapassa os limites do terreno. De um lado está a possibilidade de reorganizar o espaço urbano de Petrolina. Do outro, a preservação de uma área de Caatinga e a permanência de uma unidade que integra a história militar da região há mais de cinco décadas.

Empresário questiona por que o Exército continua ocupando área tão extensa em Petrolina

O principal argumento apresentado por Diogo Catavento é que a localização do batalhão já não corresponderia às necessidades atuais de uma cidade em expansão.

Em uma das manifestações, afirmou que áreas destinadas ao treinamento militar deveriam permanecer afastadas dos centros urbanos.

Imagem: Divulgação/Redes sociais

“Área de treinamento deve ser distante da cidade. Isso perdeu a finalidade a muito tempo!”, declarou o empresário.

A proposta é levar a estrutura militar para uma região rural situada a aproximadamente 100 quilômetros de Petrolina.

O terreno mencionado tem dimensão expressiva. São cerca de cinco milhões de metros quadrados, uma extensão que ajuda a explicar o interesse despertado pela localização da unidade.

A manifestação do empresário, porém, não equivale a um projeto oficial de transferência. As informações divulgadas tratam de uma proposta apresentada nas redes sociais, e não de uma decisão administrativa do Comando do Exército.

O batalhão está em Petrolina há mais de 50 anos e abriga uma estrutura especializada em combate na Caatinga

A instalação militar tem uma trajetória que começou muito antes do crescimento urbano observado nas últimas décadas.

O 72º Batalhão de Infantaria Motorizado foi criado em 1º de janeiro de 1975 e ficou conhecido por sua especialização nas condições operacionais do semiárido brasileiro.

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Sua importância ganhou uma nova dimensão com o desenvolvimento do Centro de Instrução de Operações na Caatinga (CIOpC), instituído em 2005.

A Universidade Federal do Vale do São Francisco já destacou a trajetória da unidade e seu papel na formação de militares especializados em operações nesse ambiente.

O treinamento exige conhecimentos que vão muito além do combate convencional. Inclui sobrevivência em ambiente de calor intenso, deslocamentos por vegetação espinhosa, orientação no terreno e adaptação à escassez de recursos naturais.

É justamente nesse ponto que a discussão sobre transferência ganha uma dimensão militar: mudar um batalhão não significa apenas construir outro quartel. Envolve instalações, efetivos, logística, infraestrutura de instrução e capacidade de manter as atividades operacionais.

Área militar também preserva vegetação nativa e abriga o Parque Zoobotânico da Caatinga

A discussão sobre o futuro do terreno envolve outro patrimônio importante de Petrolina: a vegetação nativa preservada dentro da área militar.

O complexo abriga o Parque Zoobotânico da Caatinga, utilizado em atividades de educação ambiental e no conhecimento da fauna e flora características do semiárido.

O espaço também funciona como apoio às instruções militares, permitindo que os alunos conheçam as condições naturais do ambiente em que serão preparados para operar.

O debate ambiental surge porque a eventual saída do Exército não garantiria, por si só, a preservação do terreno.

Uma mudança de destinação da área exigiria discutir o futuro da vegetação, as restrições ambientais e as possibilidades de ocupação urbana.

A substituição de grandes extensões de cobertura vegetal por construções e pavimentação poderia alterar as condições ambientais locais, especialmente em uma cidade submetida a temperaturas elevadas durante boa parte do ano.

Exército já possui campo de instrução afastado de Petrolina

Há um detalhe importante no debate: o Exército já utiliza uma área de treinamento fora do perímetro urbano.

O Centro de Instrução Fazenda Tanque do Ferro, situado na região de Jutaí, possui mais de 2.800 hectares e fica a aproximadamente 110 quilômetros de Petrolina.

O local recebe atividades relacionadas à formação do combatente de Caatinga, em condições próximas às encontradas nas operações militares desenvolvidas no semiárido.

Isso introduz uma distinção importante: o batalhão possui instalações na cidade, mas parte de seu treinamento especializado já acontece em uma região afastada.

A existência desse campo de instrução, entretanto, não significa que toda a estrutura administrativa e operacional do batalhão possa ser transferida automaticamente para o mesmo local.

O futuro dos 500 hectares coloca desenvolvimento urbano e preservação ambiental frente a frente

A proposta de Diogo Catavento trouxe à discussão uma pergunta mais ampla sobre o planejamento de Petrolina: como conciliar o crescimento urbano com instalações militares históricas e áreas ambientalmente relevantes?

Para o setor imobiliário, terrenos extensos localizados dentro das cidades podem representar oportunidades de expansão. Para a defesa nacional, instalações militares precisam atender a critérios operacionais e logísticos que não dependem apenas de sua valorização urbana.

Existe também a questão ambiental. A área ocupada pelo 72º Batalhão preserva parte da paisagem natural da Caatinga, patrimônio cuja conservação precisa ser considerada em qualquer discussão sobre o futuro do terreno.

Por enquanto, a transferência permanece no campo da sugestão pública apresentada pelo empresário. Uma mudança efetiva dependeria de avaliações militares, administrativas, patrimoniais e ambientais.

O debate revela uma situação pouco comum: uma área de aproximadamente 500 hectares, mantida há décadas sob administração militar, passou a ser discutida não apenas por sua importância para o Exército, mas pelo que pode representar para o futuro de Petrolina.

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16 Comentários
Pedro Weber
Pedro Weber
01/11/2026 19:25

Qual o real interesse desse empresário?
A unidade militar mantém protegida área de relevância ambiental. Será que a sanha imobiliária iria preserva-la?
Já sabemos a resposta.

Gallo
Gallo
01/11/2026 19:16

É só TIRAR À FORÇA !!!! 💪💪💪

Silvio
Silvio
01/11/2026 18:37

Ja pensaram o que seria se os moradores de New York tivessem pensado como esse senhor de Petrolina ??? Não haveria para as novas gerações o Central Park!!! Onde no meio do concreto e caos urbano ainda podem curtir um pouco da natureza…..esse senhor tem visão estreita e imediata….pensa somente no agora. As novas gerações de Petrolina merecem o verde!!

Adriano Alves da Silva
Adriano Alves da Silva
01/11/2026 18:02

Querendo o terreno do Exército para ganhar dinheiro, só pensam nisso as ienas do século XXI.

Wilson de Almeida Júnior
Wilson de Almeida Júnior
01/11/2026 17:47

Esse General Catavento tem qtas Divisões? Kkkk
Cada idiota que me aparece. Antes o Quartel era isolado as pessoas, procurando segurança alimentar, saúde, física é que foram construindo suas moradias próximo ao Quartel. É a opinião de um idiota,ó

Ferreira
Ferreira
01/11/2026 15:55

Absurdo a ganância da destruição do que bem querem como se fossem os donos do 🌍. Não pensam em ecossistemas ,etc. É só $$$$$ ,o meio ambiente, etc que 💥 . Deixem o Exército em Paz.

Silvio Salvador Spósito
Silvio Salvador Spósito
01/11/2026 18:45
Responder para  Ferreira

Concordo plenamente, Ferreira. Parabéns.

Dari
Dari
01/11/2026 16:54
Responder para  Ferreira

Mas eu dou minha sugestão é fácil este empresário DIOGO LIMA que compre 500 hectares na área rural que ele cita na reportagem so deixar arvorizada com a estrutura que o batalhão tem na área