A Marinha do Brasil tem R$ 162,36 milhões previstos no orçamento federal de 2026 para a construção de navios-patrulha de 500 toneladas, enquanto o programa de renovação dessa frota ainda mantém a maior parte das embarcações na fila. O plano de obtenção reúne 11 navios em duas linhas de construção. Até agora, duas unidades dessa etapa foram entregues, uma está em fabricação e outras oito dependem da passagem do projeto à construção.
O contraste ficou mais visível após a incorporação do Navio-Patrulha Mangaratiba (P73), em 30 de outubro de 2026. O novo meio entrou em serviço para atuar na região da foz do Amazonas e da Margem Equatorial, mas a Marinha ainda precisa concluir o Miramar e transformar os planos de uma nova classe nacional em contratos, obras e entregas.
Os R$ 162.360.344 constam da Lei Orçamentária Anual na ação 1N47, sob responsabilidade do Fundo Naval. A quantia é uma autorização orçamentária para o exercício, e não o preço das 11 embarcações nem a comprovação de que todos os contratos já tenham sido assinados.
Lei prevê R$ 162,36 milhões, enquanto relatório registrava R$ 1,5 milhão pago em março
A lei do orçamento de 2026 identifica a ação como Construção de Navios-Patrulha de 500 toneladas. É uma rubrica específica do programa de defesa nacional, com recursos associados ao Fundo Naval.
Um relatório de acompanhamento da própria Marinha, fechado em 30 de março de 2026, registrava R$ 39.896.011,79 empenhados, R$ 2.117.168,71 liquidados e R$ 1.499.680,60 pagos na ação. O balanço também apresentava R$ 15,51 milhões em pagamentos de restos a pagar, referentes a compromissos de exercícios anteriores.
Naquele retrato do primeiro trimestre, a dotação informada no acompanhamento do projeto era de R$ 39,9 milhões. O levantamento mostra uma fase específica da execução, anterior à incorporação do Mangaratiba em outubro. O orçamento anual e os empenhos, liquidações e pagamentos representam etapas distintas do gasto público e não podem ser tratados como valores equivalentes.
Maracanã chegou em 2022 e Mangaratiba entrou em serviço em outubro de 2026
A primeira entrega da etapa de retomada da construção no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro foi o Maracanã (P72), incorporado em dezembro de 2022. Quatro anos depois, em 30 de outubro de 2026, a Marinha recebeu o Mangaratiba (P73), quarto representante da Classe Macaé e segundo navio entregue dentro do conjunto de três construções previstas nessa fase do PRONAPA.
A incorporação do Mangaratiba ocorreu no Arsenal de Marinha, com desembarque dos profissionais responsáveis pela obra, embarque da primeira tripulação e transferência ao setor operativo. A embarcação passa a reforçar o 4º Distrito Naval, sediado em Belém, responsável por áreas estratégicas do Norte.
Com 54,2 metros de comprimento, deslocamento de aproximadamente 500 toneladas e raio de ação próximo de 2.500 milhas náuticas, o P73 pode patrulhar áreas marítimas e fluviais. A bordo estão sistemas nacionais de comando, controle e comunicações, destinados a apoiar operações de fiscalização, busca e salvamento e proteção de instalações marítimas.
Miramar é construído em blocos de aço e tem lançamento previsto para 2028
O próximo navio da Classe Macaé, o Miramar (P74), segue em obras no mesmo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. A construção teve início com o batimento de quilha em 28 de novembro de 2024, quando um bloco estrutural de 11 toneladas foi posicionado para receber as demais seções do casco.

O projeto utiliza um sistema de montagem em blocos, com 16 seções previstas para formar a estrutura do navio. Esse método permite distribuir etapas de fabricação e instalação de sistemas. A previsão mais recente divulgada pela Marinha é de lançamento em 2028, antes das etapas posteriores necessárias à entrada em serviço.
A experiência com o Mangaratiba deverá ser aproveitada no P74, inclusive na integração de equipamentos e nos processos de montagem. Segundo a Marinha, os dois projetos mobilizam aproximadamente 250 profissionais, entre militares e trabalhadores de empresas contratadas.
Documento da Marinha já apontava avanço do Miramar abaixo da meta trimestral
No relatório referente ao primeiro trimestre de 2026, a Marinha informou que o Miramar deveria avançar 9,33 pontos percentuais na etapa, mas alcançou 6,7 pontos percentuais. O resultado representou 71,8% do progresso planejado para aquele trimestre.
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O acompanhamento também registrou uma diferença entre os dois navios: o Mangaratiba teve execução física superior à meta do período, enquanto o Miramar avançava mais lentamente. A explicação apresentada era a utilização de uma mesma força de trabalho nos dois projetos, com prioridade para concluir o P73 ainda em 2026.

Esses percentuais descrevem o primeiro trimestre, não o estágio integral do Miramar em novembro. A entrega do Mangaratiba, concluída meses depois, representa um novo marco e abre espaço para que a construção do P74 se torne o foco da linha de montagem.
Oito novos navios brasileiros continuam no planejamento e três terão capacidade contra minas
O PRONAPA reúne duas frentes diferentes. A primeira envolve três navios da Classe Macaé na retomada da produção do Arsenal: Maracanã, Mangaratiba e Miramar. A segunda prevê oito unidades do NPa500BR, projeto brasileiro de patrulheiro de 500 toneladas desenvolvido pelo Centro de Projetos de Sistemas Navais e gerenciado pela Emgepron.
Segundo o Relatório de Gestão de 2025, o desenho preliminar do NPa500BR foi finalizado e a Marinha solicitou proposta comercial para a construção do primeiro lote. Três das oito unidades planejadas deverão contar com capacidade de contramedidas de minagem, destinada a enfrentar ameaças de minas navais.
O desenvolvimento nacional prevê adaptações próprias para as missões de patrulha, proteção de plataformas de petróleo e gás, fiscalização e salvamento. Essa segunda família de navios ainda exige novas etapas industriais e financeiras para sair da documentação técnica e chegar ao mar.
Três navios receberam prioridade de financiamento, mas ainda precisam avançar até os contratos
Em julho de 2026, o Fundo da Marinha Mercante aprovou uma carteira de projetos que incluiu a construção de três NPa500BR conduzida pela Emgepron. Foi uma etapa de prioridade para financiamento, distinta da assinatura de contratos de construção ou da entrega das embarcações.
O lote faz parte do planejamento mais amplo de oito patrulheiros brasileiros. A definição dos estaleiros, as contratações e os cronogramas industriais serão decisivos para estabelecer quando essas unidades poderão começar a ser fabricadas.
A dotação de R$ 162,36 milhões no orçamento do Fundo Naval e o financiamento discutido no âmbito do Fundo da Marinha Mercante têm natureza e mecanismos diferentes. Somar esses valores como se fossem uma única compra concluída produziria uma conta enganosa sobre os navios efetivamente adquiridos.
Próximos passos envolvem o Miramar, novos contratos e proteção das águas brasileiras
Além do patrulhamento, os navios de 500 toneladas participam de inspeções, missões de busca e salvamento e proteção de áreas econômicas no litoral. A foz do Amazonas e a Margem Equatorial estão entre os espaços estratégicos para a atuação do Mangaratiba; outros patrulheiros são distribuídos conforme as necessidades dos Distritos Navais.
Os próximos marcos do programa serão o avanço das obras do Miramar, previsto para lançamento em 2028, e a transformação das propostas de construção do NPa500BR em contratos e embarcações prontas. O novo orçamento oferece recursos para a continuidade da construção, enquanto o calendário das próximas entregas dependerá da execução financeira e industrial.