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EUA desembarcam avião C-17 e dois Black Hawk na Colômbia para mobilização com quase 800 militares, e chegada reacende polêmica sobre tropas estrangeiras no país vizinho ao Brasil

Um C-17 dos EUA levou dois helicópteros Black Hawk à Colômbia, que recebe cerca de 350 militares americanos e mais de 400 colombianos. O desembarque abre debate político e tem ligação histórica com o Brasil.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 01/11/2026 às 10:50
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EUA desembarcam avião C-17 e dois Black Hawk na Colômbia para mobilização com quase 800 militares, e chegada reacende polêmica sobre tropas estrangeiras no país vizinho ao Brasil
Militares trabalham no desembarque de um helicóptero UH-60 Black Hawk de um avião de transporte C-17 Globemaster III. Os Estados Unidos mobilizaram mais de 300 militares para atividades conjuntas com o Exército colombiano até 11 de novembro. Imagem: USEmbassyBogota.

Um avião militar C-17 Globemaster III dos Estados Unidos desembarcou dois helicópteros Black Hawk na Colômbia, enquanto cerca de 350 soldados americanos se preparavam para atuar ao lado de mais de 400 colombianos. O movimento reúne aeronaves, veículos e equipamentos de guerra em um país que compartilha a fronteira amazônica com o Brasil.

As primeiras imagens da chegada foram divulgadas em 30 de outubro e mostram a movimentação no Forte Militar de Tolemaida, em Nilo, na região central colombiana. O contingente estrangeiro integra uma operação de treinamento prevista até novembro, mas sua presença já provocou discussões políticas sobre os limites para a entrada de militares dos EUA no território colombiano.

A movimentação tem ainda uma ligação pouco lembrada com o Brasil. A mesma série de treinamentos comandada pelos Estados Unidos reuniu cerca de 1.300 militares brasileiros e americanos na Amazônia em 2023, com atividades em Macapá, Belém e Oiapoque.

Cargueiro de 77,5 toneladas levou dois Black Hawk para a Colômbia

O desembarque em Tolemaida teve como protagonista o C-17 Globemaster III, avião de transporte estratégico da Força Aérea americana. Segundo a Caracol Radio, o cargueiro trouxe dois UH-60L Black Hawk, helicópteros preparados para levar tropas, transportar equipes de resgate e realizar evacuações aeromédicas.

O avião consegue transportar cargas de até 77,5 toneladas. Cada Black Hawk da versão enviada possui dois motores de aproximadamente 1.900 cavalos de potência e pode operar em missões que exigem desembarque rápido de militares e retirada de pessoas em áreas de difícil acesso.

Mas o aparato não se resume aos helicópteros. Uma apuração da revista colombiana Semana revelou que o planejamento logístico previa três veículos militares táticos, cinco contêineres com suprimentos, um caminhão-oficina e uma unidade de geração de energia. A operação também envolve pessoal de manutenção e apoio.

A instalação escolhida, Tolemaida, fica no departamento de Cundinamarca, no interior da Colômbia. Os aviões desembarcaram longe da fronteira brasileira, mas dentro de um país que faz parte da mesma região amazônica do Brasil.

Quase 800 militares serão reunidos e americanos iniciam nova fase em novembro

O Exército dos Estados Unidos informou que a mobilização prevê aproximadamente 800 participantes, sendo cerca de 350 americanos e mais de 400 colombianos. A programação combina deslocamentos de campo, preparação de comandantes e operações simuladas de segurança terrestre, interdição marítima e defesa cibernética.

Os anúncios dos dois governos usam calendários e denominações diferentes. A Colômbia apresentou a atividade como Vanguardia del Sur 2026, com movimentações iniciadas em 27 de outubro e encerramento previsto em 11 de novembro. Já o Exército americano a identifica como Southern Vanguard 2027 e marca o começo da etapa principal para 2 de novembro de 2026.

Helicóptero UH-60 Black Hawk utilizado por tropas dos Estados Unidos e da Colômbia durante o Southern Vanguard em Tolemaida, em novembro de 2022
Imagem de arquivo de novembro de 2022 mostra um helicóptero Black Hawk durante treinamento conjunto em Tolemaida, na Colômbia. A fotografia pertence a uma edição anterior do Southern Vanguard, não ao desembarque de outubro de 2026. Foto: Sgt. 1st Class Alan Brutus/U.S. Army South/DVIDS.

Na preparação, as equipes planejaram uma evacuação médica entre Tolemaida e a Escola de Cavalaria, em Bogotá. O roteiro reproduz o atendimento a um militar ferido em área minada e a remoção até uma estrutura de saúde. Outras atividades incluem reação a drones e procedimentos conjuntos de comunicação.

Presença de soldados americanos abre disputa política sobre autorização do Congresso

A chegada dos militares ocorre em meio a uma discussão constitucional na Colômbia. Parlamentares oposicionistas questionam se a entrada de tropas estrangeiras deveria receber aprovação prévia do Senado. O governo colombiano sustenta que atividades temporárias de treinamento não exigem a mesma autorização aplicável a operações militares.

Segundo reportagem do El País, uma decisão do Conselho de Estado de 2020 diferenciou missões de instrução e assessoria, sem participação em operações, de situações que exigem autorização parlamentar. A oposição mantém críticas à presença militar americana, enquanto aliados do governo defendem a cooperação com Washington.

Os militares participam do treinamento com unidades do Exército colombiano, incluindo o Batalhão Contra o Narcotráfico nº 1. Os americanos enviaram integrantes de infantaria leve de uma unidade especializada em operações de montanha.

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Brasil já recebeu mais de 300 americanos e mobilizou mil soldados na Amazônia

O programa que agora movimenta militares na Colômbia tem precedente direto em território brasileiro. Entre 6 e 16 de novembro de 2023, a edição denominada Southern Vanguard 2024 reuniu mais de 300 militares dos Estados Unidos e mais de 1.000 integrantes do Exército Brasileiro, segundo o Comando Sul americano.

Naquela ocasião, as tropas atuaram na Amazônia, com atividades em Belém, Macapá e Oiapoque. Foram realizados treinamentos de infiltração, assalto aéreo e operações terrestres. Em 2025, outra edição da série ocorreu no Chile, com participação de militares de países da região.

Soldados brasileiros e americanos armados e em formação no Southern Vanguard 24 em Macapá, Amapá, em 6 de novembro de 2023
Militares do Exército Brasileiro e dos Estados Unidos participam da abertura do Southern Vanguard 24 em Macapá, no Amapá, em 6 de novembro de 2023. A edição brasileira reuniu mais de 1.300 participantes dos dois países. Foto: Spc. Joshua Taeckens/U.S. Army South/DVIDS.

A comparação revela a escala das ações: a edição brasileira mobilizou aproximadamente 1,3 mil militares, enquanto a atual programação na Colômbia reúne cerca de 800. A cooperação entre os Estados Unidos e diferentes exércitos sul-americanos antecede o deslocamento visto agora em Tolemaida.

Na fronteira com a Colômbia, Brasil autorizou patrulhamento com embarcação blindada

Na mesma semana da chegada dos helicópteros americanos à Colômbia, o governo brasileiro anunciou uma medida própria de segurança em Tabatinga, no Amazonas. O Ministério da Justiça autorizou o emprego da Força Nacional em apoio à Polícia Federal, conforme a Portaria nº 1.313, de 22 de outubro.

Segundo o Ministério da Justiça, o planejamento inclui patrulhas terrestres, fiscalização na fronteira seca e policiamento fluvial na tríplice fronteira de Brasil, Colômbia e Peru. Estão previstas duas embarcações, uma delas blindada.

A ação brasileira é uma iniciativa independente de segurança pública na fronteira amazônica. Já a programação entre Estados Unidos e Colômbia concentra suas atividades militares em Tolemaida e terá uma nova etapa a partir de 2 de novembro, com conclusão prevista em meados do mês.

O desembarque de cargueiros, helicópteros e centenas de soldados americanos em mais um país sul-americano merece acompanhamento. Como essa movimentação deve influenciar a cooperação militar na região? Deixe sua opinião nos comentários.

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3 Comentários
REGINALDO DA SILVA SPOSITO
REGINALDO DA SILVA SPOSITO
01/11/2026 19:26

Na minha opinião, o Brasil tem que se preparar.
Tá muito estranho esse treinamento.

Marcos Max
Marcos Max
01/11/2026 16:28

Seria bom pois os cartéis colombianos estão a espreita nas fronteiras brasileiras ou seja cada vez mais vão se evadir para fronteiras brasileiras.

Sergio Roberto Krupovchi
Sergio Roberto Krupovchi
01/11/2026 15:49

Se defendem a nossa soberania, então deixem que a Colômbia defenda a sua. Não dê opiniões, a Colômbia sabe o que fazer. Lá eles deverão acabar com as quadrilhas de ladrões, traficantes de cocaina, ao contrário do Brasil.