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Exército do Chile abre mais de 600 vagas para estudantes fazerem o serviço militar nas férias sem largar os estudos, ideia que no Brasil lembra o Tiro de Guerra, onde o atirador treina cedo e segue estudando

Letícia Araújo
Por Letícia Araújo 03/11/2026 às 10:43
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Exército do Chile abre mais de 600 vagas para estudantes fazerem o serviço militar nas férias sem largar os estudos, ideia que no Brasil lembra o Tiro de Guerra, onde o atirador treina cedo e segue estudando
Soldados em marcha de instrução, na imagem que o Exército do Chile divulgou com a convocação dos Cursos Especiais de Instrução Militar 2027-2028. Foto: Ejército de Chile.

O curso de verão voltou em janeiro, depois de seis anos parado, com 480 jovens na primeira turma; agora há prazo até 9 de novembro e seleção no fim do mês.

O jovem chileno que está no último ano do ensino médio, num curso técnico ou na faculdade pode cumprir o serviço militar obrigatório nas férias, sem trancar a matrícula. O Exército do Chile abriu mais de 600 vagas para os chamados soldados estudantes, com inscrição até 9 de novembro, informa a nota publicada pela força em 29 de outubro.

A modalidade voltou em janeiro deste ano, depois de seis anos parada, com 480 jovens na primeira turma. No Brasil, a ideia de servir sem largar os estudos tem outro nome e mais de um século: o Tiro de Guerra, onde o atirador faz a instrução de manhã cedo e segue para a escola ou o trabalho.

Quem pode se inscrever

A convocação vale só para homens. O candidato precisa estar no último ano do ensino médio ou matriculado em curso técnico ou superior, e prova isso com um certificado de aluno regular, diz o Exército do Chile.

Depois vêm as avaliações. Uma comissão multidisciplinar do Exército aplica exames médico, odontológico, psicológico e social, além de uma avaliação de segurança. Quem não passa em uma delas fica fora da seleção.

Dois formatos: o de verão e o dos sábados

Funciona assim. O Curso Especial de Instrução Militar Estival, o CEIM-E 2027-2028, ocupa janeiro e fevereiro e se estende aos primeiros dias de março, em dois anos seguidos. No Chile, é o período das férias de verão.

O curso anual, o CEIM-A 2027, vai de abril a dezembro de 2027, com instrução todos os sábados e um período de campanha nas férias de inverno. A nota do Exército não divide as mais de 600 vagas entre os dois formatos. Na prática, o serviço deixa de ser um bloco contínuo e passa a caber no calendário escolar.

Prazo, local e datas da seleção

A inscrição é presencial, nos cantões de recrutamento, e vai até segunda-feira, 9 de novembro. A seleção do contingente acontece de 23 a 27 de novembro, em coordenação com a Direção Geral de Mobilização Nacional, a DGMN, órgão que cuida do recrutamento no país.

Para o curso de verão, as provas ocorrem em cinco unidades: o Regimento de Infantaria nº 1 Buin, em Santiago, o Regimento nº 16 Talca, o Regimento nº 9 Chillán, o Batalhão de Telecomunicações nº 4 Membrillar, em Valdivia, e o Regimento nº 12 Sangra, em Puerto Varas. A seleção do curso anual corre nas mesmas datas.

Quem for aprovado começa com um período de adaptação de dez dias, para conhecer a organização, as normas e as novas responsabilidades. Em seguida vêm instrução individual, preparação física e conhecimentos técnicos, descreve a nota.

A volta do curso depois de seis anos parado

O curso especial foi retomado em janeiro de 2026, depois de seis anos sem turma, registrou o site espanhol Infodefensa em 6 de janeiro. A primeira turma reuniu 480 jovens na II Divisão Motorizada e na III Divisão de Montanha.

Esse grupo faz 150 dias de formação intensiva, divididos em dois verões, o de 2026 e o de 2027, sempre entre janeiro e março, informa o Infodefensa. A reportagem não explica por que a modalidade ficou suspensa entre 2020 e 2025.

Um dos estudantes daquela turma é o soldado conscrito Martín Madrid, aluno de Pedagogia em História e Geografia, que serviu no Regimento nº 6 Chacabuco. Ele descreveu a passagem pela unidade como “uma etapa muito enriquecedora”, segundo o Exército.

O que o soldado estudante leva do quartel

Quem terminar o curso mantém vínculo com o Exército pela Reserva e, depois de formado, pode tentar ingressar na instituição se cumprir os requisitos. O ganho central é cumprir o serviço militar obrigatório sem interromper os estudos. A nota não fala em remuneração nem em certificado ao fim do curso, e esses pontos ficam sem resposta oficial até agora.

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A novidade desta edição é uma capacitação dada pela Corporação Nacional Florestal, a Conaf, para que os jovens ajudem a população em incêndios florestais. Para o tenente-coronel Fernando Palavecino, chefe da seção de Instrução e Treinamento do Comando de Operações Terrestres, a instrução “é progressiva” e inclui marcos como a entrega de armas e o juramento à bandeira.

Como é no Brasil: o Tiro de Guerra

No Brasil, o modelo mais próximo é o Tiro de Guerra, o TG, que existe desde 1902, como lembra artigo de dois coronéis do Exército publicado em 2022 pelo Observatório Militar da Praia Vermelha, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. O artigo contabiliza 221 TGs no país.

A rotina é o que aproxima os dois sistemas. A instrução ocorre de manhã cedo, em geral das 6h às 8h, de segunda a sábado, segundo a Diretoria de Serviço Militar, o que permite aos jovens servir sem deixar emprego ou faculdade.

Em São José dos Campos (SP), 100 atiradores foram matriculados em 28 de março deste ano para um curso de nove meses, informou a prefeitura, que mantém a Junta de Serviço Militar da cidade. O Exército não divulga um número nacional de atiradores por ano.

Onde o TG e o curso chileno se separam

A diferença está na porta de entrada. No Chile, o estudante procura o cantão e se inscreve numa modalidade pensada para ele, com a condição de aluno regular como requisito.

No Brasil, o TG não é uma vaga que se escolhe. Ele atende o jovem alistado num município que tem a unidade e que é convocado para cumprir ali o serviço militar inicial, estude ou não.

O calendário também muda. O soldado estudante chileno concentra a instrução nas férias de dois verões ou nos sábados de um ano, enquanto o atirador brasileiro treina quase todo dia, por poucas horas, durante meses.

Próximo passo: seleção de 23 a 27 de novembro

Para quem quer uma das mais de 600 vagas, o prazo termina na segunda-feira, 9 de novembro, no cantão de recrutamento. A seleção vai de 23 a 27 de novembro, e os aprovados no curso de verão começam a adaptação antes das fases de 2027.

Em janeiro, os primeiros 480 soldados estudantes voltam para o segundo verão de instrução. Se a convocação preencher as vagas, a turma nova chega ao quartel um ano depois deles, com o mesmo trato: farda nas férias e matrícula mantida.

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