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Exército do Peru revela até 35 operações militares na Amazônia, vigia 3.200 km de fronteiras com três países, incluindo o Brasil, e detalha presença dos EUA

General peruano revela até 35 operações militares na Amazônia, área de 3.200 km de fronteiras que inclui o Brasil, uso de fuzis ARAD 7 e Galil Ultra e apoio dos Estados Unidos em inteligência e treinamento.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 06/11/2026 às 08:22
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Exército do Peru revela até 35 operações militares na Amazônia, vigia 3.200 km de fronteiras com três países, incluindo o Brasil, e detalha presença dos EUA
Militares peruanos e norte-americanos preparam equipamentos para treinamento na selva durante o Vanguardia Sur 2026, no Peru, em setembro. Imagem de arquivo de treinamento, distinta das operações reais do Comando PUMA. Foto:. US Army/DVIDS.

O Exército do Peru revelou que já realizou entre 30 e 35 operações militares na Amazônia, em uma área de responsabilidade que inclui a fronteira com o Brasil. O balanço foi apresentado pelo general Jorge Arévalo Kalinowski, comandante do Comando Unificado PUMA, em entrevista publicada na quinta-feira (5).

O oficial também esclareceu a presença militar dos Estados Unidos na região. Segundo ele, a cooperação norte-americana envolve inteligência, assessoria tecnológica e treinamento; as incursões armadas realizadas até agora pelo PUMA foram conduzidas por militares e policiais peruanos.

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Comando PUMA contabiliza até 35 operações e prepara novas missões na selva

Na entrevista concedida à jornalista Luz Marina Herrera, do Epicentro TV, Arévalo explicou que algumas operações duram apenas um dia, enquanto outras podem se prolongar por até um mês. A navegação pelo rio Putumayo exige deslocamentos demorados até áreas de difícil acesso.

O comando reúne forças do Exército, da Marinha, da Força Aérea e da Polícia Nacional. Atualmente, mantém duas forças-tarefa, uma no Putumayo e outra em Mariscal Ramón Castilla. Em julho, o general pediu a abertura de uma terceira frente em Torres Causana e Napo, proposta ainda em análise.

Até dezembro, o planejamento prevê novas intervenções nas três bacias sob responsabilidade do oficial. O general estimou em mais de 3.200 quilômetros o conjunto das linhas de fronteira de sua área de atuação, distribuídas entre Equador, Colômbia e Brasil.

Fuzis ARAD 7 e Galil Ultra são utilizados pelas patrulhas peruanas

Arévalo identificou dois armamentos empregados nas incursões: o ARAD 7, de calibre 7,62 mm, e o Galil Ultra, de 5,56 mm. Segundo o general, a combinação permite adaptar o equipamento à missão e ao peso da munição transportada durante longas caminhadas na mata.

O comandante informou ainda que o orçamento destinado ao PUMA em 2026 é de 89 milhões de soles. O valor cobre operações terrestres e fluviais, atividades de inteligência e meios de apoio, permitindo sustentar missões que exigem de 20 a 30 dias de atuação.

Militares dos Estados Unidos apoiam inteligência, mas não comandam incursões armadas

Questionado sobre o Comando Sul dos Estados Unidos e a iniciativa Escudo das Américas, o general afirmou que os norte-americanos têm contribuído com compartilhamento de informações, apoio tecnológico, capacitação e treinamento. A participação de soldados dos EUA em operações armadas do Comando PUMA ainda não integra os planos descritos por ele.

O militar relatou que cerca de 50 integrantes de sua força participaram do treinamento multinacional Vanguardia Sur, realizado em setembro na região de Tarapoto, com representantes do Peru, Estados Unidos, Argentina e Chile. O Ministério da Defesa peruano informou que a atividade reuniu mais de 500 militares dos quatro países.

O exercício incluiu deslocamentos na selva, técnicas de sobrevivência e operações anfíbias simuladas. Arévalo explicou que qualquer participação futura de militares norte-americanos em missões reais dependeria de decisão em outro nível de governo. Por enquanto, a condução das intervenções do PUMA permanece sob responsabilidade peruana.

Forças peruanas encontraram acampamento armado no Putumayo

O comandante relatou confrontos com integrantes de grupos armados provenientes da Colômbia e a descoberta de um acampamento clandestino em junho. Na ocasião, segundo o general, as tropas recuperaram materiais que ficaram sob análise dos serviços de inteligência.

Registro do exercício militar Vanguardia Sur 2026 na Amazônia peruana
Registro oficial do Vanguardia Sur 2026, treinamento multinacional na Amazônia peruana que reuniu tropas de Peru, Estados Unidos, Chile e Argentina. Foto de arquivo: Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru/Divulgação.

Um comunicado do Ministério da Defesa do Peru, de 27 de junho, confirmou a destruição de uma instalação atribuída ao grupo Comandos de la Frontera no setor San Belín de Yaricaya. A operação teve reconhecimento aéreo com helicópteros e inutilizou duas balsas utilizadas em mineração ilegal.

Na entrevista, Arévalo também atribuiu à inteligência peruana informações sobre possíveis vínculos entre esse grupo colombiano e o Comando Vermelho, do Brasil. A afirmação corresponde à avaliação apresentada pelo militar, sem identificação pública de uma investigação conjunta que comprove todas as conexões mencionadas.

Generais peruanos e oficial do Exército dos Estados Unidos caminham em cerimônia de abertura do Vanguardia Sur no Peru
Generais do Exército peruano e representante do Exército dos EUA participam da abertura do Vanguardia Sur 2026 em Sauce, Peru, em setembro. Arquivo: Sgt. Grace Wajler/U.S. Army/DVIDS.

Brasil integra a região monitorada pelo comando militar peruano

A atuação do PUMA alcança o departamento de Loreto, que se conecta ao território brasileiro pela rede de rios e por localidades próximas à tríplice fronteira. O Peru já havia mobilizado unidades militares em Bellavista Callarú, assunto noticiado anteriormente pela Revista Sociedade Militar.

As novas declarações acrescentam a dimensão operacional desse esforço: número de missões, armamentos, orçamento e plano de expansão da presença militar peruana. A cooperação norte-americana oferece treinamento e inteligência, enquanto as ações de campo continuam vinculadas às autoridades do Peru.

Próximas operações dependerão de recursos, informação e deslocamento pelos rios

O comando pretende manter operações até o fim de 2026 e avaliar a expansão para Napo e Torres Causana. A distância entre bases militares e comunidades, somada aos longos percursos fluviais, limita a rapidez das intervenções e exige planejamento logístico contínuo.

Para o Brasil, o acompanhamento relevante envolve o movimento dos grupos armados e das rotas clandestinas entre países, além da capacidade das forças vizinhas de manter fiscalização permanente. As próximas medidas do governo peruano indicarão se a terceira frente será autorizada e se a cooperação internacional continuará restrita a inteligência e treinamento.

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