O Exército do Peru revelou que já realizou entre 30 e 35 operações militares na Amazônia, em uma área de responsabilidade que inclui a fronteira com o Brasil. O balanço foi apresentado pelo general Jorge Arévalo Kalinowski, comandante do Comando Unificado PUMA, em entrevista publicada na quinta-feira (5).
O oficial também esclareceu a presença militar dos Estados Unidos na região. Segundo ele, a cooperação norte-americana envolve inteligência, assessoria tecnológica e treinamento; as incursões armadas realizadas até agora pelo PUMA foram conduzidas por militares e policiais peruanos.
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Comando PUMA contabiliza até 35 operações e prepara novas missões na selva
Na entrevista concedida à jornalista Luz Marina Herrera, do Epicentro TV, Arévalo explicou que algumas operações duram apenas um dia, enquanto outras podem se prolongar por até um mês. A navegação pelo rio Putumayo exige deslocamentos demorados até áreas de difícil acesso.
O comando reúne forças do Exército, da Marinha, da Força Aérea e da Polícia Nacional. Atualmente, mantém duas forças-tarefa, uma no Putumayo e outra em Mariscal Ramón Castilla. Em julho, o general pediu a abertura de uma terceira frente em Torres Causana e Napo, proposta ainda em análise.
Até dezembro, o planejamento prevê novas intervenções nas três bacias sob responsabilidade do oficial. O general estimou em mais de 3.200 quilômetros o conjunto das linhas de fronteira de sua área de atuação, distribuídas entre Equador, Colômbia e Brasil.
Fuzis ARAD 7 e Galil Ultra são utilizados pelas patrulhas peruanas
Arévalo identificou dois armamentos empregados nas incursões: o ARAD 7, de calibre 7,62 mm, e o Galil Ultra, de 5,56 mm. Segundo o general, a combinação permite adaptar o equipamento à missão e ao peso da munição transportada durante longas caminhadas na mata.
O comandante informou ainda que o orçamento destinado ao PUMA em 2026 é de 89 milhões de soles. O valor cobre operações terrestres e fluviais, atividades de inteligência e meios de apoio, permitindo sustentar missões que exigem de 20 a 30 dias de atuação.
Militares dos Estados Unidos apoiam inteligência, mas não comandam incursões armadas
Questionado sobre o Comando Sul dos Estados Unidos e a iniciativa Escudo das Américas, o general afirmou que os norte-americanos têm contribuído com compartilhamento de informações, apoio tecnológico, capacitação e treinamento. A participação de soldados dos EUA em operações armadas do Comando PUMA ainda não integra os planos descritos por ele.
O militar relatou que cerca de 50 integrantes de sua força participaram do treinamento multinacional Vanguardia Sur, realizado em setembro na região de Tarapoto, com representantes do Peru, Estados Unidos, Argentina e Chile. O Ministério da Defesa peruano informou que a atividade reuniu mais de 500 militares dos quatro países.
O exercício incluiu deslocamentos na selva, técnicas de sobrevivência e operações anfíbias simuladas. Arévalo explicou que qualquer participação futura de militares norte-americanos em missões reais dependeria de decisão em outro nível de governo. Por enquanto, a condução das intervenções do PUMA permanece sob responsabilidade peruana.
Forças peruanas encontraram acampamento armado no Putumayo
O comandante relatou confrontos com integrantes de grupos armados provenientes da Colômbia e a descoberta de um acampamento clandestino em junho. Na ocasião, segundo o general, as tropas recuperaram materiais que ficaram sob análise dos serviços de inteligência.

Um comunicado do Ministério da Defesa do Peru, de 27 de junho, confirmou a destruição de uma instalação atribuída ao grupo Comandos de la Frontera no setor San Belín de Yaricaya. A operação teve reconhecimento aéreo com helicópteros e inutilizou duas balsas utilizadas em mineração ilegal.
Na entrevista, Arévalo também atribuiu à inteligência peruana informações sobre possíveis vínculos entre esse grupo colombiano e o Comando Vermelho, do Brasil. A afirmação corresponde à avaliação apresentada pelo militar, sem identificação pública de uma investigação conjunta que comprove todas as conexões mencionadas.

Brasil integra a região monitorada pelo comando militar peruano
A atuação do PUMA alcança o departamento de Loreto, que se conecta ao território brasileiro pela rede de rios e por localidades próximas à tríplice fronteira. O Peru já havia mobilizado unidades militares em Bellavista Callarú, assunto noticiado anteriormente pela Revista Sociedade Militar.
As novas declarações acrescentam a dimensão operacional desse esforço: número de missões, armamentos, orçamento e plano de expansão da presença militar peruana. A cooperação norte-americana oferece treinamento e inteligência, enquanto as ações de campo continuam vinculadas às autoridades do Peru.
Próximas operações dependerão de recursos, informação e deslocamento pelos rios
O comando pretende manter operações até o fim de 2026 e avaliar a expansão para Napo e Torres Causana. A distância entre bases militares e comunidades, somada aos longos percursos fluviais, limita a rapidez das intervenções e exige planejamento logístico contínuo.
Para o Brasil, o acompanhamento relevante envolve o movimento dos grupos armados e das rotas clandestinas entre países, além da capacidade das forças vizinhas de manter fiscalização permanente. As próximas medidas do governo peruano indicarão se a terceira frente será autorizada e se a cooperação internacional continuará restrita a inteligência e treinamento.