As Forças Armadas participam de uma operação de fronteira que já alcançou mais de 40 cidades brasileiras, registrou 15 prisões e R$ 29,5 milhões em apreensões em apenas dois dias. O balanço divulgado nesta quinta-feira (5) pela Receita Federal revela cocaína escondida em máquinas agrícolas, meia tonelada de maconha, peças de fuzil em encomendas e até um avião com identificação adulterada.
A Operação Fronteira Receita Federal 2026 começou na terça-feira (3). Até as 19h de quarta-feira (4), a ofensiva havia retirado de circulação R$ 15,2 milhões em entorpecentes e R$ 14,3 milhões em mercadorias irregulares, segundo o novo balanço do Ministério da Fazenda.
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Mais de 500 servidores da Receita Federal e centenas de integrantes de órgãos parceiros estão envolvidos. A fiscalização abrange fronteiras terrestres, portos, aeroportos e centros de transporte. Exército, outras instituições militares, forças policiais e órgãos de controle participam da estrutura nacional.
Mais de 40 cidades entram na operação, e apreensões chegam a R$ 29,5 milhões
O primeiro balanço da edição de 2026 saiu apenas dois dias depois do lançamento. Em diferentes pontos do país, fiscais e policiais já somavam 15 prisões e quase R$ 30 milhões em apreensões, entre drogas e mercadorias retidas.
As drogas respondem por R$ 15,2 milhões do total. Produtos irregulares somam outros R$ 14,3 milhões. O levantamento é parcial, com fechamento às 19h de 4 de novembro, e deve ser atualizado enquanto as equipes continuarem nas ruas e nos pontos de fiscalização.
A Receita coordena a ofensiva nacional. A participação das Forças Armadas faz parte da mobilização de segurança e defesa, enquanto cada flagrante identificado no balanço é atribuído aos órgãos que executaram a respectiva abordagem.
Três suspeitos escapam e abandonam 534 kg de maconha em dois veículos no Paraná
Em Terra Roxa, no oeste do Paraná, agentes da Polícia Federal, do Batalhão de Polícia de Fronteira da PM paranaense e da Receita Federal monitoravam estradas rurais próximas à região de Guaíra. Durante as diligências, encontraram dois veículos junto à vegetação e homens transferindo volumes.
Segundo o relato divulgado sobre a ocorrência, três suspeitos fugiram para uma área de mata quando as equipes se aproximaram. Nos veículos, os agentes localizaram 534 quilos de maconha embalados em fardos. O entorpecente, os automóveis e outros materiais foram encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Guaíra.
A Polícia Federal confirmou a apreensão, realizada na terça-feira (3). Os suspeitos daquela abordagem não foram encontrados durante as buscas iniciais; as 15 prisões anunciadas pela Receita correspondem ao conjunto nacional de ações.
Cocaína de R$ 3 milhões estava escondida em peças de máquinas agrícolas
Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, servidores da Receita Federal abriram uma encomenda suspeita em uma transportadora e encontraram 76 quilos de cocaína ocultos em peças de maquinário agrícola. A carga tinha Curitiba, no Paraná, como destino.
A droga, avaliada em R$ 3 milhões, foi localizada após trabalho de inteligência e auxílio de um cão farejador. A fiscalização alcançou a encomenda antes que ela completasse o percurso até a capital paranaense.

O caso expôs um método de ocultação dentro de mercadorias aparentemente comuns, transportadas por uma rota que conecta municípios do Centro-Oeste ao Sul do país.
Thor procurava drogas e acabou revelando 25 peças de armas em Viracopos
No Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, outro cão farejador encontrou algo diferente do que procurava. Thor, treinado para detectar entorpecentes, sinalizou uma encomenda internacional na terça-feira (3). Ao abrir o pacote, a fiscalização encontrou 25 peças de armas de fogo, incluindo componentes de um fuzil.
A Receita considera a possibilidade de contaminação cruzada por odor de drogas no pacote, explicação para o sinal dado pelo animal. Além do faro do cão, agentes usaram análise de risco e raio-X para fiscalizar a remessa.
As informações sobre o material serão compartilhadas com a aduana dos Estados Unidos pelo Programa Desarma, acordo de cooperação para combater o tráfico de armamentos, munições, explosivos e drogas.

Fiscais encontram avião de R$ 500 mil com prefixo adulterado no Rio de Janeiro
Um avião avaliado em R$ 500 mil também foi apreendido em um aeródromo da cidade do Rio de Janeiro. Segundo a Receita Federal, a fiscalização identificou adulteração no prefixo original da aeronave.
O órgão suspeita que o avião tenha ingressado irregularmente no território brasileiro e informou que a alteração de identificação teria sido usada para evitar a fiscalização. O comunicado não identificou o responsável pelo equipamento.
A apreensão no Rio mostra o alcance das verificações: além das passagens terrestres, aviões e operações aeroportuárias também entraram na ofensiva que começou na fronteira e alcançou grandes centros urbanos.
Exército entra na operação e Tabatinga recebe autoridades na tríplice fronteira
Na Amazônia, a abertura operacional teve um dos seus principais atos em Tabatinga (AM), na região de fronteira com a Colômbia e o Peru. O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, compareceu a uma atividade na sede do 8º Batalhão de Fronteira da Selva e destacou a cooperação com o Exército.
Além das Forças Armadas brasileiras, a iniciativa envolve Polícia Federal, PRF, polícias estaduais, guardas municipais e órgãos de controle. O monitoramento de aeronaves também foi ampliado com troca de informações com a Organização Mundial das Aduanas e forças militares de Colômbia e Peru.
Até o balanço de quinta-feira, a Receita havia confirmado mais de 500 servidores próprios e centenas de parceiros, mas não divulgou a quantidade de militares brasileiros ou estrangeiros empregados. As apreensões descritas em Terra Roxa, Campo Grande, Viracopos e Rio foram realizadas por equipes fiscais e policiais.
Operação iniciada nesta semana já tem números próprios de 2026
Quando a Sociedade Militar noticiou o lançamento, em 4 de novembro, os resultados apresentados pelo governo ainda eram os da edição anterior: cerca de R$ 160 milhões em mercadorias ilegais, 3,5 toneladas de drogas e 18 prisões no balanço de 2025.
O resultado divulgado nesta quinta é diferente: R$ 29,5 milhões e 15 prisões correspondem aos primeiros dois dias de 2026. As ações prosseguem e novos relatórios poderão alterar essas cifras parciais.