A Marinha do Brasil realizou, pela primeira vez, o lançamento experimental de um drone naval kamikaze a partir de um navio da Esquadra. O equipamento, desenvolvido por militares e pesquisadores brasileiros, foi lançado do Almirante Saboia e integra um projeto que busca ampliar o emprego de embarcações não tripuladas em operações militares.
Identificado como Veículo de Superfície Não Tripulado Kamikaze (VSNT-K), o sistema foi desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), organização responsável por pesquisas e soluções tecnológicas para a Força Naval.
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O experimento foi divulgado em 29 de outubro de 2026 pelo portal Defesa em Foco, com informações atribuídas à Marinha do Brasil.
A atividade teve como objetivo avaliar a possibilidade de lançar, a partir de um navio militar, um veículo concebido para transportar cargas explosivas contra alvos no ambiente marítimo.
O teste representa uma nova etapa da pesquisa naval brasileira, mas ainda não significa que o equipamento esteja pronto para entrar em combate.
Marinha testa drone kamikaze brasileiro capaz de transportar explosivos
Diferentemente dos drones aéreos, que voam sobre o campo de batalha, o VSNT-K pertence à categoria dos veículos de superfície não tripulados, desenvolvidos para navegar sobre a água sem a presença de militares a bordo.
Sua proposta de emprego envolve a possibilidade de transportar uma carga explosiva até determinado alvo, funcionando como uma plataforma de ataque de utilização única.
O conceito permite que forças militares estudem formas de realizar ações de superfície sem expor diretamente uma tripulação ao contato com o adversário.
No caso brasileiro, entretanto, o experimento divulgado teve um objetivo mais específico: verificar a viabilidade do lançamento embarcado.
A Marinha não informou a realização de explosões, impactos contra alvos ou testes de precisão durante a atividade.
Também não foram divulgados dados sobre velocidade, autonomia de navegação, alcance ou quantidade de explosivos que o equipamento poderá transportar.
Essas informações serão fundamentais para determinar as futuras possibilidades operacionais do sistema, caso seu desenvolvimento avance para etapas mais próximas do emprego militar.
Navio Almirante Saboia, incorporado ao Brasil em 2009, serviu como plataforma de lançamento
O experimento foi realizado a partir do Navio de Desembarque de Carros de Combate Almirante Saboia, identificado pelo número de casco G25.
A embarcação possui uma trajetória que começou muito antes de sua incorporação à Marinha brasileira.
Originalmente chamado RFA Sir Bedivere, o navio foi construído para atender às necessidades militares britânicas e lançado ao mar em 1967.
Depois de décadas de serviço, foi incorporado à Marinha do Brasil em 21 de maio de 2009.
Sua função principal é transportar tropas, viaturas, equipamentos e suprimentos, além de apoiar desembarques anfíbios.
O Almirante Saboia já participou de exercícios militares que envolveram carros-lagarta anfíbios, helicópteros e operações de desembarque.
Em abril de 2026, integrou a Operação ADEREX I, realizada no litoral entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio, que mobilizou aproximadamente 1.500 militares, além de fragatas, submarino, aeronaves e outras unidades da Esquadra.
Agora, o navio também foi utilizado para avaliar uma nova categoria de equipamento.
A participação no lançamento do VSNT-K, contudo, não significa que a embarcação tenha sido convertida permanentemente em uma plataforma especializada em drones de ataque.
Projeto brasileiro começou em 2021 com investimento inicial de apenas R$ 23 mil
O lançamento do VSNT-K está inserido em um esforço mais amplo da Marinha para desenvolver tecnologias nacionais de embarcações não tripuladas.
Segundo informações oficiais do CASNAV, o projeto de Veículo de Superfície Não Tripulado começou em 2021, quando pesquisadores converteram uma lancha convencional em uma plataforma controlada remotamente.
O investimento inicial foi de apenas R$ 23 mil, utilizando recursos próprios e tecnologia nacional.
O valor corresponde à etapa inicial daquele projeto de pesquisa, não ao custo do novo drone kamikaze apresentado em 2026.
Os trabalhos evoluíram para duas embarcações experimentais, utilizadas no desenvolvimento de sistemas de navegação, controle remoto e integração de sensores.
Uma das plataformas recebeu a designação VSNT-LAB, enquanto outra foi desenvolvida para missões de contramedidas de minagem, identificada como VSNT-CMM.
Esses equipamentos permitem que a Marinha realize testes relacionados à identificação de minas navais, vigilância marítima e operações sem tripulação embarcada.
O desenvolvimento também envolve colaboração com empresas, instituições de pesquisa e universidades brasileiras.
Embora pertençam à mesma área de pesquisa, as informações divulgadas não esclarecem quais componentes dos projetos anteriores foram aproveitados na construção do VSNT-K.
Em 2025, Marinha já havia integrado drone naval ao centro de combate do Atlântico
Antes do lançamento do equipamento kamikaze, o CASNAV realizou outro experimento importante envolvendo o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, uma das maiores embarcações militares brasileiras.
Entre 14 e 18 de julho de 2025, pesquisadores participaram de uma comissão de adestramento na qual um VSNT foi operado diretamente a partir do Centro de Operações de Combate do navio.
Pela primeira vez, o equipamento foi integrado à infraestrutura de comando do Atlântico, utilizando a rede de fibra óptica embarcada para transmitir vídeos, comandos, dados de sensores e informações de telemetria.
Os testes ocorreram na região da Baía da Ilha Grande, no Rio de Janeiro.
Durante as atividades, militares avaliaram a navegação noturna com câmera infravermelha, o alcance das comunicações por rádio e a capacidade de interceptação simulada de ameaças de superfície.
A experiência demonstrou possibilidades de integração entre embarcações não tripuladas e sistemas de comando de navios militares.
O lançamento do VSNT-K em 2026 representa outra modalidade de experimentação, desta vez concentrada em um veículo concebido para transportar explosivos.
Brasil estuda novas aplicações de drones navais enquanto avança no desenvolvimento nacional
A utilização de embarcações não tripuladas ganhou importância nos últimos anos, especialmente após o emprego de drones de superfície em ataques contra navios durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.
O conflito demonstrou como veículos relativamente pequenos podem representar ameaças a embarcações militares de maior porte, dependendo das condições de operação e dos sistemas de defesa envolvidos.
No Brasil, a Marinha também estuda o emprego dessas tecnologias em vigilância, reconhecimento, proteção de instalações estratégicas e guerra de minas.
Parte das pesquisas envolve a possibilidade de integrar sistemas não tripulados às futuras fragatas da classe Tamandaré.
No caso específico do VSNT-K, ainda não foram anunciados valores de produção, fabricantes responsáveis por seus componentes ou um cronograma para incorporação à Esquadra.
Também não há confirmação pública de encomendas em série.
Enquanto isso, o programa mais amplo de veículos de superfície não tripulados continua com metas próprias.
Em planejamento publicado pelo CASNAV em setembro de 2025, a Marinha estabeleceu o objetivo de incorporar uma terceira embarcação experimental até o fim de 2026 e capacitar pelo menos dez técnicos até 2027, ampliando a estrutura nacional dedicada ao desenvolvimento e à operação desses sistemas.