A Polícia Militar do Rio de Janeiro determinou uma mudança que atinge o funcionamento das UPPs em comunidades da capital: o número de unidades com comando próprio cai de 16 para dez, dez instalações policiais serão desmobilizadas e a estrutura responsável pelo policiamento terá efetivo ajustado para 3 mil agentes.
Entre as estruturas que deixarão de funcionar estão torres e cabines blindadas, além de bases fixas em áreas como Jacaré, Manguinhos, Complexo do Alemão, Complexo da Penha e Borel. A decisão foi oficializada pela Resolução SEPM nº 9.560, publicada no Diário Oficial do Estado em 4 de novembro.
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Não é uma ordem para abandonar as comunidades. A resolução determina que o patrulhamento continue, mas a Polícia Militar não informou quantos agentes ficarão em cada localidade após a redistribuição.
Seis UPPs perdem autonomia, e dez sedes concentram comando e viaturas
Assinada pelo secretário Sylvio Ricardo Ciuffo Guerra, a medida estabelece a terceira fase da reestruturação do programa. Seis unidades deixam de ter administração independente e passam a funcionar como companhias vinculadas a sedes regionais.
As dez UPPs-sede serão Santa Marta, Jacaré, Mangueira, Providência, Borel, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Pavão-Pavãozinho, Manguinhos e Rocinha. Elas assumem a gestão integrada de pessoal, instalações, veículos, armamento e outros recursos.
No Jacaré, a sede coordenará São João e Lins. O Borel incorpora Salgueiro, Formiga e Macacos. A Rocinha ficará responsável pela companhia do Vidigal, enquanto o Complexo da Penha concentrará Vila Cruzeiro e Chatuba.
Jacaré perde três bases e cabines blindadas saem do Adeus e de Manguinhos
A parte mais visível da decisão será a desmobilização definitiva de dez estruturas. Só no Jacaré estão previstas as retiradas das bases Buraco do Lacerda, Feirinha e Largo do Jacaré.
A lista inclui ainda a Torre Blindada do Adeus, a Cabine Blindada dos Democráticos, em Manguinhos, e a Torre Blindada da Gamboa, na região da Providência. Também aparecem a Cabine Predinhos, no Complexo do Alemão, e a Cabine Blindada da Praça São Lucas, no Complexo da Penha.
Completam a relação a Cabine Gambá, no Lins, e a Base Basanha, no Borel. A corporação deverá recolher equipamentos, dar destino aos bens e regularizar serviços de água e energia dos locais desmobilizados.
Comando terá 3 mil policiais, mas distribuição por comunidade não foi divulgada
A resolução ajusta o Comando de Polícia de Proximidade (CPP) ao quantitativo global de três mil policiais militares. A orientação é reduzir tarefas administrativas e priorizar agentes no policiamento ostensivo, com novas escalas e distribuição operacional.

O texto, porém, não apresenta uma tabela com o efetivo de cada UPP-sede ou companhia. Também não informa se alguma comunidade terá aumento ou redução no número de policiais. Essas definições dependerão do planejamento do comando.
Rio já havia reduzido o programa de 29 para 16 unidades em 2024
A decisão chega depois de outra redução. Em 2024, o governo já havia passado de 29 para 16 UPPs com estrutura própria, transferindo parte dos policiais para batalhões convencionais e retirando instalações.
Policiamento deverá continuar, mas retirada das estruturas ainda exige execução
Mesmo sem as bases permanentes, o documento prevê patrulhas ostensivas, reorganização dos grupamentos táticos e pontos-base temporários quando necessários. A coordenação das mudanças ficará com o CPP e o Estado-Maior da Polícia Militar.
O Diário do Rio informou que pediu esclarecimentos à corporação sobre prazos, distribuição dos três mil agentes e efeitos nas comunidades, mas não havia recebido resposta até sua publicação.
A reorganização ocorre enquanto a cidade segue registrando operações policiais com blindados em diferentes comunidades, reforçando a atenção sobre a presença de agentes nas ruas.
A resolução já está em vigor, mas o calendário de retirada das estruturas e a divisão final do efetivo ainda precisam ser detalhados.