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Fragata brasileira Niterói com 42 canhões perseguiu frota portuguesa até a Europa e capturou 18 navios durante a Guerra da Independência

Thaís Souza
Por Thaís Souza 05/11/2026 às 21:18
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Fragata brasileira Niterói com 42 canhões perseguiu frota portuguesa até a Europa e capturou 18 navios durante a Guerra da Independência
Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA para uso editorial.

Comandada por John Taylor, a fragata Niterói saiu da Bahia em julho de 1823, alcançou as proximidades de Lisboa e enfrentou uma tempestade no regresso, chegando a Salvador com água para apenas dois dias.

A fragata Niterói perseguiu a frota portuguesa que deixava Salvador em julho de 1823, atravessou o Atlântico e alcançou as proximidades da foz do Rio Tejo, em Portugal. Ao longo da viagem, a embarcação brasileira de 42 canhões, comandada pelo capitão de fragata John Taylor, capturou 18 navios portugueses.

A missão começou em 2 de julho e terminou em 9 de novembro, com o retorno à Bahia. A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM), responsável por preservar e divulgar a história naval brasileira, apresenta o balanço em publicação de setembro de 2023, acompanhada do relato de um oficial que participou da expedição.

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A bordo, cerca de 300 homens precisaram sustentar a perseguição, deslocar tripulantes para conduzir embarcações capturadas e administrar o desgaste das velas e dos mantimentos. A etapa junto ao litoral europeu terminou em setembro. A travessia de volta ainda reservaria um episódio em que a própria sobrevivência da fragata esteve em risco.

A retirada de Salvador deu início à perseguição no Atlântico

A saída das forças portuguesas da Bahia abriu uma nova tarefa para a Esquadra brasileira. Era preciso acompanhar o comboio, impedir que suas tropas desembarcassem em outros pontos do Brasil e capturar navios e equipamentos militares. O primeiro-almirante Thomas Cochrane encarregou Taylor de prosseguir com a perseguição.

O relato do capitão de fragata Luís Barroso Pereira, imediato da Niterói, registra como o mau tempo interferiu logo no começo. Uma noite de chuva e tempestade dispersou embarcações portuguesas e também separou os navios brasileiros.

A fragata voltou a localizar parte do comboio. Em 7 de julho, Taylor entrou à noite na formação inimiga, passou perto da vanguarda e avançou até a retaguarda, onde disparou os canhões de um dos lados do navio contra uma embarcação depois identificada como São Gualter.

Dias depois, a tripulação já enfrentava problemas nos mastros e nas velas. Os reparos permitiram manter a navegação. A perseguição continuou, com passagem diante do Ceará e posterior travessia para o Atlântico Norte.

Transporte com 270 soldados foi desarmado em agosto

Em 7 de agosto, a Niterói avistou uma grande embarcação com bandeira portuguesa. A expectativa inicial a bordo era encontrar uma fragata. Na aproximação, os brasileiros identificaram o transporte Grão Pará, que levava 270 soldados, além de passageiros.

fragata Niterói saiu da Bahia em julho de 1823
Fragata Niterói saiu da Bahia em julho de 1823 (Imagem: Reprodução)

Segundo Barroso Pereira, os militares do transporte prepararam suas armas. Taylor ordenou uma descarga de artilharia, e a embarcação foi dominada. A captura criou um problema imediato para o comandante brasileiro.

A Niterói tinha poucos mantimentos e água. O transporte também carecia de provisões suficientes para voltar ao Brasil. Destacar homens para conduzi-lo reduziria a tripulação disponível para prosseguir até Portugal.

Taylor mandou lançar a artilharia capturada ao mar e recolheu a pólvora e o armamento. Os militares assinaram um compromisso de prisioneiros de guerra pelo qual ficavam impedidos de combater o Brasil durante o conflito. Depois disso, o transporte foi liberado.

Fragata Niterói fez capturas diante de navios de guerra portugueses

A busca por água levou a fragata à Ilha das Flores, nos Açores, em agosto. Após o abastecimento, Taylor seguiu em direção ao litoral português, onde a tripulação voltou a capturar embarcações.

O relato preservado pela DPHDM mostra destinos diferentes para os navios tomados. Alguns receberam homens da Niterói e foram enviados ao Rio de Janeiro. Outros foram destruídos depois da retirada do que poderia ser aproveitado. O bergantim União foi queimado, e o iate Bom Sucesso, afundado.

Houve apresamentos à vista de unidades de guerra portuguesas. O documento registra capturas enquanto a nau Dom João VI e a fragata Pérola navegavam para Lisboa. Mais tarde, a Niterói voltou a tomar embarcações na presença de outro grupo naval inimigo.

A proximidade também produziu um encontro arriscado. Em uma noite escura, a fragata aproximou-se da Dom João VI e foi interpelada. Taylor respondeu em inglês, apresentando seu navio como britânico, e as embarcações se afastaram. A Niterói prosseguiu na operação.

Confirmação da chegada do comboio a Lisboa encerrou a missão

Em 10 de setembro, Taylor recebeu a informação de que os remanescentes da esquadra portuguesa haviam entrado no Tejo. A notícia veio do comandante da galera Nova Amazona, recém-saída de Lisboa e capturada pelos brasileiros.

As velas estavam muito danificadas, e as provisões diminuíam. O comandante abriu as instruções de Cochrane, que determinavam o regresso ao Rio de Janeiro.

Antes da partida, Taylor utilizou o iate Paquete de Setúbal para encaminhar prisioneiros ao litoral português. A embarcação recebeu água e mantimentos, e os homens prestaram compromisso de se abster de combater o Brasil durante aquela guerra.

A viagem de retorno começou em 12 de setembro. Os apresamentos continuaram no caminho, mas a necessidade de conservar homens a bordo levou Taylor a liberar algumas das embarcações abordadas.

Tempestade obrigou tripulação a cortar um mastro e lançar canhões ao mar

Na volta, a escassez de água levou a Niterói à ilha de São Nicolau, em Cabo Verde. O local sofria com a seca, e o abastecimento exigiu grande esforço. A saída, em 7 de outubro, ocorreu sob vento violento.

No mar, uma forte rajada e as ondas inclinaram a fragata sobre o lado direito. A água entrava a bordo, enquanto as condições das velas dificultavam a manobra.

Taylor ordenou o corte do mastro de mezena, situado na parte traseira do navio. Ao cair, ele danificou a roda do leme. A tripulação usou um sistema de cabos para governar a embarcação até conseguir remontar a roda avariada. Também lançou ao mar canhões do lado para o qual o navio estava inclinado, buscando recuperar o equilíbrio.

Após cerca de 12 horas enfrentando o temporal, a melhora do tempo permitiu reparar os estragos e continuar a travessia. A Niterói chegou à Bahia em 9 de novembro de 1823, com água para apenas dois dias, poucos alimentos e sem lenha, conforme o relato de Barroso Pereira, republicado pela Marinha.

A viagem terminou no mesmo litoral de onde a perseguição havia partido quatro meses antes. Entre a retirada portuguesa e o retorno a Salvador, a tripulação realizou capturas, conduziu prisioneiros e operou nas proximidades de Portugal.

O balanço de 18 navios apresados ficou associado a uma expedição que também exigiu preservar a fragata diante da falta de provisões e dos danos acumulados no Atlântico.

Qual decisão de Taylor você considera mais difícil nessa viagem, manter a perseguição até Portugal ou administrar as capturas com homens e mantimentos limitados? Deixe sua análise nos comentários.

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