Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

General Santos Cruz, demitido por Bolsonaro em 2019 e crítico de Flávio na campanha de 2026, entra na lista de Lula para substituir José Múcio no Ministério da Defesa

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 03/11/2026 às 15:52
Compartilhar
General Santos Cruz, demitido por Bolsonaro em 2019 e crítico de Flávio na campanha de 2026, entra na lista de Lula para substituir José Múcio no Ministério da Defesa
General da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, aparece entre os nomes considerados para substituir José Múcio Monteiro no Ministério da Defesa, segundo o portal O Bastidor.

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, general da reserva foi sondado após suas críticas ao candidato derrotado nas eleições. A possível indicação enfrenta resistências entre comandantes militares, enquanto Lula avalia outros nomes para a Defesa.

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz entrou na lista de possíveis substitutos de José Múcio Monteiro no Ministério da Defesa. Ex-ministro de Jair Bolsonaro, de cujo governo foi afastado em 2019, Santos Cruz passou a ser considerado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após criticar publicamente Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2026. As declarações do general já haviam sido repercutidas pela Revista Sociedade Militar em outubro, quando ele questionou a interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e defendeu a soberania nacional.

A informação foi publicada pelo jornalista Alisson Matos, do portal O Bastidor, em 30 de outubro. Segundo a reportagem, uma fonte com conhecimento direto das conversas confirmou que o nome do general foi apresentado ao presidente, que autorizou uma sondagem.

Críticas a Flávio Bolsonaro aproximaram Santos Cruz das discussões sobre a Defesa

Nas semanas anteriores ao segundo turno, Santos Cruz criticou publicamente o então candidato Flávio Bolsonaro e a interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Em uma das declarações, afirmou que a interferência americana “já está ocorrendo”. Em outra, disse que Flávio aparecia em “posição de subalterno” em uma fotografia ao lado do presidente Donald Trump.

As manifestações chegaram ao conhecimento de Lula e contribuíram para que o general fosse considerado para o Ministério da Defesa. Santos Cruz, entretanto, demonstrou incômodo com a utilização de suas declarações na propaganda eleitoral petista.

General comandou missões militares da ONU no Haiti e no Congo

Santos Cruz possui uma trajetória de destaque em operações internacionais. Entre 2007 e 2009, comandou a força militar da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, durante um período de intensos confrontos com grupos armados.

Em 2013, foi escolhido pela ONU para comandar as tropas da missão na República Democrática do Congo, função que exerceu até 2015. Durante sua gestão, forças da missão participaram de operações que derrotaram militarmente o grupo rebelde M23.

O general também atuou como assessor especial da Secretaria de Assuntos Estratégicos durante o governo Dilma Rousseff.

Apesar da experiência internacional, Santos Cruz não reúne consenso entre os atuais comandantes das Forças Armadas e tampouco é o candidato preferido de José Múcio, segundo O Bastidor. Esse é um ponto relevante: o próximo ministro precisará manter interlocução com os comandos militares em um período de possível renovação das principais chefias.

José Múcio defende outro nome para comandar o ministério

José Múcio apresentou a Lula o nome de Cinara Wagner Fredo, atual secretária-geral do Ministério da Defesa, como possível sucessora.

Também aparecem nas discussões a presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, e a ex-ministra Simone Tebet.

A possível saída de Múcio integra as articulações para o quarto mandato de Lula, iniciado em janeiro de 2027. Segundo a revista Veja, o atual ministro deverá participar da transição para o futuro titular da pasta.

Por enquanto, não existe indicação oficial de Santos Cruz para o cargo. Procurado pelo Bastidor em 30 de outubro, o general não comentou a possibilidade de assumir o ministério.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora
guest
0 Comentários