Em uma entrevista de quase 40 minutos para o canal Revelando, o General de Divisão da reserva do Exército, Carlos Alberto dos Santos Cruz, criticou duramente a maneira com que a família Bolsonaro tem buscado apoio dos EUA sobre problemas internos do Brasil e disse que ela “é absurda e realmente um ataque à soberania do país”.
O General Santos Cruz citou o caso de Eduardo Bolsonaro que, durante mandato de deputado federal, foi negociar pessoalmente sanções contra o próprio país e chamou o fato de “coisa inimaginável”. Também chamou o documento proposto pelos EUA sobre as terras-raras brasileiras como inaceitável.
“Você não pode exportar terras-raras como se fosse minério de ferro e nem minério de ferro você deveria”.
As terras-raras devem se tornar cada vez mais estratégicas para a economia mundial, pois são utilizadas na fabricação de ímãs de alta potência presentes em motores de carros elétricos e turbinas eólicas, além de equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
O problema é que esses elementos não estão distribuídos igualmente pelo planeta e a China domina boa parte de sua produção e, sobretudo, do processamento industrial. Brasil, Austrália e Rússia também possuem reservas relevantes, o que coloca esses países no centro da disputa internacional por acesso a recursos essenciais à indústria e à transição energética.
Santos Cruz lembrou a polêmica compra de uma empresa que tem minas de terras-raras em Goiás por uma empresa dos EUA sem a participação da União, que é quem detém, segundo a Constituição Federal, o patrimônio dos recursos do subsolo.
“Você não pode vender [as terras-raras] como se você tivesse vendendo um botequim, uma padaria”, ironizou.

Santos Cruz: Busca de interferência é traição
Na conversa publicada nesta sexta-feira, 16 de outubro, o General 3 estrelas do Exército na verdade não chama a interlocução de busca de apoio, mas de intervenção externa. Para embasar sua crítica, o General Santos Cruz, que foi secretário geral da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), usou como exemplo a foto de Flávio Bolsonaro junto a Donald Trump.
“Você se submete a tirar uma fotografia que vai entrar para a história. Onde você tem o presidente dos EUA sentado e você em pé do lado numa posição de subalterno. Numa posição subalterna. Isso é uma foto histórica. Essa busca de interferência externa. Porque isso não é busca de apoio. Um candidato qualquer fazer um circuito internacional para conseguir uma boa imagem para, se ganhar, ter facilidade diplomática é normal. Agora, a busca de interferência é traição”.
Para Santos Cruz, apesar dos EUA ser um parceiro histórico do Brasil e exercer influência econômica, política, cultural e militar, hoje se trata de um país sem ética, confiabilidade e admiração.
“O problema não é com os EUA. O problema é comportamental do atual governo dos EUA”, complementou.
Brasil nunca será colônia dos EUA, diz General
Por outro lado, Carlos Alberto dos Santos Cruz defende que, diferentemente dos demais países do continente americano, Brasil, México e Canadá nunca serão colônias dos EUA, por se tratarem de países grandes não só em território e população, como também em capacidade intelectual e riqueza.
O Brasil, por exemplo, representa sozinho cerca de 50% da economia de toda a América do Sul, enquanto todos os demais 12 países juntos representam os outros 50%. Os dados são do Banco Mundial e se referem à comparação do PIB (Produto Interno Bruto) nominal entre as nações feita todos os anos.
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Esse “trunfo” é, inclusive, visto pelas Relações Exteriores do Brasil e pelas Forças Armadas como uma válvula de escape para não ter que se alinhar automaticamente nem aos EUA nem a China numa eventual divisão do mundo em um tabuleiro comandado pelas duas potências.
Durante palestra em Singapura no mês de setembro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o poder do Brasil não está nas Forças Armadas brasileiras, por exemplo, e sim na diplomacia, no pacifismo, na energia, nos alimentos e nos recursos naturais que dispõe.
O Brasil está entre os maiores produtos de alimentos, petróleo e energia do mundo, é o 2º em reservas de terras-raras, o 1º em quantidade de água doce e o mais rico em biodiversidade de espécies.
General não tem dúvidas de interferência dos EUA nas eleições brasileiras
O General de Divisão da reserva do Exército disse não ter dúvida alguma sobre estar ocorrendo interferência dos EUA nas eleições.
Segundo a Reuters, agência mundial de notícias, autoridades da França e da Alemanha foram alertadas pela ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) no início de outubro sobre interferência não só dos EUA nas eleições brasileiras como também da Rússia.
“Sem dúvida nenhuma existe essa possibilidade [de interferência dos EUA nas eleições] e já está ocorrendo. Essa interferência já vem ocorrendo num país doente. Um fanatismo que vem alimentando inimizades e brigas há 7, 8 anos. Isso aí deixou a sociedade doente”.
Carlos Alberto Santos Cruz argumentou durante entrevista ao Revelando que os EUA estão se beneficiando diretamente da “submissão voluntária” do Brasil, pois, se o atual presidente Lula for reeleito, vão ter que negociar.
Já se Flávio Bolsonaro vencer, na visão do General de Divisão da reserva do Exército, vai ficar muito mais fácil para Donald Trump ter um grupo no poder do país “que não só é simpático a você como tem quase obrigação moral com você”.
Dizendo que hoje os EUA têm como política uma América para os norte-americanos, e não para os americanos, ele criticou o uso do boné do MAGA, símbolo do movimento de Trump, por políticos eleitos brasileiros, como deputados e governadores.
“É submissão voluntária. Os EUA se beneficiam desse voluntariado que ele nem precisou recrutar. Recrutado por aquela idolatria, por aquela atração histórica que os EUA exercem sobre as pessoas. E se dizem patriotas, mas perderam totalmente o sentimento de patriotismo, porque aquilo ali é uma marca registrada de propaganda de um partido político dos EUA, mas um político nosso não pode fazer isso. São coisas vergonhosas que vêm acontecendo e ninguém estranha porque o fanatismo apaga tudo”.
Entrevista do General de Divisão da reserva do Exército, Carlos Alberto dos Santos Cruz
Esse general reformado/reserva, quando na ativa, era um oficial muito cruel com os seus subordinados, tive o desprazer de ter servido sob o seu comando no Haiti em 2007. Acho que ele não está muito atualizado, pois, nem sabe que o atual presidente do Brasil já vendeu para a China quase toda a nossa reserva de terras raras.