Uma operação militar brasileira prevista para novembro exigirá cuidados especiais de segurança. A tripulação deverá entrar em Israel, recolher um equipamento estratégico de vigilância e deixar o país sem pernoitar em território israelense.
A missão será realizada em um momento de instabilidade no Oriente Médio, enquanto autoridades aeronáuticas mantêm advertências sobre riscos no espaço aéreo e possíveis interferências na navegação por satélite. Para a Força Aérea Brasileira (FAB), a operação também representa uma tentativa de recuperar parte de uma capacidade militar comprometida por dois acidentes.
KC-390 deverá partir do Rio de Janeiro e evitar pernoite de militares em Israel
Um KC-390 Millennium do Esquadrão Gordo (1º/1º GT) tem decolagem prevista para 13 de novembro de 2026, a partir da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.
Segundo documentos obtidos pela Tecnologia & Defesa, a aeronave realizará diversas escalas antes de chegar ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel.
O objetivo é transportar ao Brasil um RQ-900 Hermes 900, drone militar de vigilância fabricado pela israelense Elbit Systems e adquirido pela Aeronáutica em 2024.

Entretanto, o planejamento inclui uma precaução importante. Por razões de segurança, a tripulação brasileira não deverá pernoitar em Israel, limitando sua permanência durante a operação logística.
A medida reflete os cuidados adotados diante da situação regional. Até o momento, a FAB não divulgou publicamente o itinerário completo, os horários das escalas nem a data exata de chegada do KC-390 ao território israelense.
Alerta aéreo e risco de interferências no GPS exigem atenção à operação

Os cuidados previstos para a missão encontram respaldo no cenário descrito por autoridades responsáveis pela segurança da aviação.
A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) mantém uma advertência sobre riscos no espaço aéreo israelense, emitida em 30 de setembro de 2026, com validade prevista até 16 de novembro.
O documento abrange todas as altitudes da região de informação de voo de Tel Aviv. A agência orienta operadores civis a considerar os riscos existentes antes de realizar operações na área.
Além disso, a autoridade aeronáutica israelense publicou, em 28 de outubro, o NOTAM A0855/26, que alerta para possíveis interrupções em equipamentos de navegação por satélite.
O aviso envolve os sistemas GNSS, categoria que inclui o GPS, e tem validade prevista até 1º de janeiro de 2027. Portanto, seu período de vigência abrange a missão planejada pela FAB, salvo alterações ou cancelamento.
Interferências nesses sistemas podem comprometer a precisão das informações de posicionamento utilizadas pelas aeronaves, exigindo atenção aos procedimentos de navegação.
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As advertências não significam que o KC-390 sofrerá falhas nem representam uma proibição geral de voos para Israel. A nota europeia é dirigida à aviação civil. Como a data exata de chegada do transporte brasileiro ainda não foi divulgada, também não é possível confirmar se o pouso ocorrerá durante sua vigência.
Brasil busca tecnologia israelense para recuperar capacidade de vigilância após dois acidentes
Por trás da operação internacional está um problema concreto enfrentado pela FAB: a redução de sua frota de aeronaves remotamente pilotadas de longo alcance.
O Hermes 900 pode permanecer mais de 30 horas em voo e realizar missões de inteligência, vigilância e reconhecimento de grandes áreas. Essa autonomia permite acompanhar operações militares e situações de emergência por períodos prolongados.
A Aeronáutica chegou a operar três unidades do modelo, mas perdeu a primeira em maio de 2024, durante as operações de apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
Em setembro daquele ano, a FAB contratou uma aeronave substituta por R$ 50 milhões.
Entretanto, antes da chegada do equipamento, ocorreu outro acidente. Em 25 de março de 2026, um segundo Hermes 900 caiu durante o Exercício Cooperación XI, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Com as duas perdas, a FAB ficou com apenas uma aeronave desse modelo. A situação expôs as limitações da capacidade brasileira de vigilância e a necessidade de recompor a frota.
Agora, mais de dois anos após a contratação do substituto, o KC-390 deverá trazer a aeronave destinada ao Esquadrão Hórus, sediado em Santa Maria (RS).
Mesmo após a missão a Israel, o Brasil continuará com menos Hermes 900 do que possuía antes dos acidentes. O transporte previsto para novembro permitirá recuperar parte da capacidade perdida, mas não será suficiente para restaurar o tamanho original da frota.