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KC-390 da FAB rumo a Israel: missão de risco busca trazer ao Brasil tecnologia militar estratégica

Voo previsto para 13 de novembro levará militares brasileiros a Israel, sob alerta aéreo e com permanência limitada por razões de segurança.

KC-390 da FAB rumo a Israel: missão de risco busca trazer ao Brasil tecnologia militar estratégica
KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira. Aeronave do mesmo modelo deverá ser utilizada em missão a Israel para buscar um drone militar Hermes 900. Foto: Colin Cooke / Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0.

Uma operação militar brasileira prevista para novembro exigirá cuidados especiais de segurança. A tripulação deverá entrar em Israel, recolher um equipamento estratégico de vigilância e deixar o país sem pernoitar em território israelense.

A missão será realizada em um momento de instabilidade no Oriente Médio, enquanto autoridades aeronáuticas mantêm advertências sobre riscos no espaço aéreo e possíveis interferências na navegação por satélite. Para a Força Aérea Brasileira (FAB), a operação também representa uma tentativa de recuperar parte de uma capacidade militar comprometida por dois acidentes.

KC-390 deverá partir do Rio de Janeiro e evitar pernoite de militares em Israel

Um KC-390 Millennium do Esquadrão Gordo (1º/1º GT) tem decolagem prevista para 13 de novembro de 2026, a partir da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.

Segundo documentos obtidos pela Tecnologia & Defesa, a aeronave realizará diversas escalas antes de chegar ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel.

O objetivo é transportar ao Brasil um RQ-900 Hermes 900, drone militar de vigilância fabricado pela israelense Elbit Systems e adquirido pela Aeronáutica em 2024.

Drone militar Hermes 900, fabricado pela israelense Elbit Systems, decolando de uma pista com trem de pouso estendido.
Drone Hermes 900, desenvolvido pela israelense Elbit Systems. A FAB prepara uma missão com um KC-390 para buscar uma aeronave desse modelo em Israel.

Entretanto, o planejamento inclui uma precaução importante. Por razões de segurança, a tripulação brasileira não deverá pernoitar em Israel, limitando sua permanência durante a operação logística.

A medida reflete os cuidados adotados diante da situação regional. Até o momento, a FAB não divulgou publicamente o itinerário completo, os horários das escalas nem a data exata de chegada do KC-390 ao território israelense.

Alerta aéreo e risco de interferências no GPS exigem atenção à operação

Bateria do sistema antimísseis Iron Dome, conhecido como Cúpula de Ferro, posicionada em Israel com lançadores apontados para o céu.
Bateria do sistema de defesa aérea Iron Dome, responsável pela interceptação de foguetes e outras ameaças em Israel. Imagem ilustrativa, sem relação direta com a missão prevista do KC-390 brasileiro.

Os cuidados previstos para a missão encontram respaldo no cenário descrito por autoridades responsáveis pela segurança da aviação.

A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) mantém uma advertência sobre riscos no espaço aéreo israelense, emitida em 30 de setembro de 2026, com validade prevista até 16 de novembro.

O documento abrange todas as altitudes da região de informação de voo de Tel Aviv. A agência orienta operadores civis a considerar os riscos existentes antes de realizar operações na área.

Além disso, a autoridade aeronáutica israelense publicou, em 28 de outubro, o NOTAM A0855/26, que alerta para possíveis interrupções em equipamentos de navegação por satélite.

O aviso envolve os sistemas GNSS, categoria que inclui o GPS, e tem validade prevista até 1º de janeiro de 2027. Portanto, seu período de vigência abrange a missão planejada pela FAB, salvo alterações ou cancelamento.

Interferências nesses sistemas podem comprometer a precisão das informações de posicionamento utilizadas pelas aeronaves, exigindo atenção aos procedimentos de navegação.

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As advertências não significam que o KC-390 sofrerá falhas nem representam uma proibição geral de voos para Israel. A nota europeia é dirigida à aviação civil. Como a data exata de chegada do transporte brasileiro ainda não foi divulgada, também não é possível confirmar se o pouso ocorrerá durante sua vigência.

Brasil busca tecnologia israelense para recuperar capacidade de vigilância após dois acidentes

Por trás da operação internacional está um problema concreto enfrentado pela FAB: a redução de sua frota de aeronaves remotamente pilotadas de longo alcance.

O Hermes 900 pode permanecer mais de 30 horas em voo e realizar missões de inteligência, vigilância e reconhecimento de grandes áreas. Essa autonomia permite acompanhar operações militares e situações de emergência por períodos prolongados.

A Aeronáutica chegou a operar três unidades do modelo, mas perdeu a primeira em maio de 2024, durante as operações de apoio às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Em setembro daquele ano, a FAB contratou uma aeronave substituta por R$ 50 milhões.

Entretanto, antes da chegada do equipamento, ocorreu outro acidente. Em 25 de março de 2026, um segundo Hermes 900 caiu durante o Exercício Cooperación XI, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Com as duas perdas, a FAB ficou com apenas uma aeronave desse modelo. A situação expôs as limitações da capacidade brasileira de vigilância e a necessidade de recompor a frota.

Agora, mais de dois anos após a contratação do substituto, o KC-390 deverá trazer a aeronave destinada ao Esquadrão Hórus, sediado em Santa Maria (RS).

Mesmo após a missão a Israel, o Brasil continuará com menos Hermes 900 do que possuía antes dos acidentes. O transporte previsto para novembro permitirá recuperar parte da capacidade perdida, mas não será suficiente para restaurar o tamanho original da frota.

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