Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Marinha do Brasil possui seis helicópteros militares equipados com sonar para localizar submarinos debaixo do mar e armamento capaz de atacá-los, em uma capacidade pouco conhecida da defesa brasileira

Os seis SH-16 Seahawk da Marinha usam sonar HELRAS para localizar submarinos e torpedos Mk-46. Em maio de 2026, um helicóptero encontrou o Humaitá duas vezes e transmitiu os contatos à fragata Defensora.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 02/11/2026 às 10:39
Compartilhar
Marinha do Brasil possui seis helicópteros militares equipados com sonar para localizar submarinos debaixo do mar e armamento capaz de atacá-los, em uma capacidade pouco conhecida da defesa brasileira
SH-16 Seahawk N-3035, do Esquadrão HS-1, em registro de arquivo de 2023. Crédito: Marinha do Brasil / Esquadrão HS-1, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Seis helicópteros SH-16 Seahawk da Marinha do Brasil têm capacidade de localizar submarinos escondidos no oceano usando um sonar submersível e de atacá-los com torpedos. Em 4 de maio de 2026, um deles encontrou o submarino brasileiro Humaitá (S-41) em duas ocasiões, permitindo que a fragata Defensora realizasse ataques simulados. A operação foi divulgada pela Marinha em 20 de maio.

Os helicópteros pertencem ao 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (HS-1), sediado em São Pedro da Aldeia (RJ). Além do sensor HELRAS DS-100, a aeronave pode empregar torpedos Mk-46 e mísseis contra navios. Em fevereiro, o esquadrão ultrapassou 12 mil horas de voo acumuladas com os Seahawks.

Outra etapa está em andamento: estudos para operar os SH-16 a partir das novas fragatas da classe Tamandaré. Uma campanha de pousos nesses navios estava prevista para novembro de 2026, após testes técnicos feitos com apoio da Força Aérea Brasileira.

Seis helicópteros SH-16 Seahawk concentram a caça a submarinos

O HS-1 opera seis aeronaves SH-16, segundo comunicado da Diretoria de Aeronáutica da Marinha publicado em 25 de junho de 2026. O esquadrão fica no Complexo Aeronaval de São Pedro da Aldeia, no litoral fluminense, e recebe missões de detecção, localização, acompanhamento, identificação e ataque a submarinos e alvos de superfície.

A compra começou em 2008, com quatro helicópteros Sikorsky S-70B, e foi ampliada em 2011 com mais duas unidades. As primeiras aeronaves chegaram ao Brasil em 2012 para substituir os antigos Sea King nas tarefas antissubmarino. A designação SH-16 é usada pela Aviação Naval brasileira.

Helicóptero SH-16 Seahawk da Marinha durante aproximação e pouso em convés de navio, fotografia de arquivo
Helicóptero SH-16 Seahawk durante pouso em navio militar, em imagem de arquivo. Foto: Roberto Caiafa / Marinha do Brasil, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Além do combate naval, os Seahawks podem realizar busca e salvamento, evacuação aeromédica, transporte de tropas e apoio logístico. A combinação de sensores e armamento, entretanto, é o que permite levar a busca por submarinos para além dos equipamentos instalados nos cascos dos navios.

Sonar HELRAS desce até a água e procura contatos que o radar não vê

O principal recurso usado contra submarinos é o HELRAS DS-100, sonar ativo de baixa frequência e profundidade variável. Com o helicóptero em voo pairado, o conjunto submersível permite pesquisar contatos debaixo da superfície. A Marinha descreve o equipamento como capaz de detectar alvos submarinos a grandes distâncias, sem divulgar um alcance fixo para todas as condições de operação.

O radar APS-143 da aeronave auxilia a busca por contatos na superfície do mar. Já o sonar trabalha com sinais acústicos para investigar o ambiente subaquático. Quando a tripulação identifica um contato, os dados podem orientar o acompanhamento do alvo e o emprego de armamento apropriado.

A ficha oficial do SH-16 confirma a capacidade de utilizar torpedos Mk-46 contra submarinos. Para alvos de superfície, o helicóptero também foi configurado para empregar o míssil antinavio Penguin, com alcance citado pela própria Marinha em cerca de 18 milhas náuticas, aproximadamente 33 quilômetros.

SH-16 encontrou o Humaitá duas vezes e fragata simulou ataques

Helicóptero SH-16 Seahawk sobrevoa submarino da Marinha do Brasil durante operação naval. Em maio de 2026, uma aeronave desse modelo localizou o Humaitá duas vezes durante treinamento de guerra antissubmarino. Foto: Marinha do Brasil.

Em 4 de maio de 2026, um SH-16 participou de uma atividade no mar junto do submarino Humaitá (S-41) e da fragata Defensora (F-41). O helicóptero estabeleceu contato com o submarino em duas ocasiões diferentes, segundo comunicado divulgado pelo Comando da Força Aeronaval no dia 20 daquele mês.

As informações obtidas pela aeronave foram enviadas à fragata, que assumiu a fase de engajamento e simulou ataques com torpedos. O exercício integrou a formação de futuros comandantes de submarinos e demonstrou a sequência de busca aérea, compartilhamento de dados e resposta de um navio de superfície.

O Humaitá já havia participado de outra operação com esses helicópteros. Em 29 de novembro de 2025, um SH-16 embarcado no navio de desembarque Almirante Saboia usou o sonar HELRAS DS-100 durante uma busca submarina e realizou um ataque simulado com torpedo Mk-46 Mod 5, a partir de voo pairado. A Marinha detalhou a atividade em janeiro de 2026.

Nos dois episódios, o submarino brasileiro atuou como alvo de treinamento. As ações descritas foram simulações de combate para testar tripulações e procedimentos, sem registro de disparo real de torpedo contra o Humaitá.

Receba nossas notícias independentemente dos algorítimos das redes sociais, entre no nosso grupo agora

Entrar no grupo agora

Esquadrão superou 12 mil horas e enfrentou reparo difícil no sonar

Em 9 de fevereiro de 2026, o HS-1 chegou a 12 mil horas de voo acumuladas com a frota de SH-16. O marco ocorreu durante uma atividade com óculos de visão noturna. O número representa o total voado pelos helicópteros do esquadrão ao longo dos anos, e não as horas de uma única aeronave.

A prontidão desses helicópteros também depende da manutenção de seus sensores. Em 2022, a Marinha informou ter concluído no Brasil um reparo inédito na unidade submersível do HELRAS após problemas que deixaram o equipamento indisponível por nove meses. O trabalho permitiu retomar voos de treinamento antissubmarino com o conjunto recuperado.

O esquadrão também utiliza simuladores para qualificar pilotos e operadores de sensores. O treinamento em simulador reproduz o emprego do sonar, do radar e de cenários de combate, permitindo ensaiar decisões e procedimentos antes das missões embarcadas.

Fragatas Tamandaré exigem novos testes antes da operação embarcada

Os helicópteros estão sendo preparados para atuar nas fragatas da classe Tamandaré. Em junho de 2026, o HS-1 recebeu resultados de cinco semanas de pesquisas, ensaios e análises desenvolvidos com o Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), da Força Aérea Brasileira, em São José dos Campos (SP).

Os trabalhos examinaram as condições de vento em que um SH-16 pode pousar, decolar e operar com segurança no convés das novas fragatas. Em comunicado publicado em 26 de junho, a Marinha informou que os dados subsidiariam uma campanha de pousos a bordo prevista para novembro de 2026.

Militares da Marinha com equipamentos de proteção orientam helicóptero SH-16 Seahawk no convés de um navio
Militares orientam operação de pouso de um SH-16 Seahawk no convés, em fotografia de arquivo. Foto: Roberto Caiafa / Marinha do Brasil, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Essa etapa deverá definir os limites seguros para integrar helicóptero e navio, permitindo que a busca por submarinos seja conduzida a partir das novas escoltas. A confirmação da campanha de novembro e dos resultados dos pousos será o próximo passo para acompanhar a entrada dos SH-16 nessa fase da modernização naval.

guest
0 Comentários