Uma movimentação de 25 viaturas militares, incluindo blindados Piranha e M113, reuniu 245 alunos da Marinha do Brasil na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O treinamento dos Fuzileiros Navais ocorreu de 13 a 23 de outubro de 2026, em áreas de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Araruama. Durante 11 dias de atividades, militares de sete cursos e estágios passaram da formação técnica para a prática com veículos, comunicações e apoio motomecanizado.
Entre os 25 veículos havia dois blindados Piranha sobre rodas e dois M113 MB1 sobre lagartas. Ao lado deles, caminhões, viaturas de transporte e ambulâncias compuseram uma estrutura que precisava funcionar como conjunto. A Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia serviu de apoio para a instalação do posto de comando, do acampamento e das instruções realizadas de dia e à noite.
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O exercício foi conduzido pelo Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), responsável pela qualificação de diferentes especialidades do Corpo de Fuzileiros Navais. A atividade não foi um conflito real nem uma operação de combate nas cidades: foi uma etapa de formação profissional em terreno, divulgada pela Marinha e noticiada em 4 de novembro.
Quatro blindados no meio de 25 viaturas: veja o que a Marinha levou para o treinamento
Os dois modelos mais conhecidos do grupo eram os blindados Piranha e M113 MB1. O primeiro se desloca por rodas; o segundo utiliza lagartas. Essa diferença muda a maneira como o veículo reage ao terreno e exige procedimentos de condução e manutenção específicos, uma das razões para colocar os dois tipos em uma mesma programação de instrução.
Mas os blindados representavam apenas quatro dos 25 veículos mobilizados. A composição informada pelo CIASC incluía ainda quatro caminhões ATEGO de cinco toneladas, cinco UNIMOG U-5000 de cinco toneladas, dez viaturas de três quartos de tonelada e duas ambulâncias administrativas. Somados aos dois Piranha e aos dois M113, esses meios chegam exatamente ao total anunciado.
- 2 Piranha: viaturas blindadas sobre rodas;
- 2 M113 MB1: viaturas blindadas sobre lagartas;
- 4 ATEGO e 5 UNIMOG: caminhões de cinco toneladas utilizados nas atividades;
- 10 viaturas de ¾ de tonelada: apoio a deslocamentos e instruções;
- 2 ambulâncias administrativas: componentes de apoio da frota.
Não houve, portanto, 25 viaturas comuns mais quatro blindados. Os quatro veículos blindados já faziam parte da conta. Essa divisão mostra que treinar com meios pesados não significa movimentar apenas equipamentos de combate: a estrutura de transporte e suporte precisa acompanhar a tropa.
Por que a Marinha levou blindados para São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Araruama?
A Região dos Lagos ofereceu terrenos variados para a mesma turma, com áreas rurais e litorâneas. As instruções distribuídas por quatro municípios permitiram trabalhar deslocamentos, condução de veículos e técnicas próprias das especialidades envolvidas. A presença de blindados nas vias de treinamento esteve vinculada à preparação dos alunos, não a uma operação de segurança pública anunciada para essas cidades.

Na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia foram organizados o posto de comando e o acampamento. A instalação concentrou parte da estrutura necessária para que os alunos saíssem para as atividades no terreno e retornassem a uma base de apoio, inclusive nos períodos de instrução noturna. A base cumpriu função logística: não há informação de que aeronaves tenham participado do treinamento.
Esse é um detalhe que ajuda a explicar a dimensão da atividade. A tarefa não se resumia a colocar blindados para circular: os participantes também precisavam receber instruções, manter comunicações, utilizar os meios de apoio e trabalhar em turnos compatíveis com a programação.
Piranha sobre rodas e M113 com lagartas: o que muda quando o terreno fica difícil
O Piranha, empregado pelos Fuzileiros Navais em diferentes missões, pertence à família de viaturas blindadas de transporte de pessoal sobre rodas. Já o M113 MB1 deriva de uma plataforma sobre lagartas, com características de condução e manutenção distintas. Os dois tipos constam há anos do inventário operacional da Marinha, mas atenderam a propósitos de instrução neste exercício específico.
Um histórico do próprio Corpo de Fuzileiros Navais, publicado na revista institucional Âncoras e Fuzis, detalha a evolução do Batalhão de Blindados e o projeto de modernização dos M113 para o padrão MB1. A publicação descreve mudanças previstas para componentes de propulsão, suspensão e sistemas do veículo, contextualizando por que o domínio técnico dos operadores e mecânicos é necessário.
A Marinha já havia registrado, em 2020, treinamento de Piranha e M113 em São Pedro da Aldeia, com foco na operação de meios blindados. A edição de outubro de 2026, porém, reuniu um conjunto maior de especialidades, incluindo comunicações e motores e máquinas. **Os registros anteriores ajudam a entender os veículos, mas não devem ser confundidos com imagens ou resultados do exercício de 2026.**
O comunicado do CIASC não apresentou testes comparativos de velocidade, armamento ou resistência entre Piranha e M113. A diferença confirmada e relevante para o leitor é a arquitetura de locomoção: rodas em um modelo, lagartas no outro.
Sete cursos e estágios treinaram juntos: quem participou da mobilização dos 245 alunos
O grupo foi formado por alunos de sete cursos e estágios de aperfeiçoamento, especialização e qualificação técnica. A programação incluiu Aperfeiçoamento em Blindados e Especialização em Blindados; Aperfeiçoamento em Comunicações Navais e Especialização em Comunicações Navais; Aperfeiçoamento em Motores e Máquinas e Especialização em Motores e Máquinas; além da Qualificação Técnica Especial para Motorista Militar de Viatura Operativa Leve.
O que conecta essas formações é a necessidade de operar os meios em conjunto. Um motorista pode dominar a condução de um blindado, mas o deslocamento de uma unidade também depende das informações repassadas por comunicações e da conservação mecânica das viaturas. Sem essas tarefas de apoio, o veículo pode estar disponível e, ainda assim, não ser empregado de maneira coordenada.

A prática foi voltada a conhecimentos profissionais: direção e operação de viaturas, uso dos blindados, procedimentos de comunicações e atividades técnicas dos cursos envolvidos. A divulgação não especificou quantos alunos pertenciam individualmente a cada curso, nem trouxe notas finais ou resultados de avaliação.
Treino durou 11 dias, com instruções de dia e à noite e apoio de uma base aeronaval
O período de 13 a 23 de outubro corresponde a 11 dias corridos. Nesse intervalo, a Marinha organizou atividades diurnas e noturnas, aproveitando a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia como ponto de suporte. A informação de duração se refere ao calendário do exercício, não a 11 dias de deslocamentos ininterruptos dos blindados.
Treinar depois do anoitecer aumenta a exigência de orientação, comunicação e coordenação dos veículos, enquanto a variedade de áreas percorridas amplia a experiência dos alunos em ambientes diferentes. O CIASC apresentou a iniciativa como parte do aperfeiçoamento das técnicas, táticas e procedimentos das especialidades, sem divulgar uma medição pública de desempenho que autorize anunciar ganhos quantificados.
A Marinha mantém outros programas de formação em que essas habilidades aparecem sob formatos distintos. Em setembro, por exemplo, o Sociedade Militar noticiou um exercício de quase 600 Fuzileiros Navais na Restinga da Marambaia, com duração e objetivos próprios. Os dois treinamentos integram o preparo da Força, mas não são o mesmo evento.
O que os 245 alunos da Marinha aprenderam e por que isso importa para as operações anfíbias
A missão dos Fuzileiros Navais exige coordenação entre pessoal, veículos, transporte e comunicação. Por isso, a formação não se limita à instrução de combate. Preparar mecânicos, motoristas, operadores de blindados e especialistas em comunicações é parte do trabalho necessário para uma força ser capaz de se deslocar e operar em cenários diferentes.
O treinamento da Região dos Lagos teve esse caráter de integração técnica. **Não há indicação de desembarque de combate ou de operação anfíbia completa** na programação descrita. O que foi confirmado é o emprego das viaturas no terreno, apoiado por instruções específicas e pelo funcionamento de uma estrutura logística.
Para compreender outra modalidade de preparação, também é possível acompanhar a reportagem do Sociedade Militar sobre os Comandos Anfíbios que treinaram no Pantanal com deslocamentos pelo rio Paraguai e marcha a pé. Na Região dos Lagos, o foco foi outro: colocar as especialidades de blindados, transporte, manutenção e comunicação diante de situações práticas de instrução.
Encerradas as atividades em 23 de outubro, o exercício deixou aos 245 alunos a experiência de operar e apoiar uma frota de 25 viaturas em quatro municípios fluminenses. A Marinha não divulgou resultados individuais de aproveitamento nem anunciou nova operação derivada diretamente dessa etapa. Para os futuros operadores e especialistas, o próximo desafio é aplicar os procedimentos aprendidos nas funções e missões de suas unidades.
Você já conhecia a diferença entre os blindados Piranha e M113 dos Fuzileiros Navais? Conte nos comentários e compartilhe esta reportagem com quem acompanha os equipamentos da Marinha do Brasil.