Uma missão simulada de retirada de civis em área de risco levou os Comandos Anfíbios da Marinha do Brasil a percorrer aproximadamente 122 quilômetros entre o rio Paraguai e o Pantanal. A Operação Corixo mobilizou um navio de guerra, embarcações de transporte de tropa, uma lancha blindada e apoio de aviação naval em Mato Grosso do Sul.
O treinamento ocorreu entre 15 e 24 de setembro de 2026, nas regiões de Ladário e Corumbá, e foi divulgado pela Marinha na sexta-feira, 9 de outubro. Na etapa principal, os militares navegaram 100 quilômetros e ainda cumpriram cerca de 22 quilômetros de deslocamentos a pé, em uma missão de evacuação de não combatentes.
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A proposta era colocar os alunos de uma das especializações mais exigentes dos Fuzileiros Navais diante de uma tarefa concreta: planejar a retirada de pessoas de uma região de difícil acesso, articulando meios fluviais, terrestres e aeronavais.
Operação Corixo colocou tropas especiais em uma missão de retirada de civis no Pantanal
Na segunda semana do curso, os militares executaram a Operação Corixo na região de Porto Morrinho, próxima a Corumbá. O roteiro reproduziu as exigências de uma Operação de Evacuação de Não Combatentes, modalidade usada pelas Forças Armadas quando pessoas precisam deixar uma área ameaçada.
Segundo o comunicado oficial do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, os próprios alunos participaram do planejamento e da execução. A operação realizada no Pantanal foi uma simulação militar, e não uma retirada emergencial de moradores.
Monitor Parnaíba transportou os alunos por 70 quilômetros no rio Paraguai
Uma parte decisiva do deslocamento ocorreu a bordo do Monitor Parnaíba (U-17). A embarcação da Marinha levou os militares por 70 quilômetros do rio Paraguai, enquanto outros 30 quilômetros foram percorridos em Embarcações de Transporte de Tropa.
O emprego de duas modalidades de transporte no mesmo percurso exigiu a integração entre navio e embarcações menores. No Pantanal, braços de rios, áreas estreitas e pontos de desembarque tornam o deslocamento fluvial uma parte essencial do planejamento de operações militares.

Além dos 100 quilômetros por água, militares percorreram 22 quilômetros a pé
Além da navegação, os participantes cumpriram aproximadamente 22 quilômetros de deslocamentos terrestres. A soma das distâncias informadas pela Marinha chega a cerca de 122 quilômetros entre os trechos percorridos por água e por terra.
Para quem opera em áreas alagadas, deslocar-se da embarcação para o terreno exige conhecimentos de orientação e sobrevivência. Na Operação Corixo, esses conhecimentos foram cobrados depois de dias de adaptação ao clima e às características da região.
Lancha blindada Excalibur entrou na cadeia de evacuação
A Lancha de Operações Ribeirinhas Excalibur também participou da missão, integrando a cadeia de evacuação. O projeto dessa família de embarcações nasceu na Base Fluvial de Ladário e foi desenvolvido para navegar em rios com restrições de espaço, vegetação e bancos de areia.
Em apresentação oficial da Excalibur em 2025, a Marinha informou que a lancha é capaz de transportar até 17 militares e de levar duas toneladas de carga. A força também empregou lanchas desse tipo em ações de combate a incêndios florestais em 2024.
Esquadrão HU-61 deu apoio aeronaval à movimentação no Pantanal
A ação incluiu o apoio do Esquadrão HU-61, unidade de helicópteros da Marinha sediada na região. Com o Monitor Parnaíba, as embarcações de transporte e a Excalibur, a tropa teve de considerar diferentes meios disponíveis para a missão simulada.
O apoio do esquadrão se somou ao emprego dos meios fluviais durante o treinamento na região de Porto Morrinho. O planejamento da Operação Corixo reuniu unidades da Marinha com funções diferentes no deslocamento e no apoio às equipes em missão.
Antes da missão, curso passou por sobrevivência e adaptação à vida no Pantanal
O treinamento no Pantanal começou com uma marcha de aclimatação apoiada pelo 3º Batalhão de Operações Ribeirinhas, em direção à Área de Adestramento do Rabicho. Nesse local, participaram de uma etapa específica para aprender a operar nas condições do Pantanal.
A programação incluiu técnicas de construção de abrigos, obtenção de água e alimentos, identificação de armadilhas, orientação durante o dia e à noite e equitação em cavalo pantaneiro. Também foram realizadas instruções com armamento e atividades de sobrevivência.
O calor predominante em Mato Grosso do Sul foi uma das condições exploradas pelos instrutores. A intenção era fazer com que os militares empregassem as técnicas aprendidas no curso em um ambiente diferente das áreas costeiras onde o Corpo de Fuzileiros Navais costuma treinar.
O navio usado na operação foi construído antes da Segunda Guerra Mundial
O Monitor Parnaíba acrescentou uma característica histórica à Operação Corixo. Projetado e construído no Brasil, o navio foi concluído em 1937 e incorporado à Flotilha de Mato Grosso em 1938, permanecendo associado às operações fluviais da Marinha.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Parnaíba também serviu na região de Salvador, em missões de escolta e patrulhamento. Décadas depois, continua sendo empregado nos rios da fronteira oeste brasileira, incluindo atividades de transporte e apoio a tropas.
Evacuação de não combatentes pode exigir retirada de brasileiros de áreas ameaçadas
Missões de evacuação de não combatentes são planejadas para retirar com segurança cidadãos brasileiros e outras pessoas de interesse do governo de lugares atingidos por crises. Instabilidade política, conflitos e desastres naturais estão entre as situações que podem motivar esse tipo de operação.
A Agência Marinha de Notícias explicou esse procedimento ao divulgar uma operação conjunta com forças francesas em 2025, quando militares também treinaram acolhimento, triagem e transporte de pessoas para um local seguro.
No Pantanal, a Marinha utilizou a mesma finalidade operacional como cenário de treinamento. A integração de deslocamentos por rio e por terra permitiu praticar a movimentação da tropa em uma região com condições geográficas muito próprias.
Curso de 34 semanas prepara oficiais e praças para missões especiais
A Operação Corixo integra o Curso Especial de Comandos Anfíbios de 2026, ministrado pela Escola de Operações Especiais do CIASC. De acordo com a informação mais recente da Marinha, a formação tem duração total de 34 semanas e é destinada a oficiais e praças.
Em junho, os alunos já haviam encerrado seis semanas de adaptação à atividade de operações especiais. Naquela fase, enfrentaram avaliações de liderança sob fadiga e uma marcha superior a 40 quilômetros na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, antes de avançarem para o aprimoramento técnico.

Treinamento encerrado em setembro mantém foco na capacidade de operar em ambientes diferentes
A etapa do Pantanal foi concluída em 24 de setembro, após reunir sobrevivência, navegação fluvial, deslocamento terrestre e uma operação simulada de evacuação. O balanço foi tornado público pelo CIASC em 9 de outubro de 2026.
Depois de passar pela fase de adaptação e por atividades em outros terrenos, os futuros Comandos Anfíbios continuam sua formação voltada ao planejamento e à execução de operações especiais de Fuzileiros Navais. Para você, qual é o ambiente brasileiro mais desafiador para uma tropa desse tipo: o Pantanal, a Amazônia ou o litoral? Deixe sua opinião nos comentários.
A operação chama-se mesmo corixo? Não seria corisco?