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Naval Group revela em Paris o SCX 26, navio de guerra de 170 metros que pode lançar mais de 100 mísseis e comandar drones no ar, na superfície e debaixo d’água

Parceira do Brasil no PROSUB, Naval Group apresenta novo conceito de navio de combate com operação multidomínio

Bassani
Por Bassani 06/11/2026 às 22:58
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Naval Group revela em Paris o SCX 26, navio de guerra de 170 metros que pode lançar mais de 100 mísseis e comandar drones no ar, na superfície e debaixo d’água
Parceira do Brasil no PROSUB, Naval Group apresenta novo conceito de navio de combate com operação multidomínio

Um navio de guerra com 170 metros de comprimento, mais de uma centena de posições de lançamento de mísseis previstas e espaço para levar, reparar e despachar drones do ar, da superfície e debaixo d’água. Essa foi a imagem de futuro apresentada pela francesa Naval Group em 3 de novembro, durante a feira Euronaval 2026, em Paris. O projeto recebeu o nome SCX 26 e combina uma proposta ousada de navio de combate com tecnologias que ainda precisam amadurecer.

A embarcação existe, por enquanto, nos desenhos e no modelo exposto pela empresa. Não há anúncio de encomenda, estaleiro escolhido para uma construção seriada, tripulação designada ou data de entrada em serviço. A novidade está na arquitetura naval que a fabricante resolveu mostrar: um grande combatente de superfície concebido desde o início para comandar uma rede de veículos sem tripulantes, em vez de receber alguns drones como acessórios.

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O projeto chama a atenção brasileira também por quem o assina. A Naval Group é parceira industrial da Marinha do Brasil no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), responsável pelos submarinos convencionais da classe Riachuelo e pela cooperação tecnológica associada ao primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear. O SCX 26 não faz parte do PROSUB nem foi anunciado como oferta à Marinha brasileira. Sua apresentação, contudo, mostra que tipo de tecnologia um fornecedor conhecido no país está estudando para a guerra no mar.

Composição gráfica editorial de um navio de combate futuro. Não é fotografia do SCX 26 nem reprodução do modelo oficial da Naval Group. Crédito/licença: Arte editorial original desta entrega, inspirada apenas em características gerais confirmadas.

Um navio de 8 mil toneladas com duas torres e uma área central que pode mudar de função

A silhueta do SCX 26 foge daquela de uma fragata tradicional. Em lugar de uma superestrutura contínua, duas grandes torres espaçadas repartem antenas, sensores e postos de trabalho. Entre elas, a fabricante reservou uma área flexível, capaz de receber equipamentos diferentes conforme a missão. A solução procura distribuir sistemas vitais e evitar que um único dano comprometa todas as funções de observação e comando.

O conceito apresentado tem aproximadamente 8 mil toneladas de deslocamento, 24 metros de largura, velocidade máxima projetada de 30 nós e autonomia superior a 8 mil milhas náuticas. As estimativas de porte variam conforme a fonte técnica e a condição de carregamento descrita; a Reuters também registrou a faixa de 8 mil a 10 mil toneladas. Em qualquer uma dessas referências, é um navio significativamente maior que as fragatas FDI que a mesma empresa fabrica.

Infográfico da redação; capacidades de projeto, ainda não comprovadas no mar. Crédito/licença: arte original desta entrega, para uso editorial. Fonte dos dados: Naval Group e imprensa especializada da Euronaval 2026.

A proposta prevê propulsão combinada diesel-elétrica e turbina a gás, conhecida pela sigla CODLAG. É uma arquitetura que permitiria usar diferentes fontes de energia e regimes de potência conforme a necessidade. O desenho de baixa assinatura radar, com superfícies angulosas e equipamentos integrados à estrutura, procura dificultar a detecção, mas ainda não existe embarcação construída cujo desempenho possa ser medido no mar.

O arsenal: 96 células identificáveis no desenho e alternativas para ultrapassar 100

A apresentação trouxe um número capaz de dominar a conversa: mais de 100 silos de lançamento vertical de diferentes categorias, segundo a descrição ampla do conceito. A configuração detalhada por publicações especializadas mostra 12 módulos Sylver, oito à proa e quatro à popa. Esse arranjo corresponderia a 96 células na configuração básica apresentada. Outras combinações de lançadores ou mísseis compactados poderiam elevar a capacidade indicada pela fabricante.

A distinção entre células e mísseis embarcados é importante. Uma célula de lançamento recebe uma configuração determinada; certas soluções permitem reunir mais de um interceptador menor no mesmo espaço. Por isso, somar todas as armas possíveis de um desenho ainda flexível como se fossem munições já instaladas produziria uma conta enganosa.

Infográfico da redação a partir de especificações anunciadas. Crédito/licença: arte original desta entrega, para uso editorial. Fonte dos dados: Naval Group e The War Zone (03/11/2026).

Entre os armamentos considerados estão os mísseis antiaéreos Aster 30 e os mísseis de cruzeiro navais MdCN, destinados a atingir objetivos terrestres a longa distância. Na defesa próxima, duas posições para lançadores modulares Rampart poderiam receber foguetes guiados, interceptadores ou outros equipamentos. A arquitetura distribuiria parte dessas armas pela proa e pela região posterior do casco, em vez de concentrá-las em um só ponto.

Canhão lança projéteis por impulso elétrico; laser de 100 kW mira ameaças menores

O SCX 26 foi mostrado com um canhão eletromagnético, frequentemente chamado de railgun. Seu princípio difere do canhão que usa a expansão de gases produzida pela queima de propelente: campos eletromagnéticos aceleram o projétil. A ideia promete velocidades muito elevadas, mas exige enorme disponibilidade de energia, controle térmico e resistência dos componentes ao desgaste.

Na parte superior do navio aparece também uma proposta de laser de 100 quilowatts. Ele serviria como camada adicional de defesa contra determinados alvos, sobretudo ameaças menores para as quais disparar um míssil caro pode ser desproporcional. O funcionamento depende de geração elétrica, refrigeração, distância e condições atmosféricas. A potência anunciada não comprova uma capacidade de abater qualquer drone ou míssil em qualquer situação.

O emprego combinado de lançadores tradicionais, munições de defesa aproximada, canhão e laser revela uma preocupação central das marinhas: um navio precisa sobreviver a ataques sucessivos, inclusive com muitos alvos baratos. Lançadores têm estoques finitos; recarregá-los em alto-mar pode ser difícil. A resposta imaginada pela Naval Group é multiplicar camadas de defesa e sensores, mas cada arma terá de passar por desenvolvimento, testes e integração antes de chegar a uma embarcação operacional.

Na popa, um hangar funciona como base para helicópteros e veículos não tripulados

Talvez o trecho mais original do SCX 26 esteja longe dos mísseis. Sob o convés de voo, o navio teria um grande compartimento de missão conectado por elevador à área de operação de aeronaves. O espaço foi pensado para abrigar drones aéreos, pequenas embarcações não tripuladas e robôs submarinos, além de apoiar helicópteros e equipes de manutenção.

A fabricante considera até atividades de reparo e fabricação de peças durante a viagem, inclusive com recursos de produção aditiva. Assim, o navio poderia recolher um equipamento, identificar falhas, preparar sua próxima missão e devolvê-lo à água ou ao ar. O objetivo é aumentar o tempo de permanência dos sistemas não tripulados na área de interesse e reduzir a necessidade de regressar ao porto para intervenções menores.

Os drones teriam funções diferentes: reconhecimento, vigilância, guerra eletrônica, busca submarina, proteção de outros meios e possíveis missões de ataque. Um veículo mergulhado poderia investigar um contato sem expor imediatamente um navio tripulado; uma aeronave sem piloto poderia ampliar o horizonte de observação; um barco remoto serviria para explorar águas perigosas. A promessa de trabalhar em rede depende, porém, de comunicações seguras e integração confiável entre plataformas.

Uma tripulação de 150 pessoas para comandar uma esquadra de máquinas

A estimativa de pessoal divulgada para o conceito é de 150 tripulantes, com alojamentos para mais 100 especialistas, operadores de drones ou membros de estado-maior. Não é uma redução simples de marinheiros por substituição por robôs. Administrar aeronaves, sistemas submarinos, sensores e armamentos distintos acrescenta atividades de planejamento, manutenção, comunicação e análise.

É nessa organização que a inteligência artificial entraria como ferramenta de apoio: ajudar a filtrar informações provenientes de vários radares e sonares, priorizar contatos e manter uma visão comum do ambiente. O salto pretendido não seria apenas carregar mais equipamentos; seria fazer o conjunto trabalhar sem transformar a sala de comando em um lugar incapaz de acompanhar o fluxo de dados.

No Brasil, a conexão concreta com a Naval Group permanece na área de submarinos, conforme descreve a Marinha no PROSUB, iniciado pela parceria com a França em 2008. Os projetos e contratos já existentes não se ampliam automaticamente para esse destróier conceitual. Entre o SCX 26 apresentado na Euronaval e um eventual navio real ainda existem decisões de marinhas, custos de construção, seleção de armamentos e maturidade das tecnologias. Por ora, a Naval Group expôs uma pergunta de engenharia em tamanho de navio: como controlar uma força naval em que parte crescente dos meios navega sem gente a bordo?

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