Doze tiros. Doze acertos. Foi esse o cartão de visitas que o TULPAR levou para uma demonstração acompanhada de perto por uma delegação do Exército Brasileiro na Itália. O blindado sobre lagartas, equipado com a torre HITFACT MkII e canhão de 120 mm, disparou parado e em movimento e atingiu o alvo em todas as tentativas.
O teste foi realizado em 23 de setembro de 2026, no campo UTTAT Nettuno, próximo a Roma. Seis tiros foram feitos com o veículo parado e outros seis com o TULPAR andando a 20 km/h. As distâncias ficaram entre 1.300 e 1.350 metros.
O detalhe que mais chama atenção para o Brasil é o momento. O Exército mantém um programa para substituir seus atuais Leopard 1A5 e M113 por uma nova família de blindados sobre lagartas. O TULPAR ainda não foi escolhido pelo Brasil, mas a demonstração colocou o veículo diretamente diante de oficiais que acompanham a modernização da força blindada.
Todos os 12 disparos acertaram o alvo diante da delegação brasileira

Segundo a revista Tecnologia & Defesa, a munição usada foi a DM88 do tipo TPCSDS, voltada a treinamento. O alvo seguia padrão OTAN e recebeu disparos tanto com a viatura estática quanto em movimento.
O resultado foi perfeito no dado mais simples de entender: 12 disparos e 12 impactos. A delegação brasileira era liderada pelo vice-chefe do Estado-Maior do Exército, general de divisão Eduardo Tavares Martins.
TULPAR atirou a 20 km/h e o maior desvio registrado ficou em apenas 20 centímetros
Metade da sequência ocorreu com o blindado avançando a 20 km/h. Isso colocou à prova não apenas o canhão, mas também a estabilização da torre e o sistema de controle de tiro durante o deslocamento.
Tecnologia & Defesa informou índice de acuracidade de 95,07% em movimento e 99,97% com a viatura parada. O maior desvio em relação ao centro do alvo teria ficado em apenas 20 centímetros.
Canhão de 120 mm tenta entregar poder de carro de combate em uma plataforma mais leve
A configuração demonstrada combina o chassi sobre lagartas da Otokar com a torre italiana HITFACT MkII. O armamento principal é um canhão 120/45 mm de alma lisa e baixo recuo, calibre associado aos carros de combate modernos de maior porte.
A Leonardo apresenta a HITFACT MkII como uma torre capaz de levar poder de fogo equivalente ao de um Main Battle Tank para veículos mais leves. A mesma arquitetura também aceita canhão raiado de 105/52 mm, dependendo da configuração exigida pelo operador.

Otokar diz que integração envolveu mecânica, eletrônica, software e estabilização
Antes da demonstração acompanhada pelos brasileiros, Otokar e Leonardo concluíram uma campanha própria de integração. As empresas afirmam ter trabalhado nas interfaces mecânicas, elétricas, eletrônicas e de software entre o TULPAR e a torre.
Nos testes de tiro, o conjunto foi avaliado parado e em movimento. Segundo a Otokar, sistema de armas, controle de tiro, estabilização e funcionamento geral cumpriram os objetivos previstos para a campanha.
TULPAR pode variar de 28 a 45 toneladas e nasceu para receber diferentes versões
O veículo não foi concebido como uma plataforma de função única. A fabricante informa uma arquitetura escalável entre 28 e 45 toneladas, permitindo adaptar o mesmo chassi para diferentes missões.
Entre as configurações citadas estão carro médio, viatura de combate de infantaria, apoio de fogo, defesa aérea, morteiro, recuperação e evacuação médica. Essa modularidade é um dos argumentos usados pela Otokar para apresentar o TULPAR como família, e não apenas como um blindado isolado.
Brasil quer substituir Leopard 1A5 e M113, mas escolha do novo blindado ainda não está fechada
Um documento do próprio Exército sobre o Programa Estratégico Forças Blindadas informa que o Subprograma Sobre Lagartas prevê substituir os Leopard 1A5 e os M113. A previsão oficial é iniciar, a partir de 2028, o projeto de uma nova VBC CC e de uma nova VBC Fuz.
O documento também menciona a possibilidade de produção no Brasil em parceria internacional. Isso transforma critérios industriais, transferência de tecnologia, logística e manutenção em fatores tão relevantes quanto o desempenho mostrado em um campo de tiro.
Doze acertos impressionam, mas demonstração na Itália não significa contrato com o Brasil
O desempenho em Nettuno dá ao TULPAR um argumento visualmente forte: acertar todos os tiros diante da delegação brasileira, inclusive em movimento. Ainda assim, uma demonstração técnica não equivale a uma decisão de compra.
O Brasil não anunciou contrato para o TULPAR nem definiu publicamente essa plataforma como vencedora para substituir os Leopard 1A5. O teste mostra o que a configuração TULPAR-HITFACT conseguiu fazer na Itália; a escolha brasileira dependerá do processo do Exército e de requisitos técnicos, industriais, logísticos e orçamentários.
Para o público brasileiro, porém, a imagem ficou difícil de ignorar: um blindado estrangeiro de 120 mm, apontado como candidato à futura renovação das forças sobre lagartas, disparou 12 vezes diante do Exército e acertou 12 vezes.