Quatro autoridades dos Estados Unidos relataram ao The New York Times que Washington forneceu informações de inteligência e apoio de drones a um bombardeio executado pelas Forças Armadas da Venezuela contra uma instalação do Exército de Libertação Nacional (ELN). O ataque ocorreu em 30 de outubro de 2026, no estado de Apure, próximo à Colômbia, e uma organização de direitos humanos contabilizou 23 mortes.
O novo relato, divulgado pelo jornal americano em 3 de novembro e repercutido nesta quarta-feira, acrescenta uma informação decisiva: até então, a suposta colaboração dos EUA havia sido atribuída principalmente a uma fonte militar venezuelana. Agora, quatro funcionários norte-americanos, ouvidos sob anonimato, descreveram o apoio de Washington à ofensiva.
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Quatro fontes dos EUA descrevem apoio ao ataque, mas comando dos drones segue desconhecido
Segundo a reportagem do New York Times, os militares venezuelanos realizaram a operação com assistência de inteligência e aeronaves não tripuladas norte-americanas. Os quatro funcionários falaram sem identificação pública por envolver uma ação militar sensível.
Um dos entrevistados afirmou que o tipo de drone empregado costuma ser operado pelas forças dos Estados Unidos. A identidade de quem pilotou as aeronaves e o modelo utilizado não foram esclarecidos na apuração divulgada até agora.

Procurado pelo jornal, o Departamento de Estado americano encaminhou as perguntas ao Departamento de Defesa, que indicou que o governo venezuelano deveria responder. Caracas também não apresentou explicação pública detalhada sobre a operação.
Duas explosões atingiram instalação do ELN e organização registra 23 mortes
O alvo ficava na região de Apure, perto da fronteira colombiana, em um local apontado por moradores como centro de distribuição de cocaína utilizado pelo ELN. A organização venezuelana Fundaredes ouviu sobreviventes e residentes e informou ter contabilizado ao menos 23 mortos e vários feridos.
Juan Francisco García, representante regional da entidade, relatou que pessoas que viviam em propriedades próximas ouviram duas fortes explosões na manhã do ataque. Ao se aproximarem, encontraram destroços e corpos espalhados pela área.
Segundo García, entre as vítimas estavam pessoas que trabalhavam no local e familiares de integrantes da organização armada. O relato indica que nem todos os mortos eram combatentes do ELN, e a identificação das vítimas ainda estava incompleta.
Uma reportagem do jornal espanhol El País informou que investigadores locais haviam identificado oito vítimas por meio de dados de hospital, necrotério e cemitério de San Fernando de Apure. As autoridades ainda não divulgaram um balanço oficial completo.
Relato de quatro norte-americanos amplia denúncia feita por militar venezuelano
Em 2 de novembro, uma fonte militar da Venezuela havia afirmado à agência AFP que integrantes de serviços de inteligência dos EUA participaram dos preparativos do bombardeio. A reportagem anterior da Sociedade Militar detalhou essa denúncia, que ainda dependia de confirmação independente.
O levantamento do New York Times apresenta uma mudança: quatro autoridades americanas relataram participação dos EUA, enquanto um oficial venezuelano confirmou a realização do ataque por suas Forças Armadas, mas disse não possuir informação direta sobre a atuação de Washington.

A nova apuração sustenta o relato de apoio com inteligência e drones. Já a alegação anterior sobre participação específica de agentes da CIA e do FBI permanece atribuída à fonte venezuelana, sem confirmação pública dessas instituições.
ELN manteve bases e pistas clandestinas do outro lado da fronteira colombiana
Durante anos, o ELN utilizou áreas da Venezuela como retaguarda para suas operações na Colômbia. Investigadores e organizações civis documentaram atividades da guerrilha em rotas fluviais, pistas clandestinas e regiões associadas a mineração ilegal e circulação de cocaína.
Em setembro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já havia cobrado medidas para impedir que o grupo continuasse atuando livremente em território venezuelano. A exigência foi apresentada durante uma visita à Colômbia, segundo a reportagem do jornal americano.
Em Apure, a ofensiva foi dirigida a uma instalação atribuída ao ELN dentro da Venezuela, e não a uma base das Forças Armadas colombianas. A região atacada fica distante da fronteira do Brasil, embora os três países façam parte da mesma área de atenção estratégica na América do Sul.
Governos ainda devem explicações sobre as vítimas e a condução da ofensiva
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, informou que a polícia científica investigava mortes registradas na região. O governo de Caracas ainda não assumiu oficialmente a operação, e Washington tampouco divulgou detalhes sobre cadeia de comando, equipamentos ou regras utilizadas no ataque.
As informações publicadas até 4 de novembro deixam duas questões sem resposta pública: quem controlou os drones e quantas das 23 vítimas relatadas pela Fundaredes eram combatentes. A identidade dos mortos e a responsabilidade formal pelo bombardeio seguem sob apuração.