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República Dominicana envia mais de 650 militares à fronteira com o Haiti, duplica blindados nas patrulhas e prepara 38 km de muro enquanto mantém 11 mil soldados mobilizados

República Dominicana reforçou a fronteira com o Haiti com mais de 650 militares em dois batalhões, ampliou patrulhas com blindados e prepara 38 km de muro. Ministros inspecionaram quatro passagens nesta quarta-feira.

Noel Budeguer
Por Noel Budeguer 04/11/2026 às 19:58
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República Dominicana envia mais de 650 militares à fronteira com o Haiti, duplica blindados nas patrulhas e prepara 38 km de muro enquanto mantém 11 mil soldados mobilizados

A República Dominicana enviou mais de 650 militares para reforçar a fronteira com o Haiti, ampliou a presença de veículos blindados nas patrulhas e prepara a inauguração de outros 38 quilômetros de muro de proteção. Nesta quarta-feira, 4 de novembro, os ministros da Defesa e da Presidência percorreram quatro das principais passagens internacionais para conferir pessoalmente as condições de vigilância.

O reforço foi distribuído em dois batalhões de forças especiais, concentrados principalmente na região sul do país, enquanto militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea mantêm um dispositivo permanente de monitoramento. Segundo o comando da segurança fronteiriça, aproximadamente 11 mil soldados estão mobilizados ao longo da divisa, contabilizando os reforços mais recentes.

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As autoridades dominicanas dizem que os postos seguem funcionando e que as organizações armadas haitianas permanecem afastadas da fronteira. Mesmo assim, a crise no país vizinho levou o governo a aumentar o efetivo de alguns pontos de controle e a ampliar o emprego de drones, câmeras e blindados.

Dois batalhões acrescentaram mais de 650 militares à vigilância no sul do país

O presidente Luis Abinader anunciou em 25 de outubro o envio de dois batalhões adicionais para a fronteira sul, acompanhados de equipamentos pesados e meios de artilharia. A medida foi tomada após o aumento da tensão no Haiti e o desaparecimento de quatro militares salvadorenhos que participavam de uma missão internacional.

Uma reportagem de campo publicada em 2 de novembro pelo programa El Informe, da Noticias SIN, detalhou que os dois novos batalhões representam mais de 650 integrantes. O reforço se concentra especialmente nas áreas de Jimaní e Elías Piña, próximas aos corredores utilizados para chegar à capital haitiana.

Comboio de viaturas militares do Exército da República Dominicana percorre estrada montanhosa na região de fronteira com o Haiti, durante operação de supervisão e vigilância territorial realizada em maio de 2026. O patrulhamento integra o esquema de segurança mantido pelas Forças Armadas dominicanas na região, posteriormente reforçado com novos batalhões e veículos blindados. Foto: Presidência da República Dominicana/Divulgação. Imagem de arquivo.

O diretor do Corpo Especializado de Segurança Fronteiriça Terrestre (Cesfront), general Enrique Aguilera Trujillo, afirmou à emissora que a mobilização cobre toda a fronteira, da região de Montecristi, no norte, até Pedernales, no sul. Os cerca de 11 mil militares citados pelo comando correspondem ao efetivo presente após as últimas movimentações.

Blindados passaram a aparecer em dobro e postos receberam mais soldados

Na região de Jimaní, a quantidade de veículos blindados utilizados nas patrulhas foi duplicada, conforme o relato do Cesfront à Noticias SIN. O órgão também informou que determinados pontos de controle, antes ocupados por seis militares, passaram a contar com doze homens.

Essas mudanças foram acompanhadas por rondas noturnas, novas posições de observação e uso de drones com câmeras térmicas. Os equipamentos permitem detectar movimento de pessoas e veículos em áreas com pouca iluminação e acompanhar trechos de difícil acesso.

O Ministério da Defesa dominicano já havia divulgado a incorporação de 21 blindados Uro Vamtac dentro de um programa mais amplo de modernização das Forças Armadas, que somou mais de 1.400 veículos de diferentes tipos ao longo de seis anos. O anúncio não especifica quantos desses Uro Vamtac estão empregados na nova mobilização.

Ministros percorrem Dajabón, Elías Piña, Jimaní e Pedernales nesta quarta-feira

O passo seguinte ocorreu no dia 4 de novembro, quando o ministro da Defesa, tenente-general Carlos Antonio Fernández Onofre, e o ministro da Presidência, José Ignacio Paliza, visitaram as quatro principais travessias formais entre República Dominicana e Haiti.

O ministro da Presidência da República Dominicana, José Ignacio Paliza (ao centro, de camisa clara), acompanha oficiais das Forças Armadas durante inspeção militar na região de fronteira com o Haiti, em março de 2026. Em 4 de novembro, autoridades dominicanas realizaram uma nova vistoria nos postos de Dajabón, Elías Piña, Jimaní e Pedernales para avaliar o reforço da segurança fronteiriça. Foto: Presidência da República Dominicana/Divulgação. Imagem de arquivo.

Segundo comunicado da Presidência dominicana, a comitiva passou por Dajabón, Elías Piña, Jimaní e Pedernales. Acompanharam os ministros os comandantes do Exército, da Marinha e da Força Aérea, além das chefias do Cesfront e da inteligência militar.

Durante a inspeção, as autoridades constataram que as atividades comerciais e a circulação autorizada continuavam funcionando normalmente. Fernández Onofre afirmou à imprensa que a região permanecia tranquila e disse que os grupos armados haitianos mais próximos estavam em localidades como Mirebalais e Croix-des-Bouquets, distantes dos pontos de travessia observados.

Em Dajabón, o alto comando também conversou com os militares destacados nas unidades da faixa fronteiriça e verificou a estrutura de segurança e as condições de trabalho das tropas. A inspeção foi realizada enquanto o governo dominicano mantém prontidão para reagir a possíveis mudanças na situação haitiana.

Governo prepara inauguração de 38 quilômetros de muro até dezembro

Além do envio de soldados, o Ministério da Defesa anunciou que pretende inaugurar em dezembro um trecho contínuo de 38 quilômetros de muro entre Manzanillo e Capotillo, na área norte da fronteira. O anúncio inclui pontes recém-construídas em Manzanillo, La Vigía e Don Miguel.

O balanço oficial divulgado em 26 de outubro registra 54,5 quilômetros da barreira inteligente já concluídos, além da previsão de mais 13 quilômetros e outros 14 quilômetros para a região de Jimaní. O governo apresenta essas frentes de construção com cronogramas distintos.

O sistema de proteção inclui torres com câmeras, iluminação alimentada por energia solar e conexões de fibra óptica ligadas ao Ministério da Defesa e ao centro militar de comando C5i. A estrutura permite transmitir imagens e informações dos pontos de vigilância, dando apoio às equipes nas estradas e aos militares que patrulham a região.

Barreira de segurança na fronteira da República Dominicana com o Haiti, em Elías Piña, fotografia de arquivo
Trecho da barreira fronteiriça entre a República Dominicana e o Haiti, em Elías Piña, registrado em outubro de 2023. O governo dominicano anunciou a entrega de outros 38 quilômetros da barreira para dezembro de 2026. Foto: Presidência da República Dominicana/Divulgação. Imagem de arquivo.

Em Jimaní, o Cesfront informou que oito dos 22 quilômetros previstos para a barreira local já estavam construídos na data da reportagem de campo. Os demais trechos ainda dependem da continuidade das obras anunciadas.

Drones térmicos, aviões de patrulha e unidades navais completam o esquema

A segurança não está concentrada apenas nas estradas. O Ministério da Defesa dominicano informou que o monitoramento também utiliza drones autônomos ligados ao centro C5i, câmeras inteligentes instaladas em torres e aeronaves de vigilância que patrulham regiões próximas à divisa.

Entre os aviões citados pelas autoridades está o modelo Dulus, empregado em tarefas de observação e controle. A Marinha dominicana participa da proteção das áreas costeiras ao norte e ao sul do território, enquanto as tropas terrestres concentram as inspeções e o controle dos acessos.

O governo afirma que a vigilância ocorre durante as 24 horas do dia. Os equipamentos são empregados para monitorar deslocamentos, apoiar operações contra contrabando e entrada irregular de mercadorias e alertar as patrulhas sobre situações que exijam resposta rápida.

Crise do outro lado da fronteira derruba movimento de comerciantes em Jimaní

Apesar da avaliação oficial de que os postos de passagem seguem funcionando, empresários da região de Jimaní relatam prejuízos provocados pela violência nas estradas haitianas. A redução no número de compradores vindos da capital do país vizinho afetou lojas e pequenos negócios que dependem do comércio binacional.

Segundo reportagem da Noticias SIN, representantes locais estimam queda superior a 40% no movimento comercial de determinados estabelecimentos. Um empresário do setor de água engarrafada relatou perda de clientes porque grupos armados impedem ou dificultam deslocamentos no Haiti.

Os números citados na mesma reportagem mostram que as exportações registradas por Jimaní recuaram de aproximadamente US$ 21,55 milhões em 2024 para US$ 19 milhões em 2025. Os dados cobrem anos inteiros e não medem isoladamente os efeitos da mobilização militar de novembro.

Dominicana reforça sua fronteira enquanto El Salvador intensifica operações no Haiti

A mobilização ocorre após um ataque em 18 de outubro contra militares de El Salvador que atuavam em missão internacional no Haiti. Quatro técnicos de aviação ficaram desaparecidos, provocando reforços salvadorenhos e medidas de segurança nos países vizinhos.

A Sociedade Militar já havia noticiado a mobilização salvadorenha e os primeiros anúncios de reforço dominicano no fim de outubro. Desde então, uma reportagem de campo detalhou o efetivo adicional, o reforço com blindados e a situação dos postos em Jimaní, enquanto as autoridades realizaram a inspeção de 4 de novembro.

O presidente Abinader afirmou que seu governo não pretende enviar tropas dominicanas para operações de combate no Haiti. O país oferece apoio logístico, informações de inteligência e atendimento médico às forças internacionais, mantendo os soldados mobilizados em território próprio.

O chefe de Estado também declarou que não admitirá a presença de gangues armadas a menos de 20 quilômetros da fronteira dominicana. O ministro da Defesa afirmou nesta quarta-feira que os grupos permanecem distantes da faixa limítrofe e que não houve alteração significativa na segurança dos postos inspecionados.

O próximo marco anunciado é a inauguração dos 38 quilômetros de barreira prevista para dezembro, enquanto os batalhões adicionais seguem em patrulhamento. A avaliação do governo pode mudar caso a violência no Haiti alcance novos corredores de circulação próximos à divisa.

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