O USS Silversides chegou a Muskegon no sábado (31/10) e reabre a visitas no sábado, 7/11; na reforma apareceu uma válvula de um submarino-irmão afundado em 1945.
Puxado por dois rebocadores, o USS Silversides atravessou o Lago Michigan na noite de sexta-feira, 30 de outubro, e no sábado, 31, já estava de novo atracado no canal de Muskegon, nos Estados Unidos. O submarino da Segunda Guerra passou três meses num estaleiro de Wisconsin, numa reforma de US$ 3,5 milhões em que o casco de aço, segundo a diretora-executiva do museu, Veronica Campbell, mostrou só 10% de desgaste.
O Silversides desloca 1.525 toneladas na superfície, mede 95 metros e é museu flutuante em Muskegon desde 1987. Ele não saía da água desde julho de 1954, segundo o museu, e reabre a visitas no sábado, 7 de novembro. No Rio de Janeiro, a Marinha do Brasil mantém o seu próprio submarino-museu, o Riachuelo, aberto ao público na Praça XV desde 1997.
Saída de Sturgeon Bay pouco antes das 17h de sexta
O submarino deixou o estaleiro Fincantieri Bay Shipbuilding, em Sturgeon Bay, pouco antes das 17h de sexta, informou o jornal MLive. Antes da partida, a Guarda Costeira dos EUA liberou a travessia depois de cinco etapas: teste de flutuação, teste de inclinação e estabilidade, lastro, retoques finais e preparação do reboque.
A previsão era chegar entre 8h e o meio-dia de sábado, a depender das condições do lago. Em Muskegon, o casco seria levado até o Lago Muskegon, virado e guiado de volta ao cais, segundo o MLive. A emissora WOOD-TV registrou o submarino atracado no sábado, com festa de recepção e salva de jatos d’água do gabinete do xerife do condado.
A ida tinha sido em julho. O Silversides saiu de Muskegon na segunda-feira, 13 de julho, por volta das 17h30, e chegou a Sturgeon Bay na manhã seguinte, depois de 16 horas e 113 milhas de reboque pelos rebocadores Nickelena e Erika Kobasic, segundo o museu e o MLive. Entrou no dique seco em 22 de julho.
No Rio, o Riachuelo é submarino-museu desde 1997
O paralelo brasileiro mais próximo está na Praça XV. O submarino Riachuelo (S22), da classe Oberon, de projeto britânico, foi incorporado à Marinha em 1977 e deu baixa em 12 de novembro de 1997, segundo a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. No mesmo ano virou museu no Espaço Cultural da Marinha, no Boulevard Olímpico.
A página oficial da diretoria avisa que o interior é espaço confinado e que a visita é feita em fila indiana. O roteiro inclui o Contratorpedeiro Museu Bauru, o Helicóptero Museu Sea King, a Nau dos Descobrimentos e o carro de combate Cascavel.
Aço de 85 anos com 10% de desgaste
“No fim, o casco de aço tinha só 10% de desgaste, o que é incrível para uma embarcação da idade dela”, disse Veronica Campbell ao MLive. Ela atribuiu o resultado aos anos em água doce.
Os tanques de lastro estavam cheios de silte, detritos e vermes, contou Campbell. Depois da limpeza, ficaram em tão bom estado que parte dos revestimentos planejados se tornou desnecessária, o que ela chamou de “uma surpresa muito boa”. Segundo o museu, todos os tanques tinham sido inspecionados depois da ida, sem nenhuma entrada de água.
Houve troca de aço gasto nas áreas de alagamento livre da proa e da popa e reparos nas portas dos tubos de torpedo de ré, nas tomadas de mar e nos embornais. Pela estimativa citada pelo MLive, a obra deve dar ao submarino de 20 a 30 anos antes da próxima docagem. “Teria custado o dobro voltar depois do que fazer quando tivemos a chance”, disse Campbell.
A válvula de um submarino-irmão afundado em 1945
O achado que o museu chamou de mais curioso apareceu em agosto. Uma válvula de alagamento do tanque de lastro 2D tinha gravada a marca do USS Trigger (SS-237), submarino-irmão do Silversides perdido em 1945. A peça foi retirada, marcada para ser guardada e vai para exposição.
“Esta pode ser a única peça do Trigger que sobreviveu”, escreveu o curador Scott Hardin na página de atualizações do museu. Ele também registrou bem menos mexilhões-zebra no casco do que a equipe esperava.
Outros restos da docagem de 1954 apareceram no caminho. Os operários daquela época tiraram a cúpula do sonar e deixaram os parafusos no suporte, e o anel de parafusos saiu à mão em 2026, segundo Hardin. Atrás das chapas do radar havia corrosão e ninhos de animais.
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US$ 3,5 milhões e uma conta ainda aberta
O projeto custou US$ 3,5 milhões, cerca de R$ 18,97 milhões pela PTAX de venda de 30 de outubro, de R$ 5,4212, informada pelo Banco Central. Uma página de perguntas frequentes do museu ainda fala em cerca de US$ 2 milhões, número da estimativa inicial.
Do total, US$ 750 mil (R$ 4,07 milhões) vieram do programa federal Save America’s Treasures, administrado pelo Serviço Nacional de Parques, segundo o museu. Outros US$ 2,6 milhões (R$ 14,10 milhões) saíram de doadores privados e empresas, de acordo com a Fox17.
Na manhã de sexta, o museu informou que ainda faltavam US$ 215 mil (R$ 1,17 milhão) para fechar a meta, segundo a Fox17. O que for arrecadado acima do custo vai para um fundo da próxima docagem, de acordo com o MLive.
23 navios pela contagem oficial da JANAC
Construído no estaleiro naval de Mare Island, na Califórnia, o Silversides entrou em serviço em 15 de dezembro de 1941, oito dias depois do ataque a Pearl Harbor. Pela contagem oficial da JANAC, a comissão americana que apurou as perdas japonesas após a guerra, afundou 23 navios, somando 90.080 toneladas.
Outras contagens chegam a 30 ou 31 navios, e o MLive usa 30. O submarino recebeu 12 estrelas de batalha e a Citação Presidencial de Unidade.
O episódio mais contado a bordo é de dezembro de 1942. Segundo o verbete do Silversides na Wikipedia em inglês, o enfermeiro Thomas Moore operou de apendicite o marinheiro George Platter em pleno patrulhamento, com éter e instrumentos improvisados.
De Chicago a Muskegon
Depois da guerra, o submarino foi desativado em 1946 e voltou à ativa como navio de treinamento da reserva naval em Chicago. Moradores de Muskegon começaram em 1985 a campanha para levá-lo à cidade, e em agosto de 1987 ele saiu do Navy Pier, em Chicago, para o canal de Muskegon, segundo o MLive.
O ingresso custa US$ 18 para adultos e US$ 15 para idosos e veteranos. Veteranos da Segunda Guerra, militares da ativa e crianças com menos de 5 anos não pagam, segundo o MLive.
Número 236 repintado pelas fotos de Guam
O museu quer o submarino com a aparência de quando deixou Guam, em 1945. “Com base em fotografias históricas, repintamos o 236”, disse Hardin à WOOD-TV, sobre o número de casco.
As bandeiras de vitória na lateral, que eram adesivos, vão ser pintadas à mão por um artista. Antes da reabertura, a equipe ainda precisa religar as instalações e limpar o interior, informou a emissora. No sábado, 7 de novembro, o Silversides volta a receber visitas, 72 anos depois da última vez em que tinha saído da água.